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Instituições criam ações para fortalecer candidaturas de mulheres negras às eleições municipais

Alma Preta
·3 minutos de leitura
Erika Hilton, candidata à veredora da cidade de São Paulo. Foto: Ravi Santana
Erika Hilton, candidata à veredora da cidade de São Paulo. Foto: Ravi Santana

Texto: Flávia Ribeiro Edição: Nataly Simões

Nas eleições de 2016, apenas 691 dos candidatos às prefeituras eram mulheres negras, dessas apenas 180 foram eleitas. Os homens brancos somavam 57,7% dos candidatos; homens negros, 28,7%; e mulheres brancas, 8,8%. Dentre os eleitos, o maior percentual foi de homens brancos, com 62,2%. Os dados divulgados pelo Movimento Mulheres Negras apontam para a baixa representatividade desse grupo na política. Apesar de corresponder a cerca de 28% da população brasileira, entre candidatos eleitos, tanto para vereadoras quanto para prefeitas, as mulheres negras não chegaram a 5%.

Para mudar essa realidade, instituições de todo o Brasil promovem ações voltadas para o fortalecimento de candidaturas de mulheres negras nas eleições municipais de 2020. Uma dessas ações é da Fundação Rosa Luxemburgo, com o apoio do Ocupa Politica, Mahín, Mulheres Negras Decidem, Coalizão Negra por Direitos e Fórum Marielles.

“O objetivo é fortalecer um processo de ocupação política de mulheres negras comprometidas com as pautas de defesa de direitos, com a pauta feminista interseccional, antirracismo, ou seja, mulheres do espectro da esquerda que se identificam e defendem essas pautas. A gente entende que a política institucional é um espaço fundamental e urgente de ser cada vez mais ocupado por mulheres negras”, comenta Christiane Gomes, diretora de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo, sediada em São Paulo.

O projeto realizou em julho uma roda de conversa online com Benedita da Silva, Áurea Carolina, Jô Cavalcante, Erika Hilton, Célia Xakriabá, Nilma Bentes, Selma Dealdina e Vilma Reis. Após o bate papo, foi aberto um formulário para reunir outras mulheres com interesse no tema, visando formar uma rede.

“É algo que está sendo construído de forma muito orgânica, de outras narrativas e até mesmo de outra estética dessa política. A ideia é que possamos caminhar com essas mulheres, porque muitas vezes o processo é solitário. Tudo é construído de uma maneira que afugente as mulheres negras. Desde questões dos partidos e acusação de que o feminismo negro é uma pauta identitária que racha a esquerda, quando, na verdade é o contrário, é essa pauta é que unifica a esquerda”, defende Cristhiane.

A diretora diz que mais do que visar o resultado eleitoral, é fundamental que as candidaturas sejam reforçadas para que possam disputar narrativas e mudar a cultura de que política institucional não é lugar para mulheres, principalmente para mulheres negras, que são as mais afetadas por uma política que ela classifica como racista, patriarcal, classista e que domina o Brasil há muito tempo.

Diante disso, a iniciativa também reuniu atividades de formação para mulheres que responderam ao formulário e há uma pesquisa em andamento. Após às eleições, em 2021, está prevista uma publicação que reunirá a produção política institucional de mulheres negras.

“Acredito que chegamos em um momento importante de disputar esses espaços porque a política como está hoje, formada majoritariamente por homens, brancos e héteros, defende apenas interesses econômicos e empresariais. É fundamental o protagonismo de uma construção de uma outra política, atrelada com os reais interesses das mulheres, que somos maioria nesse país”, analisa Christiane.

A diretora pontua que as participantes do projeto são candidatas a cargos políticos da esfera municipal pela primeira ou segunda vez e que existem diversas iniciativas com a mesma finalidade.

Christiane ainda revela que as mulheres que estão no projeto estão se candidatando pela primeira ou segunda vez e pontua que há outras iniciativas com o mesmo objetivo. “Não estamos inventando a roda, a história da Constituição Federal é marcada por ação organizada de mulheres. A política de creches, por exemplo, é uma conquista das mulheres. Quando a gente fortalece essa perspectiva a gente está fortalecendo a democracia. As mulheres negras estão nessa vanguarda para lutar por um país melhor e uma democracia efetiva para toda a população”, pontua.