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Inspiração em quarentena: 5 personalidades que inovaram durante confinamento

André Lourenti Magalhães

O isolamento durante a pandemia da COVID-19 em praticamente todo o mundo fez com que as pessoas precisassem mudar suas rotinas repentinamente. Por um lado, há a parte ruim de não poder curtir uma cervejinha com os amigos, tampouco bater perna nos centros comerciais para comprar uns mimos.

Por outro, além de o isolamento garantir a proteção das pessoas e frear a disseminação do novo coronavírus, a parte boa é que, ao passar mais tempo em casa, é possível usar a criatividade para produzir coisas novas e, quem sabe, até mesmo mudar o mundo. E a história da humanidade já deu exemplos de como isso acontece.

Diversas sociedades já precisaram ser mantidas em isolamento por causa de epidemias e pandemias fatais. Mas esse confinamento não impediu que grandes mentes da ciência, arte e literatura pudessem criar projetos e fazer descobertas. Confira algumas delas!

1. Giovanni Boccaccio

O poeta italiano Giovanni Boccaccio escreveu Decamerão, uma de suas obras mais famosas, durante um período de isolamento no surto da Peste Negra na Itália. O livro é um compilado de contos sobre jovens que saem de suas respectivas cidades e se isolam em uma casa de campo para fugir da doença.

Decamerão é uma obra muito importante para a literatura por retratar a realidade vivida na Europa durante o século XIV, inclusive durante a pandemia. Além disso, é um dos livros que rompem com o estilo medieval de literatura e abrem caminho para a escrita realista.

Retrato do escritor italiano Giovanni Boccaccio, que viveu de 1313 a 1375 (Foto: Wikimedia Commons)

2. Thomas Nashe

O escritor inglês Thomas Nashe ficou confinado durante as crises de peste bubônica na Inglaterra. Recluso no interior do país, em 1952 Nashe escreveu a peça Summer’s Last Will and Testament (“Último Desejo e Testamento do Verão”, em tradução livre), que traz suas observações e experiências durante o tempo da quarentena. A peça foi apresentada no mesmo ano e publicada em 1600.

Capa de "Summer's Last Will and Testament", de Thomas Nashe (Foto: Reprodução/Amazon)

3. William Shakespeare

William Shakespeare foi um dos primeiros nomes a usar sua criatividade em períodos de isolamento. No século XVII, a Inglaterra sofreu com diversos surtos de peste bubônica, resultando no fechamento de locais com grandes aglomerações, o que afetou principalmente bares e teatros.

Sem poder fazer novas apresentações, o escritor inglês começou a escrever. Uma delas foi Rei Lear, apresentada para a família real inglesa em dezembro de 1606. É uma das histórias mais sombrias de Shakespeare, e possui uma grande influência do período de epidemia. Estima-se, também, que o autor tenha escrito peças como Macbeth e Antonio e Cleópatra durante o período em que os teatros estavam fechados.

O Retrato de Chandos, pintura que supostamente retrata o rosto de Shakespeare (Foto: Wikimedia Commons)

4. Isaac Newton

Em 1665, a cidade de Londres, na Inglaterra, sofreu uma epidemia de peste bubônica, resultando em um período chamado de Grande Praga de Londres. Como uma das medidas para conter o avanço da doença, a universidade de Cambridge decidiu enviar seus alunos para casa. Isso incluía um jovem chamado Isaac Newton.

Isolado na casa de sua família, Newton continuou com seus estudos e experimentos. No isolamento, ele concluiu teorias de matemática de sua faculdade e fez experimentos com prismas e iluminação, que seriam fundamentais para a elaboração de suas teorias sobre ótica. Avistou, também, a famosa macieira no quintal de sua casa. Essa árvore inspirou Isaac Newton a elaborar as suas teorias sobre a gravidade, deixando seu nome marcado como uma das mentes mais importantes da ciência em toda a história.

Isaac Newton em retrato de Godfrey Kneller (Foto: Wikimedia Commons)

5. Edvard Munch

O pintor norueguês Edvard Munch é mundialmente famoso por sua obra O Grito, mas possui um extenso acervo com muitas outras obras, sendo ele um dos precursores do impressionismo e expressionismo alemão.

"Autorretrato com a Gripe Espanhola", obra de Munch (Foto: Wikimedia Commons)

No surto da gripe espanhola, em 1919, Munch foi uma das vítimas da doença, mas felizmente sobreviveu à infecção. O artista, morando na Noruega, decidiu fazer um autorretrato chamado Autorretrato com a Gripe Espanhola. Na pintura, vemos Munch com cabelos ralos e grisalhos, pele em um tom amarelado e também vemos cobertores em seu colo — o que pode ser interpretado como uma metáfora à situação de enfermidade na qual ele se encontrava.

Fonte: Canaltech

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