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Inquérito policial é instaurado para investigar prisão de policial que se recusou a passar do horário de trabalho

·2 minuto de leitura

RIO – Um inquérito policial militar foi instaurado para investigar o caso da soldada da PM do Maranhão, que recebeu ordem de prisão ao se recusar a passar do horário de trabalho. Tatiane Alves fazia policiamento ostensivo a pé de um evento no Centro Histórico de São Luís, em comemoração ao aniversário da cidade, no último dia 5. O Ministério Público está acompanhando a investigação.

Após cumprir o expediente, ela, que ainda amamenta o filho de 2 anos, foi impedida de retornar para casa e foi levada por uma viatura até o Comando Geral da Polícia Militar, onde foi presa em flagrante por desobediência.

Segundo Tatiane, por volta das 20h, os policiais ficaram sabendo que o trabalho se estenderia até o término do evento. No entanto, eles não tinham nenhuma previsão. No local, o marido e o filho da policial presenciaram toda ação. Ela contou ainda que desde o início do policiamento, eles não receberam nenhum tipo de alimentação e por isso, ela também não tinha condições físicas de permanecer no local.

– Meu horário de escala era até as 20h. A gente recebeu a informação de que o nosso horário iria até o término do evento, que poderia ser 11h, meia noite. E durante esse tempo que a gente estava de serviço, a gente não recebeu nenhum tipo de alimentação e eu já não tinha condições físicas de permanecer no serviço. O meu filho também precisava ser amamentado. – contou a soldado da PM.

Ela disse ainda que o comandante da equipe, o tenente Mário Oliveira, teria dito que caso não cumprisse a determinação que ela estaria presa por desobediência.

— Em nenhum momento ele quis me ouvir. Ele falou para mim que se eu não cumprisse a determinação dele que eu seria presa. Eu respondi pra ele que então eu seria presa porque não conseguiria permanecer no serviço e de imediato ele solicitou a viatura para me encaminhar até o Comando Geral da Policia Militar do Estado do Maranhão para que eu fosse conduzida por flagrante delito pelo crime de desobediência. Infelizmente, eu fiquei presa por 1 dia até ter um alvará de soltura.

Após sair da prisão, a PM foi comunicada de sua transferência de posto. No entanto, depois do ocorrido Tatiane pediu afastamento para fazer tratamento psicológico.

– Assim que recebi meu alvará de soltura, fui transferida para o 9° batalhão como forma de punição. Só que tive o apoio da Coronel Augusta, que é responsável pelo comando da patrulha da Maria da Penha e ela pediu que fosse transferida para o batalhão dela, onde estou lotada no momento, mas estou afastada para tratamento psicológico – concluiu.

Tatiane, que está a quase 8 anos na corporação, criou um perfil no Instagram "Relatos de abuso Militar" em que pretende denunciar casos como dela na corporação.

– Eu não esperava essa repercussão toda que está tendo, mas se aconteceu tudo isso tem um objetivo. Deus não dá um fardo que a gente não possa carregar - afirmou Tatiane.

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