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Inovação aberta na indústria de alimentos acelera as foodtechs

·9 min de leitura

A estrutura financeira e capacidade de investimento em pesquisa e inovação sempre foram os grandes guias para o crescimento da indústria de alimentos. As grandes indústrias líderes de mercado tais como Nestlé, Unilever, Danone, General Mills, AB Inbev, entre tantas outras, ao longo de décadas, sempre tiveram capacidade financeira e intelectual de criar novos produtos, absorver indústrias menores já com produtos estabelecidos, e assim revigorar sua presença no mercado.

Hoje não é mais assim. O acesso ao conhecimento promovido pela tecnologia abriu oportunidades para muitos novos empreendedores. Com ideias inovadoras de alimentos, criatividade e percepção diferenciada de mercado, estão criando novos alimentos, atendendo nichos mal ou nada explorados de mercado.

O desafio para a grande indústria se transformou em quebrar o paradigma de que toda inovação poderia ser criada dentro de casa. A inovação aberta entrou nesse circuito, promovendo o encontro entre os empreendedores, com suas ideias frescas. Quanto as grandes empresas, complementam com a expertise de marketing, industrialização, internacionalização e logística.

Inovação aberta, ou em inglês, open innovation, não é uma novidade no mercado. É um termo criado em 2003 para conceituar a relação das indústrias e organizações que promovem idéias, pensamentos, processos e pesquisas abertos às pessoas fora das organizações. O objetivo é melhorar o desenvolvimento de seus produtos, prover melhores serviços para seus clientes, aumentar a eficiência e reforçar o valor agregado.

Uma boa ideia puxa outra, em cadeia

Muitas organizações adotaram esse tipo de relacionamento com empreendedores até a mais tempo, como forma de melhorar a sustentabilidade dos negócios. Este é o caso, por exemplo, da indústria de embalagens de alimentos Tetra Pak.

A indústria sempre manteve em sua estrutura, há décadas, uma área de suporte aos clientes para estudar em conjunto a viabilidade de mercado de novos produtos, melhores práticas de marketing e opções de embalagens. Afinal, o sucesso das indústrias de alimentos puxam as vendas de embalagens.

A empresa evoluiu com o modelo de relacionamento. Hoje mantém seis Centros de Inovação ao Cliente – CIC, em todo o mundo, incluindo o Brasil. Essas unidades se propõem a acelerar o desenvolvimento de novos produtos, trazidos de empreendedores externos à companhia. Entre os serviços oferecidos estão os estudos de viabilidade em termos de marketing, inteligência de mercado e apoio na formulação de novos produtos.

O programa de startups que a Tetra Pak realiza em todo o mundo tem a empresa Plug and Play como gestora. A empresa atua na mentoria, suporte financeiro e pode também investir, uma vez que atua como empresa de venture capital em empresas early stage. Essa presença internacional pode também ser a porta de entrada para o processo de internacionalização de empresas e seus produtos inovadores.

Luis Kuhl, diretor de novos negócios da Tetra Pak, aponta que o perfil das novas empresas fabricantes de alimentos mudou muito ao longo dos anos. “O que vemos hoje são novos empreendedores, mais experientes e estruturados. Eles chegam até nós com paixão pelo que fazem, com vontade de crescer”, afirma Kuhl.

Um dos fatores que impulsionam a chegada dessas novas empresas é o fato de serem nativos digitais. Eventualmente já trabalham e testam seus produtos virtualmente, com oferta online de produtos fabricados em operações piloto, para posteriormente se lançarem no mercado com o suporte da união com outras indústrias. Ou trilharem a carreira solo, crescendo organicamente, e atraindo a atenção de investidores de mercado.

Carolina Sevciuc, diretora de inovação e transformação digital na Nestlé, tem uma percepção similar quanto ao perfil dos novos empreendedores e sua importância no processo de criação e lançamento de novos alimentos. Após o processo de diversos ajustes organizacionais na companhia para ajustar as questões burocráticas, pôde lançar o Panela Nestlé, plataforma de inovação aberta para conectar empreendedores, universidades e parceiros de negócios.

O propósito é colaborar para poder acelerar as soluções selecionadas dos participantes do Panela, de modo que entendam que com a colaboração da indústria podem construir negócios juntos. Segundo Carolina, “os empreendedores passam a entender que não precisam fazer tudo sozinhos, podem contar com a estrutura e conhecimento da Nestlé para obterem soluções mais rápidas”.

O DataLab da Nestlé, ferramenta que reúne mais de 12 milhões de dados de produtos e de mercado, incluindo informações sobre os consumidores B2C, é um grande e respeitável diferencial no relacionamento com os empreendedores. Apoiam na definição de viabilidade de novos negócios e sua aplicação ajuda na assertividade de desenvolvimento e lançamento de novos produtos.

“O Panela está fervendo, como iniciativa de inovar, conhecer novas maneiras de atuar e a mentalidade dos empreendedores”, reforça Carolina. Ela ainda destaca que há grandes expectativas de ampliação de negócios com os novos empreendedores. A Nestlé ainda não tem um modelo definitivo e rígido em termos de relacionamento futuro com as startups, se passarão a ser investidores na aceleração ou algum outro formato.

Processos de gestão organizam a inovação aberta para as foodtechs e indústrias

A quantidade de startups que atuam em foodtech é imensa. Do campo à mesa, muita tecnologia está sendo aplicada no setor para melhorar a produtividade do campo à mesa.

O mercado conta hoje com empresas especializadas que realizam esse trabalho de captação de negócios, entendimento e aceleração dos negócios. Este é o caso, por exemplo, da Plug and Play, baseada no Silicon Valley, nos Estados Unidos, e com escritórios em muitas cidades pelo mundo, incluindo um em São Paulo. Além da Tetra Pak, já mencionada, realiza o trabalho de gestão de inovação aberta para empresas como Pepsico, Mondeléz, Red Bull, Walmart.

A empresa adota um perfil de trabalho específico para cada mercado, atendendo as prioridades de cada segmento de negócio. A presença internacional facilita eventuais processos de internacionalização e troca de conhecimento.

Paulo Padula, diretor executivo da Plug and Play no Brasil, entende que a transformação digital foi o grande acelerador para que empreendedores do setor pudessem participar do ecossistema de alimentação. “Vejo que as principais tendências tecnológicas para as foodtechs estão relacionadas a investimentos em agricultura de precisão, que levará à otimização no uso de insumos no campo e redução de custos, a varejo e delivery, ao pós-venda com gestão de resíduos e no supply chain com o uso de inteligência artificial prevendo tendências”, comenta Paulo.

Outra empresa que igualmente apoia a inovação da indústria de alimentos e de empreendedores é a Innoscience. Há 15 anos no mercado, já viu notáveis mudanças no setor de alimentos em trabalhos realizados para Nestlé, M. Dias Branco, Ambev e outras.

Segundo Maximiliano Carlomagno, sócio-fundador da empresa, o setor de foodtech se expandiu sensivelmente, principalmente neste período de pandemia. Em um primeiro momento, muitos empreendedores optaram por soluções digitais para seus negócios, usando a tecnologia para a solução de demandas do setor. A evolução natural é a prototipagem e os acertos para o controle qualitativo. As universidades são também boas fontes de conhecimento e são somadas ao processo de criação de produtos e serviços para o setor.

“As startups hoje têm mais cuidados e opções para estabelecer relacionamentos com outras empresas no mercado. Existem inúmeras fontes de financiamento junto a empresas de venture capital, disponíveis e interessadas em investir no setor. A infraestrutura das startups faz a diferença no processo de aceleração”, afirma Maximiliano. Ainda segundo ele, há uma tendência forte de aumento de investimentos no setor, fato também apurado nas pesquisas realizadas pela AgFunder.

Múltiplas oportunidades de crescimento para as startups foodtech no mercado

A inovação aberta virou parte importante na transformação tecnológica, digital e cultural nas indústrias de alimentos. Os empreendedores passaram a ter parceiros para a aceleração no crescimento sustentável.

Na Ambev, mais de 200 startups fecharam negócios com a empresa somente em 2020, fruto de um trabalho que se intensificou nos últimos anos. A quantidade de iniciativas incorporadas na empresa dobrou neste ano, impulsionada pela pandemia e novas necessidades de mercado.

Eduardo Horai, CTO da empresa, destaca que a empresa mantém uma área muito estruturada para avaliar todas as propostas que chegam por meio do canal de startups no website, nas ações de realizam duas vezes ao ano para atrair empreendedores, além das pesquisas em eventos. “Temos que manter o ritmo de avaliação de novas opções de alimentos, principalmente que inovem em saudabilidade. Buscamos também inovações em melhores processos logísticos, processamento industrial 4.0 e experiência de usuário”, destaca Eduardo.

A atenção à necessidade de inovar se fez presente desde o lançamento da plataforma online Zé Delivery, de entregas rápidas de bebidas a domicílio. Juntando tecnologia, expertise de logística e processos, criaram uma rede descentralizada de distribuição de bebidas, sem a dependência de frotas de veículos pesados rodando pelas cidades, além de atender de forma rápida e pontual os consumidores.

Outras iniciativas trazidas por startups puderam ser aproveitadas em melhor eficiência energética de plantas industriais, inclusive com capacidade de adoção fora do Brasil, gestão de marketplace atuando em nicho de mercado, uso de energia renovável em bares e estabelecimentos comerciais, gestão de fila de restaurantes. São inúmeras as ofertas criativas levadas para análise da Ambev, buscando a experiência e suporte da empresa em termos de conhecimento e de investimentos.

Na Bayer, é dentro de Inovação Aberta que são estruturadas chamadas e desafios para startups que buscam resolver problemas ligados à gestão/operação agrícola, desperdício de alimentos, questões sustentáveis ou outras dores identificadas com os agricultores.

Uma iniciativa importante para ampliar os horizontes em inovação aberta foi o lançamento do LifeHub São Paulo no final de 2020, que permitirá trazer todas estas oportunidades para dentro da sede da Bayer proporcionando uma conexão mais direta do ecossistema com as áreas internas que demandam soluções para melhoria de processos, produtos e novos modelos de negócios que vão além das nossas capacidades internas.

A empresa desenvolve soluções em parcerias público-privadas com diversos atores: Ciência e Academia (como Embrapa, UFV, USP, UFLA e Unicamp), Ecossistemas de inovação aberta e empreendedorismo (como AgTech Garage, AgriHub Space, CampoLab, FoodTech Hub Br, Cocriagro, Esalqtec e Venture Hub) e participações em programas de aceleração de startups como Intensive Connection, TechStart Agrodigital, Pontes para Inovação, Siagro, Café com AgriTechs, StartupsConnected e outros.

“Por meio da inovação é que nos engajamos em enfrentar os desafios globais que trazem impacto à segurança alimentar, como questões climáticas e a redução da biodiversidade. Diante disso, acreditamos que todo investimento em inovação deve contemplar a sustentabilidade, uma vez que a agricultura é protagonista para os desafios mencionados”, comenta André Fukugauti, gerente de projeto em Inovação Aberta na empresa. A Bayer tem buscado cada vez mais parcerias estratégicas, pois, a partir da cocriação é possível endereçar problemas de forma mais ágil para gerar cada vez mais valor aos produtores tanto dentro quanto fora da porteira.

As estruturas de inovação aberta estão ativas, e podem ser melhor usadas pelos empreendedores

Um dos pontos desafiadores para a aceleração das startups de foodtech no Brasil é o fato de termos abundância de recursos naturais – clima, terra, água, componentes que raramente se encontram nos outros países no mundo. Segundo Paulo Padula, isso pode deixar muitos empreendedores numa zona de conforto que pouco favorece o crescimento dos negócios, a internacionalização e a atração de capitais de investidores.

Uma boa referência para este fato é que, até o momento, com todo o potencial em produção de alimentos, capacitação técnica, conhecimento e criatividade, não temos uma empresa unicórnio entre as foodtechs nacionais.

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