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Iniciativa da Amazon pode tirar ímpeto da Black Friday nos EUA

Spencer Soper, Jordyn Holman e Henry Ren
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- As promoções em dois dias para assinantes do serviço Prime, da Amazon.com, começam na terça-feira. A expectativa é que a iniciativa dê à gigante de comércio eletrônico uma vantagem inicial sobre lojas físicas que ainda lidam com consumidores assustados com a pandemia e que não estão dispostos a encarar multidões na Black Friday.

Este ano, o chamado Prime Day foi adiado de julho para outubro. Com isso, a Amazon sozinha pode antecipar a crucial temporada de compras de fim de ano. Seria a concretização de um fenômeno previsto há muito tempo, a antecipação da movimentação em torno do Natal. Mais de três em cada quatro consumidores planejam fazer essas compras mais cedo do que no ano passado e um terço deles cita motivações de saúde e segurança, de acordo com uma pesquisa do Conselho Internacional de Shopping Centers divulgada na sexta-feira. Paralelamente, uma pesquisa Harris conduzida com a Bloomberg concluiu que quase metade dos consumidores planeja fazer a maior parte ou todas as suas compras na web.

É uma combinação vitoriosa para a Amazon, que neste ano contratou mais de 175.000 pessoas para sua ampla rede de centros de atendimento depois que a disparada nos pedidos online chegou a sobrecarregar a empresa por um breve período, causando atrasos em algumas entregas.

A companhia divulgou lucro recorde no último trimestre e as ações avançaram 85% este ano, colocando seu valor de mercado em cerca de US$ 1,7 trilhão.

“É demanda sem precedentes”, disse Andrew Lipsman, analista da eMarketer que estima o gasto online no período de dois dias em quase US$ 10 bilhões, sendo mais de US$ 6 bilhões na Amazon. “As compras de fim de ano continuarão migrando de lojas físicas para online e a Amazon está muito bem alinhada com essas tendências.”

A máquina de entregas da Amazon, focada em conveniência, agora oferece o benefício adicional de segurança na comparação com as lojas físicas. Em abril, os consumidores nos EUA recorreram à empresa para reforçar estoques de papel higiênico e álcool gel. Depois, precisaram de eletrônicos para trabalhar e assistir aulas em casa. Quando chegou o verão, passaram a encomendar móveis para o quintal e piscinas portáteis.

Agora se aproxima a temporada de Natal, a época do ano mais movimentada para a Amazon, e os casos de Covid-19 voltaram a subir nos EUA. Isso significa que as vendas da Amazon podem continuar crescendo no ritmo de dois dígitos, apesar da fraqueza do mercado de trabalho e do impasse no Congresso em torno de novos pacotes de estímulo econômico, como o auxílio semanal de US$ 600 aos desempregados que já perdeu validade.

Concorrentes da Amazon que ainda geram a maior parte da receita em lojas físicas precisam atrair movimento ao mesmo tempo em que protegem a saúde pública. Oito em cada 10 consumidores afirmam temer que lojas lotadas espalhem a Covid-19. Assim, varejistas que não oferecem promoções online podem sair perdendo.

Há semanas o setor tenta convencer o público a antecipar gastos. Executivos da American Eagle Outfitters e da Kohl’s esperam demanda antecipada. A veterana Deborah Weinswig conseguiu que duas dezenas de varejistas começassem um novo dia de compras, em 10 de outubro, o “10.10”, para resolver problemas de capacidade e incentivar as pessoas a comprar mais cedo. Target e Walmart também organizaram datas promocionais esta semana.

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