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Inglaterra x Escócia: equilibrada, rivalidade mais antiga da história ganha mais um capítulo moderno

·4 minuto de leitura

Rivais nesta sexta-feira, pela segunda rodada do grupo D da Eurocopa, Inglaterra e Escócia escrevem uma página da história do futebol a cada vez que se enfrentam. Mais antigo confronto entre seleções do mundo, o jogo remonta a uma complexa relação diplomática entre as nações integrantes do Reino Unido, que opõe um intercâmbio de talentos no futebol a um sentimento separatista, acordado depois da saída da Inglaterra da União Europeia, o Brexit.

A história da disputa entre as equipes remonta ao século XIX, nas origens do futebol. Assim que teve suas regras estebelecidas pelos ingleses, o esporte foi palco de uma série de duelos entre jogadores ingleses e escoceses de 1870 a 1872, jogos que nunca chegaram a ser reconhecidos oficialmente pela Fifa como confrontos entre seleções. Foi um 0 a 0 em Glasgow, em 1872, o jogo entre as equipes que ganhou o status de primeira partida internacional da história pela entidade.

De lá para cá, ingleses e escoceses passaram a se enfrentar anualmente, uma tradição que foi interrompida em pouquíssimas oportunidades, como durante as Guerras Mundiais. No histórico oficial do confronto, há equilíbrio: foram 48 vitórias inglesas, 41 escocesas e 24 empates. A tradição se encerrou no fim dos anos 80, quando o confronto começou a ficar mais raro. Enquanto isso, fora de campo, as relações estremeciam: a Escócia começou a clamar por sua independência do Reino Unido.

— É um casamento desgastado. A Escócia fez um referendo em 2014, em torno da saída do Reino Unido, e foi uma votação apertada. Há uma leva de escoceses que sempre foi contra a participação da Escócia no Reino Unido, muito por conta da origem celta — diz o professor de geografia Gustavo Fonseca, relembrando o referendo pela independência escocesa, realizado em 2014. A negativa à saída Reino Unido venceu com 55% dos votos.

Segundo ele, a chama separatista voltou a acender assim que o governo britânico colocou em pauta a saída do Reino Unido da União Europeia, o processo que ficou conhecido como Brexit. Após três anos e meio de discussões e negociações políticas, o parlamento britânico votou a favor da saída, que ocorreu oficialmente no ano passado. O processo irritou parte da população escocesa.

— Na Escócia, eles queriam a permanência. Isso gerou um distúrbio entre os escoceses e os ingleses, que queriam, em sua maioria, a saída. Em 2014, esse impulso pela saída foi freada pela votação democrática. O Brexit reacende essa discussão — diz Fonseca.

Premiê da Escócia, Nicola Sturgeon já anunciou que pretende levar à frente um novo referendo sobre a independência do país assim que a pandemia da Covid-19 for controlada. Os escoceses possuem um governo próprio e autonomia para além do Reino Unido desde os anos 90.

Intercâmbio de talentos

Em campo, a rivalidade se enfraqueceu com a disparidade de forças entre as seleções. A Inglaterra venceu sete dos últimos dez confrontos, com dois empates e uma vitória escocesa. O resultado adverso para os ingleses foi justamente nas eliminatórias para a Eurocopa de 2000. Don Hutchinson marcou o gol solitário da vitória escocesa por 1 a 0, que não foi suficiente pare reverter a vantagem de 2 a 0 construída pelos ingleses no primeiro jogo. O confronto teve uma série de confusões entre torcedores fora de campo.

A distância entre o nível das seleções reflete a disparidade entre as ligas nacionais. Os intercâmbios de sucesso costumam ocorrer do sentido escocês ao inglês, caso de Sir Alex Ferguson, ex-técnico e lenda do Manchester United, bem como Denis Law e Sir Kenny Dalglish, ídolos do United e do Liverpool.

Na atual seleção escocesa, 13 dos 26 convocados atuam no futebol inglês. Os destaques são os laterais Tierney e Andrew Robertson, de Arsenal e Liverpool, respectivamente, e o meia Scott McTominay, do Manchester United.

— Os jogadores têm que acreditar neles mesmo, esse é o primeiro critério. Estão jogando em um ótimo nível e muitos deles são companheiros de equipe dos jogadores da Inglaterra. Estão acostumados a vê-los em campo e disputar grandes jogos — diz o técnico Steve Clarke.

Na Inglaterra, a expectativa é pela volta do zagueiro Harry Maguire. Recuperado de lesão, há a possibilidade até mesmo de que ele comece entre os titulares. O técnico Gareth Southgate usou a entrevista coletiva para elogiar os rivais.

— Nunca estive envolvido em um time da Inglaterra que não respeitava a Escócia e não apreciava quão desafiadores os jogos seriam. Eles sabem a qualidade dos jogadores que estão enfrentando.

Como está o grupo D

A República Checa lidera após bater a própria Escócia por 2 a 0 na primeira rodada. Com os mesmos três pontos, a Inglaterra é vice-líder. Zeradas, Croácia e Escócia ocupam as últimas colocações.

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