Infraestrutura decepcionou em 2012

Principal aposta do governo federal para turbinar o crescimento econômico de 2012, o setor de infraestrutura não correspondeu às expectativas. Um termômetro da baixa atividade foi o volume de desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que até setembro havia recuado 9% no período de 12 meses - a reação no banco só deve aparecer em novembro, mas com efeito na economia em 2013.

Além dos problemas tradicionais, como licenciamento ambiental, greves e questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), os investimentos no setor foram impactados pela sequência de pacotes lançados pelo governo, nas áreas de rodovias, ferrovias e portos. Embora seja uma medida positiva, o País praticamente gastou um ano organizando esses setores para receber novos investimentos.

Na opinião de especialistas, as ações anunciadas agora apenas vão começar a virar realidade entre 2013 e 2014. Isso porque os empreendimentos ainda dependem da elaboração de projetos executivos, a exemplo das novas ferrovias anunciadas pelo governo. Nesse caso, a Vale está fazendo os projetos. Depois disso, virá a publicação de edital, que depende de aprovação do TCU. Por fim, o processo de licitação.

As primeiras concessões serão das rodovias federais BR-040 e BR-116, previstas para janeiro. As duas estradas esperam há mais de cinco anos para serem leiloadas. Somados aos demais trechos, em fase de elaboração de projetos, serão 7,5 mil km de estradas concedidas para a iniciativa privada. Neste ano, o governo só conseguiu leiloar um trecho de rodovia (BR-101) em janeiro e os aeroportos em fevereiro (Viracopos, Guarulhos e Brasília). No primeiro caso, a assinatura do contrato ficou parada quase todo ano por questionamentos de concorrentes.

Pelos dados da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os investimentos do setor neste ano vão crescer apenas 6% - o segundo pior resultado desde 2004 - no ano passado, os investimentos haviam crescido 2%. "Apenas uma parcela dos pacotes anunciados este ano deve ter reflexo em 2013. Ainda assim, esperamos um avanço de 10% no volume de investimentos", diz o presidente da Abdib, Paulo Godoy.

No setor elétrico, 57% dos empreendimentos de transmissão estão com atraso no cronograma. São 238 linhas e subestações com problemas ambientais e outros questionamentos. Entre esses projetos estão, por exemplo, as linhas que a estatal Chesf deveria entregar neste ano para início de operação dos parques eólicos no Nordeste. A empresa argumenta que não conseguiu licença ambiental para iniciar as obras - embora tenha demorado para pedir o licenciamento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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