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Infra Week de Trump virou 'semana da cortina de fumaça'

AMANDA LEMOS
·2 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Durante seu governo, Donald Trump também tentou fazer uma "semana de investimentos", que foram marcadas por entrevistas com declarações polêmicas sobre temas do momento, enquanto jornais classificavam seu plano como "uma piada duradoura". Ainda candidato, em 2016, Trump propôs um plano de até US$ 1 trilhão para alavancar a infraestrutura dos EUA. A ideia, que se arrastou ao longo de seu governo (2017-2020), era captar investimentos via venda de títulos públicos para atualizar rodovias, ferrovias, pontes e banda larga. Na primeira "Infrastructure Week", em junho de 2017, Trump acusou James Comey, diretor do FBI, demitido no mês anterior, de mentir durante um depoimento no Congresso sobre a investigação dos supostos vínculos de sua campanha com a Rússia. Protelado para agosto, o evento se transformou em uma entrevista à imprensa na qual o então presidente deu declarações polêmicas sobre atos de supremacia branca em Charlottesville, na Virgínia. Com o passar dos anos, Trump aumentava as cifras de arrecadação, mas as "Semanas de Investimentos" eram marcadas por polêmicas, uma espécie de "semana da cortina de fumaça" --e nada era captado. Em 2018, o governo aumentou o valor para US$ 1,5 trilhão para os dez anos seguintes, e Trump afirmou que "estimularia o maior e mais ousado investimento em infraestrutura da história americana", segundo o The New York Times. Em 2019, em um acordo com democratas, o valor do plano de infraestrutura subiu para US$ 2 trilhões. À época, o Times classificou o Infrastructure Week como uma "uma piada duradoura". O plano de Trump continuou se arrastando e, com a pandemia de Covid-19, a arrecadação de investimentos para rodovias e outros setores ficou de lado. Neste mês, a revista The Economist retomou o assunto com o avanço dos planos de Biden, que pretende gastar US$ 2 trilhões em oito anos com infraestrutura, e resumiu a "semana de investimentos" como um eufemismo para a "incompetência do governo Trump e os esforços para se distrair de seus escândalos".