Informalidade e produtividade, grandes desafios da América Latina para OIT

Genebra, 22 jan (EFE).- Uma elevada taxa de emprego informal e a previsível diminuição da produtividade são os dois principais desafios da América Latina em 2013, disse nesta segunda-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Apesar da região ter se recuperado mais rapidamente da crise econômica que atinge os Estados Unidos e Europa, seus dois principais mercados, o problema da informalidade é grande em vários países.

A taxa regional de 6,6% de desemprego, contra 5,9% de média mundial, esconde realidades como a da Bolívia, onde o emprego informal supera 80%, enquanto no Peru, Colômbia e Paraguai esta taxa é de mais 60%.

Embora o trabalho informal "seguiu diminuindo" na América Latina, ele se mantém como uma característica da região e em todos os países supera 40%, segundo o relatório "Tendências Mundiais do Emprego", que os responsáveis da OIT apresentaram em Genebra, na Suíça.

O diretor-executivo do setor de emprego da OIT, José Manuel Salazar-Xirinachs, destacou na apresentação que a região latino-americana mostrou uma enorme resistência nos três últimos anos, graças às medidas de estímulo fiscal implementadas pelos governos e aos altos preços das matérias-primas (petróleo e metais) nos mercados internacionais.

Essas condições permitiram que o número de trabalhadores pobres, com renda menor a US$ 2 por dia, diminuísse em alguns casos de maneira considerável.

O analista citou o Brasil, que conseguiu retirar boa parte de seus trabalhadores da precariedade graças às políticas sociais orientadas para este objetivo, ao aumento do salário mínimo e ao crescimento de sua economia em geral.

No entanto, a produtividade continua sendo um "calcanhar-de-aquiles" para os países latino-americanos, pois apesar da evolução positiva da economia regional, esse fator só melhorou "modestamente", segundo a análise da OIT.

As atuais condições internacionais fazem inclusive provável uma diminuição da produtividade, o que preocupa o organismo por se tratar de um fator "crucial para reduzir o número de trabalhadores pobres e o emprego vulnerável" na América Latina, comentou Salazar-Xirinachs.

Como exemplo desta tendência, o especialista mencionou que 16% do emprego na região corresponde à agricultura -setor com limitada produtividade- e que no setor industrial o emprego só subiu em sete dos 17 países analisados para a realização do relatório. EFE

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