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Influenciadoras digitais enfrentam críticas por posturas equivocadas nas redes sociais

·5 min de leitura

SÃO PAULO — A maquiagem carregada e uma peruca loura de fios lisos são a máscara de guerra do ator mineiro Ricardo Cubba, de 26 anos. Trata-se da caracterização da personagem "Blô" criada por ele para “colocar uma lente de aumento” sobre o comportamento de quem ganha a vida exibindo pedaços da rotina na internet, as influenciadoras digitais.

No perfil do Instagram da Blô — criado em abril deste ano e que acumula atualmente 21,3 mil seguidores — aparecem esquetes que ironizam ostentação de produtos, uso extremo de photoshop e também divulgação de cosméticos “milagrosos”. Tudo no departamento da ficção, é claro, mas com um pezinho no que se vê diariamente nas redes sociais.

— O que agrada as pessoas na personagem é a ironia. É engraçado, mas é trágico. Acho muito grave essa coisa de exibir nas redes uma vida perfeita que não existe — diz.

A personagem não está sozinha. Houve, recentemente, o surgimento de outros perfis e postagens dentro das próprias redes sociais que criticam comportamentos inadequados de quem acumula milhares seguidores online. Uma dessas novas páginas no Instagram é comandada pela farmacêutica Priscilla Rezende, também de Minas Gerais, e leva o sugestivo nome de "desin.fluencer". Ela explica que todo conteúdo que reposta são indicações de seus seguidores, inconformados com comportamentos de algumas celebridades digitais. Sua página acumula 154 mil seguidores.

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— Eu coloco posts em que há publicidade irregular, por exemplo, e os seguidores denunciam no Conar. Faço isso de graça, para a educação das pessoas — explica ela, em referência ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária.

Impacto do amadurecimento

Essa observação mais cautelosa do trabalho dos influenciadores digitais é fruto da profissionalização do ramo, apontam especialistas no mundo online. O país, por exemplo, lidera rankings globais de uso de redes sociais e de impacto dos influenciadores nas decisões de compra.

— Estamos num momento de maior letramento digital. Hoje entendemos melhor o trabalho das influenciadoras. Antes não estava claro como elas ganhavam dinheiro, mas agora a gente compreende melhor esse mercado. Com isso, houve também um efeito rebote: a cobrança por uma postura mais profissional — afirma Issaaf Karhawi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro “De Blogueira a Influenciadora”, da editora Sulina.

Em outra mão, esse incômodo com posturas equivocadas no universo online também é atribuído à presença dos jovens e adolescentes da Geração Z — nascidos na segunda metade dos anos 1990 até 2010 — no mundo digital. Uma pesquisa da consultoria de tendências de comportamento e consumo WGSN mostra incômodo para essa turma ao observar vidas inatingíveis na internet. Nessa geração, 40% dos usuários sentem-se "menos confiantes" ao acessar redes sociais. Outros 47% sentem pressão para perder peso.

— A Geração Z valoriza tudo o que é bruto e real. Um posicionamento espontâneo e natural, em vez de excessivamente pensado ou “photoshopado”, são as demandas para um consumidor que é crítico do vício das gerações anteriores à perfeição online — diz Liliah Angelini, especialista de tendências na WGSN.

Na procura pela tal espontaneidade no mundo virtual, novas marcas desprendem-se da ideia de que somente um grande volume de curtidas nas redes seria o suficiente para alavancar o marketing online de algum produto. É preciso que esse influenciador ofereça mais: pode ser um posicionamento político, a especialidade em algum tema ou um bom relacionamento com a sua comunidade.

Na Sallve, empresa especializada em cosméticos para cuidados com a pele, 75% dos influenciadores escolhidos para campanhas de parceria e divulgação tem até 50 mil seguidores. Ou seja, são considerados "pequenos" no ecossistema das redes.

A ideia da companhia é investir pesado em perfis que estejam começando, mas que obrigatoriamente tenham uma postura “positiva” nas redes. Quem, por exemplo, inventa polêmicas diversas para ganhar engajamento está longe da lista de selecionados para realizar publicidades com a marca.

— Há um tempo, essa vida de sonho (vendida pelos influenciadores), era quase um alívio na rotina das pessoas. Era quase um respiro. Durante algum tempo não foi opressor, mas depois passou a ser deprimente e opressivo — diz Julia Petit, sócia da Sallve e uma das pioneiras do mercado da beleza na internet.

Uma internet mais amigável

O novo movimento de questionar posturas nocivas nas redes sociais é comemorada por especialistas na área. Eles explicam que, com a pandemia da Covid-19, as pessoas ficaram em casa e com maior atenção ao que se passava dentro das telas dos smartphones. A crise que se estendeu por todo o mundo, rebatia nas redes como uma insatisfação com o que era visto. “Como é possível determinado influenciador esteja tão desconectado com a realidade?”, perguntavam os seguidores.

— Ao questionar esses comportamentos, abrimos espaço para que outros tipos de narrativas aparecessem nas redes. Pessoas com histórias e contextos de vida mais diversos, por exemplo. Surge, nesse sentido, influenciadores que entendam sua responsabilidade como o líder de uma comunidade — diz Bia Granja, fundadora da Youpix, uma consultoria de negócios digitais.

O grande trunfo nas mãos de quem acompanha as vidas de influenciadores — e não quer mais ser impactado por photoshop extremo ou falta de noção — é justamente escolher a dedo quem seguir e quais conteúdos merecem um curtidas. Trata-se de um trabalho de curadoria.

— As redes sociais impactam nossa vida mais do que conseguimos notar. Então, da próxima vez que você abrir o celular, tente investigar o que sentiu. Se você se sentiu mal, faça uma faxina e escolha páginas que vão te fazer sentir coisas boas, te elevar. Passamos muitas horas nas redes, então que elas sejam benéficas para nós — opina Daniela Arrais, sócia da Contente, uma plataforma para promover uma vida digital mais consciente.

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