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Influenciadora venceu dois cânceres de mama e agora espera o primeiro filho: ‘Recebo mais de 90 mensagens por dia’

·5 min de leitura

Aos 34 anos, Linda Rojas está com 35 semanas de gestação. Martin pode chegar em pleno Outubro Rosa — ele já deu um sustinho nos pais, que correram para a maternidade por um alarme falso —, mas o ideal é que nasça só no início de novembro, para que não seja prematuro. Muitos dos mais de 26 mil seguidores da influenciadora digital acompanham, não é de hoje, essa história. “Além de saber sobre as minhas superações, eles querem se alertar para a própria saúde, de corpo, mente e alma. Isso é muito bom!”, define a paulistana radicada no Rio, que passou por dois cânceres de mama na última década e criou o projeto “Uma linda janela” para troca de experiências por meio de palestras, consultorias e mídias sociais: “Recebo mais de 90 mensagens diretas por dia. E os textos são enormes! As pessoas estão carentes de falar sobre o câncer sem estereótipos, sem peso. A vida continua durante e depois da doença”.

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No registro

“Eu me chamo Linda por causa do meu pai. Ele era fã dos Beatles, e a mulher do Paul era Linda McCartney. Eu não gostava do nome, na época do colégio. Mas hoje, amo! Inclusive porque ele foi um grande diferencial para os médicos do SUS (Sistema Único de Saúde) se lembrarem do meu caso”.

O primeiro baque

“Com 24 anos, em 2012, fui diagnosticada com câncer de mama pela primeira vez. Eu tinha acabado de voltar de uma viagem romântica, e fui ao médico investigar um carocinho duro que senti na mama direita. Quando a gente faz o autoexame, geralmente consegue apalpar o tumor com 2 centímetros. O meu já estava quase com 7, bem grande. Foi uma surpresa e um aprendizado. Sempre me gabava de nunca ir ao médico, nunca ficar doente. Quando fiquei, era grave”.

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O tratamento

“Passei por uma cirurgia e tive um quadrante da mama direita retirada. Ela foi reconstruída, mas ficou menor que a outra. Pra mim, tudo bem. Eu era tão consciente de que precisava ficar curada, que entendia que o sacrifício estético era necessário. A quimioterapia foi o pior do tratamento, todo feito no hospital da UFRJ. Passei muito mal com os efeitos colaterais. Parecia um trapinho, de tão fraca. Depois de seis meses de químio, fiz 28 sessões de radioterapia. Enfrentei tudo com otimismo e esperança, de mãos dadas com Deus. Quando atravessei a faixa da reta final, foi um momento de muita alegria. Finalmente, o câncer tinha ficado para trás. Na minha cabeça, minha cota de sofrimento neste mundo tinha acabado, estava livre” .

Recidiva

“O quinto ano pós-diagnóstico é um marco importante para a paciente com câncer de mama. Em teoria, depois desse tempo, a probabilidade de a doença voltar é muito baixa. Então, eu aguardava ansiosa por 2017, também porque iria me casar. Estava muito feliz e esperançosa por essa nova etapa de vida. Casei em maio com o Caio (Caio Barreto, empresário carioca) e foi mágico, pela parceria que a gente construiu. Por coincidência, em julho, mesmo mês da descoberta do primeiro câncer e mês do meu aniversário, apalpei um novo nódulo no mesmo seio. Um novo exame comprovou que era uma recidiva, o câncer tinha voltado”.

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O desespero

“Nessa segunda vez, eu desabei por completo. Não era possível a vida ter me traído dessa forma! Eu cumpri tudo direitinho, fui resiliente, por que estava acontecendo de novo? Entrei em questionamentos legítimos: ‘Por que eu?’, ‘Eu sou uma pessoa ruim?, ‘Eu não mereço ser saudável e feliz?’. O lado científico responde: uma célula teve problemas em sua formação ali, de novo, e o organismo não combateu. Mas eu entrei numa imersão profunda de angústia, dor, tristeza. Sabia tudo o que estava por vir: quimioterapia de novo, meu cabelo caindo de novo, cirurgia de novo”.

Sem as duas mamas

“Decidi tirar as duas mamas totalmente, de forma preventiva. O mastologista me apoiou, e eu passei por uma adenomastectomia, em que só os mamilos permaneceram. Hoje, minhas mamas são pele e silicone. Para implantar a prótese no seio direito, que já estava mexida, foi preciso tirar pele e músculo das minhas costas, em 2017”.

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Autoestima

“A mudança física me incomodou muito. Falo sem tabu que, se o cabelo não caísse, o tratamento seria mais fácil. Engordei seis quilos. Olhava o rosto redondo e sem pelos no espelho, a libido baixa... Chorei muito, me frustrei, briguei com Deus, fiquei com raiva... Mas me reerguia a cada dia. Se me sentia muito feia, colocava a minha roupa preferida e maquiagem. Usei perucas, lenços e turbantes para ficar estilosa. Sempre tive muito apoio do Caio, meu marido, que dizia nem notar que eu estava careca. Para ele, sempre importou a minha essência”.

Maternidade

“Amo crianças, sempre quis ser mãe. Não tinha dinheiro nem tempo hábil para congelar óvulos, quando recebi a primeira notícia do câncer, mas adotar sempre foi, e ainda é, uma vontade. Durante todos os anos que fiquei tomando remédios, tive menopausa precoce. E a possibilidade de infertilidade era real. Em meados de 2020, quis interromper a medicação para tentar engravidar. Eu tinha seis meses para desintoxicar, pra não afetar o bebê. Logo no primeiro, voltei a menstruar. Foi rápido e emocionante como o corpo respondeu. Na primeira tentativa de fecundação, em março deste ano, aconteceu! É milagroso! Depois de duas químios afetando ovários, trompas e útero, tenho um bebê formadinho dentro de mim”.

Pós-parto

“Não posso nem devo amamentar, e estou muito bem resolvida com isso. Há fórmulas e alternativas. Um mês depois de Martin nascer, já tenho que voltar a tomar os remédios, pra não dar chance de o câncer voltar. Serão mais dois anos de medicação, para, se Deus quiser, poder comemorar de verdade. Antigamente, as pessoas se escondiam quando tinham câncer e o ligavam sempre à ideia de morte. Eu falo de vida, e de uma nova vida. Não é o fim. Quero que o meu exemplo traga esperança a outras mulheres de que nosso corpo é forte e que é possível recomeçar”.

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