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Influência de Trump sobre republicanos ameaçada por divergências

Steven T. Dennis e Jordan Fabian
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começa a perder a forte influência sobre congressistas republicanos diante da desvantagem em relação ao democrata Joe Biden nas pesquisas, o que torna o caminho do Partido Republicano para manter o controle do Senado cada vez mais tenso.

Os republicanos continuam a apoiar Trump onde seus principais interesses coincidem, como solidificar uma maioria conservadora na Suprema Corte ao confirmar rapidamente a juíza Amy Coney Barrett. Candidatos do Partido Republicano também estão ansiosos para promover cortes de impostos e desregulamentação sob o governo do presidente, temas de campanha antigos e anteriores a Trump.

Mas a maneira como o presidente dos EUA tem lidado com a pandemia de coronavírus e sua tentativa de forçar um acordo de estímulo com os democratas causam fraturas em um momento em que republicanos enfrentam perspectivas sombrias para a eleição em três semanas.

Todas as pesquisas nacionais recentes mostram Trump atrás de Biden na corrida presidencial - 10 pontos percentuais, segundo a média da RealClear Politics. Os republicanos têm poucas chances de vencer os democratas na Câmara dos Deputados e podem acabar perdendo mais assentos. O partido corre sério risco de perder sua maioria de 53 a 47 no Senado.

Críticas diretas e públicas a Trump ainda são raras. Candidatos do Partido Republicano precisam de sua base fervorosamente leal em uma eleição onde eleitores democratas estão motivados. No entanto, se não tentarem criar alguma distância com a Casa Branca, vincularão totalmente seus destinos a Trump.

“Acho que a maioria dos republicanos do Senado reconhecerá, privadamente, o que todo mundo parece saber: o presidente não vai conseguir a reeleição e eles vão ter que lidar com o presidente Biden”, disse o ex-senador republicano do Arizona, Jeff Flake, que se aposentou em 2018 depois que defensores de Trump se voltaram contra ele por criticar o presidente. “Ele colocou alguns dos meus ex-colegas em uma posição insustentável.”

Os movimentos erráticos de Trump sobre o estímulo em particular deixaram republicanos confusos, pois já estavam divididos sobre o tamanho do pacote em negociação com a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e democratas.

Primeiro, o presidente ordenou a suspensão das negociações até as eleições, o que colocou em perigo a reeleição da senadora republicana Susan Collins, que rapidamente chamou a decisão de “grande erro”. Dias depois, Trump exigia um grande pacote.

Mas quando o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, apresentaram uma proposta de US$ 1,8 trilhão do governo para as negociações com Pelosi, muitos republicanos do Senado recusaram.

Trump enfraqueceu os republicanos novamente na terça-feira com um tuíte, logo depois do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, ter anunciado planos para a votação de uma pequena parte da legislação de estímulo.

A decisão de McConnell de votar um projeto de estímulo menor, apenas republicano, é uma medida de desafio após o pedido repetido de Trump por um grande pacote pré-eleitoral, embora ele culpe Pelosi pelo fracasso em chegar a um acordo.

Muitos republicanos estão cientes de que Trump pode puxar o tapete deles a qualquer momento. Também estão preocupados que o presidente possa ser ainda mais imprevisível nas negociações de estímulo à medida que a eleição se aproxima, de acordo com uma pessoa a par das conversas entre congressistas e assessores.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Matthews, disse que Trump “continua focado em salvar empregos dos trabalhadores das companhias aéreas e fornecer ajuda aos americanos que ficaram desempregados sem ter culpa”. Matthews disse que Pelosi e democratas estavam bloqueando ações de combate à pandemia “por causa das próximas eleições”.

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