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Inflação volta a subir após três meses de queda no Brasil

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.04.2022 - Movimentação de consumidores no supermercado Chama, em Itaquera, zona leste de São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.04.2022 - Movimentação de consumidores no supermercado Chama, em Itaquera, zona leste de São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após três meses consecutivos de deflação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) voltou a subir em outubro, informou nesta quinta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O indicador oficial de inflação do país teve alta de 0,59% no mês passado. A taxa ficou acima das projeções de analistas consultados pela agência Bloomberg, que esperavam avanço de 0,49%.

O novo resultado veio após quedas de 0,29% em setembro, de 0,36% em agosto e de 0,68% em julho.

Em 12 meses, o IPCA passou a acumular alta de 6,47% até outubro, apontou o IBGE. O avanço era de 7,17% até setembro.

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 8 tiveram alta em outubro. A maior contribuição do mês, de 0,16 ponto percentual, veio de alimentação e bebidas (0,72%), que havia recuado 0,51% em setembro.

Na sequência, vieram saúde e cuidados pessoais (1,16%) e transportes (0,58%), com impactos de 0,15 ponto percentual e 0,12 ponto percentual, respectivamente.

Juntos, os três grupos responderam por cerca de 73% do IPCA de outubro. A maior variação do mês foi do grupo vestuário: 1,22%.

Para tentar conter a carestia no ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) apostou em cortes de impostos.

Nesse sentido, Bolsonaro sancionou em junho o teto para cobrança de ICMS (tributo estadual) sobre combustíveis, entre outros itens. A medida veio acompanhada pela redução dos preços praticados nas refinarias da Petrobras.

Em conjunto, os dois fatores levaram os combustíveis para baixo, o que puxou a deflação do IPCA às vésperas das eleições. A trégua nas bombas dos postos, contudo, agora dá sinais de esgotamento.

A inflação elevada afetou produtos sensíveis ao bolso dos brasileiros mais pobres, como os alimentos, e serviu como munição para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista venceu Bolsonaro no segundo turno das eleições.

Mesmo com o recente alívio no acumulado de 12 meses, o IPCA caminha para estourar a meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) pelo segundo ano consecutivo.

O mercado financeiro projeta alta de 5,63% até dezembro, conforme a mediana do boletim Focus divulgado na segunda (7) pelo BC. O centro da meta é de 3,50% em 2022. O teto é de 5%.

Para 2023, a estimativa do Focus sinaliza IPCA de 4,94%. O mercado ainda aguarda a montagem da equipe econômica de Lula para avaliar os possíveis rumos do novo governo a partir do próximo ano.

Na visão de analistas, um dos principais desafios petistas será conciliar responsabilidade fiscal com pagamento de benefícios sociais prometidos durante a campanha, incluindo a manutenção do valor mínimo de R$ 600 do Auxílio Brasil, que deve ser rebatizado como Bolsa Família.