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Inflação prejudica retomada do setor de serviços, que recua 0,6% em setembro

·4 min de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 24-04-2021: Movimento em bar que fica na rua Aspicuelta, na Vila Madalena. Paulistanos aproveitam a reabertura de bares e restaurantes, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 24-04-2021: Movimento em bar que fica na rua Aspicuelta, na Vila Madalena. Paulistanos aproveitam a reabertura de bares e restaurantes, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O volume do setor de serviços no Brasil contrariou projeções de analistas e teve queda de 0,6% em setembro, na comparação com agosto, informou nesta sexta-feira (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foi a primeira baixa do setor após cinco meses de crescimento. Em relação a setembro de 2020, quando a pandemia provocava mais restrições a atividades econômicas, houve alta de 11,4%.

Os resultados vieram abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam avanço de 0,5% no mês e de 13,5% na comparação anual.

Segundo o IBGE, quatro das cinco atividades investigadas pela pesquisa tiveram baixa em setembro, frente a agosto. O destaque negativo ocorreu no ramo de transportes (-1,9%).

De acordo com Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, esse resultado decorreu da queda no transporte aéreo de passageiros, devido à alta de 28,19% no preço das passagens aéreas, e das baixas no transporte rodoviário e ferroviário de cargas.

As demais atividades que recuaram no período foram outros serviços (-4,7%), informação e comunicação (-0,9%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%).

Segundo Lobo, a inflação ainda não afeta tanto o setor de serviços como um todo, na comparação com segmentos como a indústria e o comércio.

A alta dos preços de serviços, frisou Lobo, ainda é menor do que a inflação de maneira geral e mais concentrada em itens específicos, como as passagens aéreas.

Contudo, a partir da retomada dos serviços prestados às famílias, como bares, restaurantes e hotéis, o efeito inflacionário pode abalar a recuperação do setor, de acordo com o analista. Ou seja, o avanço dos preços pode virar um desafio maior nos próximos meses.

A atividade de serviços prestados às famílias (1,3%) foi a única a avançar na passagem de agosto para setembro, mas ainda está 16,2% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

As empresas desse segmento foram afetadas em cheio pelas restrições na crise sanitária, o que dificultou os repasses para os preços.

O ramo de serviços prestados às famílias sentiu o baque porque reúne negócios que dependem da circulação de pessoas e do contato direto com clientes.

Com a vacinação contra a Covid-19, as restrições ficaram menores, e há um estímulo a essas empresas. A possibilidade de demanda maior também pode resultar em uma inflação mais alta.

"A pressão inflacionária pode vir a trazer algum tipo de consequência negativa aos serviços prestados às famílias", disse Lobo.

Segundo o IBGE, mesmo com a queda em setembro, o setor de serviços como um todo ainda acumula alta de 11,4% neste ano. No período de 12 meses, o avanço é de 6,8%.

O setor está 3,7% acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro do ano passado. Em agosto de 2021, a diferença frente ao pré-crise era maior, de 4,3%.

Conforme Lobo, a recente sequência de altas acabou elevando a base de comparação, o que também ajuda a explicar a perda de ritmo de parte das atividades em setembro.

O economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, reconhece que o desempenho de serviços decepcionou no nono mês deste ano, mas ele ainda não vê uma grande reversão no cenário para o setor.

Segundo ele, o volume de serviços tem espaço para voltar a crescer até o final do ano, no embalo da vacinação contra a Covid-19, mas em um nível menor do que o esperado antes.

Agora, Agostini projeta alta de 10,9% no volume em 2021. Antes da divulgação do resultado de setembro, a previsão era superior, de 11,2%.

"O setor de serviços tem condições de voltar a crescer, com o avanço da vacinação, mas em um ritmo menor, por conta do aumento de custos", diz Agostini.

"Com preços maiores, a tendência é de menos gente indo a locais como cinema e teatro. Por isso, o ritmo de crescimento é mais baixo."

O índice de atividades turísticas, por sua vez, avançou 0,8% no país em setembro, na comparação com agosto, informou o IBGE nesta sexta-feira. Foi a quinta taxa positiva em sequência, e o ganho acumulado no período chegou a 49,9%.

Apesar do resultado, o segmento de turismo ainda está 20,4% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

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