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Inflação prejudica crescimento e amplia desafio do Banco Central

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(Bloomberg) -- O fraco desempenho dos setores de varejo e serviços mostram que a escalada da inflação está prejudicando a economia ao reduzir o poder de compra dos consumidores. Para alguns analistas, o país já corre o risco de estagflação, situação que coloca o Banco Central numa berlinda: ter de subir ainda mais os juros para segurar a alta dos preços mesmo quando o mercado reduz as previsões para o PIB.

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O volume do setor de serviços, que supostamente seria beneficiado pelo alívio da pandemia, inesperadamente recuou 0,6% em setembro na comparação mensal, contra estimativa de alta de +0,5%. O resultado fez o JPMorgan reduzir a estimativa para o PIB em 2021 de 5,0% para 4,8%.

Na quinta-feira, a surpresa negativa veio com as vendas no varejo do mesmo mês, que caíram 1,3%, pior do que a projeção de baixa de -0,6%.

A precificação de alta da Selic no Copom de dezembro, que na quarta-feira estava quase em 200 pontos, agora ronda os 185 pontos -- acima do aumento de 1,5 pp sinalizado pelo BC.

Veja o que dizem os analistas:

Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs

  • Momentaneamente, há risco de estagflação, com alta inflação e muito baixo crescimento, se houver algum, em 2022

  • A aceleração da inflação está começando a corroer a renda real disponível

  • BC deve levar em conta os dados mais fracos de atividade, mas a realidade é que a alta dos preços por si só é uma força recessiva e não existe trade-off entre inflação e crescimento

  • “Se você não combate a inflação porque você está preocupado com a economia, é garantido que a inflação vai destruir a economia”

Sergio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital

  • Atividade fraca e inflação alta ao mesmo tempo é uma situação desafiadora para o BC, que deve manter o ritmo de alta de 1,5pp da Selic

  • “Lidar com inflação alta e crescimento baixo é o pesadelo de qualquer Banco Central”

Mariam Dayoub, economista da Grimper Capital

  • Fator chave é a inflação “arrasando poder de compra das famílias”

  • Aumento de incertezas e queda da confiança no país reduz ímpeto para gastar; mais à frente, já começaremos a ter efeitos dos juros

  • País já vive estagflação, porque crescimento deste ano é basicamente o carregamento estatístico

Marcos Ross, economista-chefe do Banco Haitong

  • Inflação muito alta está limitando o poder de compra dos consumidores e a desaceleração industrial está muito rápida, já contaminando alguns setores de serviços, tais como transporte terrestre e armazenagem

  • Já existe algum efeito de política monetária mais restritiva sobre a economia, mas esse efeito ainda é preliminar

  • “Ainda existe a chance do BC optar por acelerar, mas acredito que o plano de voo de 1.5pp por reunião ficará mais claro para o mercado quando a inflação começar a ceder mais rapidamente no começo do ano”

Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos

  • Com o desemprego elevado, era questão de tempo para a economia perder dinamismo, ainda mais com a alta recente da inflação corroendo o poder de compra das famílias

  • Há um claro viés de um número modesto para o PIB do terceiro trimestre, perto de zero; se confirmada essa percepção, projeção deste ano será revisada de 5,0% para 4,8%

  • Para o ano que vem, estimativa é de zero de crescimento, mas as chances de uma leitura negativa estão crescendo

  • Brasil não deve entrar em estagflação, pois com o enfraquecimento da atividade, desemprego alto e hiato aberto, a inflação deverá desacelerar

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