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Inflação nos EUA sobe menos e pode aliviar pressão sobre juros

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A inflação nos Estados Unidos acumulada em 12 meses até outubro aumentou 7,7%, informou o governo americano nesta quinta-feira (10). Esse número representa um crescimento menor do custo de vida do que o registrado no mês passado e revela uma desaceleração constante nos últimos meses. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam que a alta seria de 7,9%.

Até setembro, o índice de preços ao consumidor americano acumulava alta de 8,2% em 12 meses, depois de ter subido 8,3% em agosto e ter atingido um pico de 9,1% em junho, que foi o maior avanço do custo de vida desde novembro de 1981. Esses patamares, porém, ainda são muito superiores à meta de 2% para a inflação anual do país.

Na comparação mensal com setembro, o índice de preços subiu 0,4% em outubro, mesmo ritmo do mês anterior.

Também houve desaceleração na inflação do núcleo do índice, que exclui os preços de energia e alimentos porque são considerados muito voláteis para permitir uma avaliação mais precisa da situação.

O núcleo mostrou que a inflação acumulada em 12 meses subiu 6,3% em outubro, abaixo dos 6,6% em setembro, que foi o maior aumento desde agosto de 1982.

Na abertura dos mercados de ações em Nova York, o índice Nasdaq disparava mais de 4,5%. Esse segmento possui muitas empresas do setor de tecnologia com grande potencial de crescimento, mas que dependem de juros baixos para isso. O indicador parâmetro do mercado americano, o S&P 500, saltava quase 4%.

"Os dados de hoje são um indicador importante sobre a próxima decisão do Fed, que deve desacelerar as altas de juros", comentou Beto Saadia, economista e sócio da BRA BS.

É a necessidade de lidar com a maior inflação em 40 anos que vem forçando o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) a aplicar uma alta de juros histórica, principal causa para que a Bolsa americana já tenha recuado cerca de 20% neste ano.

No início deste mês, a autoridade monetária ampliou os juros de referência do país pela sexta vez em 2022, sendo o quarto aumento seguido de 0,75 ponto percentual. A taxa está atualmente em patamar entre 3,75% e 4% ao ano.

Jerome Powell, presidente do Fed, disse ao divulgar a taxa neste mês que "será apropriado reduzir o ritmo do aumento [dos juros]" em breve, mas destacou que o mercado de trabalho aquecido e, principalmente, a persistente alta da inflação obriga a autoridade a "manter a política restritiva [juros elevados] por algum tempo", comentou.

O ritmo de aceleração dos juros é o mais rápido no país em mais de quatro décadas e, além disso, antes de junho deste ano, a última vez que a taxa tinha subido em 0,75 ponto foi em 1994.

"Vamos manter o curso até que o trabalho esteja feito", afirmou Powell, ao reforçar que o objetivo é retornar à inflação de 2% ao ano.

Tornar o crédito mais caro é a maneira mais impactante adotada pela autoridade monetária para retirar dinheiro de circulação.

Essa é normalmente a principal medida adotada por bancos centrais na tentativa de frear a inflação que avança em diversas partes do mundo.

A aceleração dos preços em escala global teve início neste ano ainda como reflexo das falhas no abastecimento provocadas pela pandemia, problema que se agravou com a Guerra da Ucrânia.

Nos Estados Unidos, o comitê responsável pela política monetária do Fed, mais conhecido pela sigla Fomc, vem aprovando elevações da taxa do banco central desde março, quando o indicador estava praticamente zerado.

Existe o receio, porém, de que o custo desse aperto monetário será uma grave desaceleração da atividade econômica em escala mundial.

Entre os efeitos de uma recessão estão a ausência de crescimento das empresas, aumento consistente do desemprego e queda exagerada do consumo.