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Inflação no Brasil deixa até milionário 'menos rico'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - ​Uma senhora de 65 anos de Várzea Paulista, cidade a 58 quilômetros de São Paulo, foi contemplada com R$ 1 milhão no final de junho. De origem humilde, mal acreditou que havia se tornado milionária bem no mês do seu aniversário, com a chance de comprar duas casas novas: uma para ela e o filho e a outra para a filha.

O nome da moradora é guardado em sigilo pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, responsável por sortear, todo mês, R$ 1 milhão a contribuintes cadastrados no programa Nota Fiscal Paulista.

Outro programa, da Prefeitura de São Paulo, o Nota do Milhão, também sorteia, todo mês, R$ 1 milhão aos contribuintes que pedem nota fiscal de serviços na cidade. No último dia 5, o contemplado foi um morador do Campo Belo, zona sul da capital.

A moradora de Várzea Paulista e o morador do Campo Belo certamente estão satisfeitos de se tornarem milionários em meio a uma das piores crises econômicas e sociais do país. Mas a inflação na casa dos dois dígitos não dará a nenhum dos dois o gostinho de ser um milionário como há dez ou mesmo cinco anos. No Brasil de 2022, R$ 1 milhão compra menos em patrimônio.

"O dinheiro muda de valor com o tempo. O poder de compra varia de maneira acentuada a cada cinco anos, em especial neste momento de inflação em alta", diz a professora de finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas), Myrian Lund.

O aumento dos preços corrói a renda até de quem é milionário: há dez anos, com R$ 1 milhão, era possível comprar, por exemplo, uma cobertura de 148 m² com três dormitórios na Saúde, bairro da zona sul de São Paulo, e ainda deixar um BMW 118i 2.0 automático na garagem. Hoje, com o mesmo dinheiro, compra-se um apartamento de 65 m² e dois dormitórios na Vila Mariana, também na zona sul da capital, com vaga para um Chevrolet Onix 1.0 câmbio manual.

'DONO DE R$ 1 MILHÃO NÃO PODE PARAR DE TRABALHAR'

Segundo Myrian Lund, juntar dinheiro não tem sido uma tarefa trivial. "Já foi no passado e muita gente ainda fica com esta lembrança, do que os pais ou avós fizeram para construir ou aumentar o patrimônio", afirma.

"Nos anos 1990, por exemplo, ganhava-se 20% acima da inflação real. Por isso, todo mundo deixava o dinheiro na poupança", diz. "Naquela época, quem vendesse um imóvel de R$ 1 milhão conseguiria sacar, todo ano, R$ 200 mil, sem mexer no patrimônio". Ou seja, era possível viver de renda, ganhando cerca de R$ 16 mil ao mês.

"Hoje, quem tem R$ 1 milhão não pode parar de trabalhar", afirma Myrian, mestre em gestão empresarial com especialização em finanças e planejadora financeira certificada pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro).

Ela aponta como a melhor aplicação a que paga inflação mais juros, como o IMA-B (formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA), que nos últimos dez anos apresentou uma rentabilidade de 172%. "Hoje se você aplica R$ 1 milhão em um título público, que renda inflação mais 6% ao ano, vai receber R$ 60 mil no ano. Vai viver com R$ 5.000 por mês, bem abaixo do padrão de vida esperado para um milionário", diz.

A especialista destaca que, para quem não está acostumado a lidar com dinheiro e não tem um imóvel, a compra da casa própria ainda é uma garantia. "Se tem R$ 1 milhão na mão e não tem imóvel, compre um", diz Myrian. "No futuro, você pode vender e morar em uma cidade do interior, no caso de quem vive nas capitais, onde o custo de vida é muito maior."

O preço para ter uma casa própria cresceu, uma vez que os custos da construção contribuíram para o aumento do valor final dos imóveis. De 2017 até o primeiro semestre deste ano, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) acumula alta de 49%.

Segundo Cyro Naufel, diretor institucional da corretora Lopes, as empresas ainda não repassaram toda essa alta, porque a renda do brasileiro não teve igual crescimento. "Ainda há espaço para mais aumentos porque o preço está represado, não porque a região vai se valorizar", diz.

Este é um dos principais cuidados que um comprador de imóvel novo deve tomar neste momento de alta da inflação, diz Alison Oliveira, coordenador do índice FipeZap, indicador que acompanha os preços de imóveis residenciais e comerciais em 50 grandes cidades do país.

"Se o imóvel está acima do preço de mercado, vai desvalorizar com o passar do tempo", diz o executivo. Nos últimos dez anos, o ranking do metro quadrado mais caro do país permaneceu o mesmo, com os bairros cariocas Leblon, Ipanema e Lagoa liderando, seguidos pelo paulistano Itaim Bibi.

Segundo Oliveira, os bairros do Rio, todos na zona sul da cidade, são tradicionalmente os mais valorizados por estarem entre o mar e a lagoa. "Essa limitação do espaço físico, além da topografia, com muitos morros e montanhas, acaba encarecendo o metro quadrado", afirma. Ainda assim, o mercado imobiliário carioca sentiu o baque da crise na Petrobras e o metro quadrado da Lagoa e Ipanema valem menos hoje do que em 2017, diz.

Já em São Paulo, o Itaim Bibi se destaca por ser o centro financeiro da capital, com muitos bancos e empresas com sede na região. Os imóveis acompanham a toada: um apartamento compacto de 34 m² está à venda por R$ 1 milhão no Itaim, informa a Lopes.

QUEM GASTA R$ 6.000 AO MÊS PODE VER PATRIMÔNIO ACABAR ANTES DE MORRER

Na opinião de Renato Breia, sócio da casa de análise de investimentos Nord Research, "carregar" um ativo que não valoriza acima da inflação, como é o caso dos imóveis, não é uma boa opção. De acordo com o índice FipeZap, a valorização dos imóveis em junho é de 0,47%, enquanto o IPCA subiu 0,67%.

O economista, que administra a Nord Wealth, braço de gestão patrimonial da Nord Research, afirma que tudo depende dos objetivos do investidor. "Se aos 60 anos, ele quisesse investir R$ 1 milhão para preservar o patrimônio e ainda ter uma renda para viver até os 95 anos, poderia ter retiradas de R$ 3.994 ao mês", diz ele. "Mas se esta retirada subisse para R$ 6.000, o patrimônio dele acabaria aos 83 anos."

Já o engenheiro Leonardo Azevedo, presidente da Apê11 –plataforma de compra e venda de imóveis, que pertence ao banco Santander–, defende que o imóvel pode servir como aposentadoria e para proteger o dono da inflação.

A pedido da reportagem, Azevedo apontou exemplos de imóveis lançados em 2012 e 2017 na faixa de R$ 1 milhão e que hoje, segundo ele, tiveram valorização: a cobertura de 148 m² e 3 dormitórios no bairro da Saúde, em São Paulo, por exemplo, foi vendida por R$ 1,091 milhão e hoje vale entre R$ 1,7 milhão e R$ 1,8 milhão.

Já o apartamento de 71 m² e 2 dormitórios em Moema teve preço de lançamento de R$ 940 mil e hoje está estimado entre R$ 1,25 milhão e R$ 1,3 milhão.

"Quando um imóvel passa ao mercado secundário, não é mais novo, existe sempre algo de subjetivo no preço, que acaba sendo regulado por outros imóveis à venda no mesmo empreendimento", diz Azevedo. "Mas apartamentos de dois dormitórios e uma vaga são como pão quente: sempre vai ter demanda."

O executivo concorda, porém, que, em valores absolutos, a dívida contraída para se comprar um imóvel é maior hoje do que há dez anos, uma vez que a renda não subiu na mesma proporção. "Mas imóvel não é como carro, que só deprecia."

SEM DINHEIRO PARA O CARRO HÍBRIDO NA GARAGEM

Myrian Lund, professora da FGV, afirma que, se alguém ganhasse R$ 1 milhão hoje, ela iria indicar que a pessoa reservasse 10%, ou R$ 100 mil, para "uma pequena loucura", como comprar um carro caro.

Mas com este capital o novo milionário não conseguiria colocar um carro elétrico na garagem, uma vez que os preços desta categoria de automóvel no Brasil giram em torno de R$ 140 mil.

Conforme dados da Tabela Fipe, em 2012, era possível colocar um BMW 118i 2.0 automático zero quilômetro na garagem por R$ 100 mil. Mas hoje, com este capital, o que se pode comprar é um Chevrolet Onix 1.0 manual.

Não por acaso, o equivalente a um carro popular hoje é vendido por R$ 70 mil no Brasil. Segundo a consultoria Bright, o tíquete médio atual dos veículos novos vendidos no país foi de R$ 110 mil em dezembro de 2021, uma alta de 30% em 12 meses.

Escassez global de peças e componentes, adaptações nos veículos para atender novas exigências ambientais para redução de emissão de poluentes e ruídos, assim como para aumentar a segurança, além da desvalorização do real explicam a disparada nos preços.

Myrian Lund acredita que, com a disparada da inflação, os pais precisam abandonar a ideia de acumular patrimônio para deixar algo para os filhos. "Mas eu digo que a maior preocupação deles hoje deve ser não dar trabalho para os filhos, e manter a independência financeira até o fim da vida."

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