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Inflação na zona do euro tem novo recorde e reforça expectativa de alta maior dos juros

Supermercado em Berlim

FRANKFURT (Reuters) - A inflação da zona do euro atingiu mais um recorde em junho com o aumento das pressões sobre os preços, e o pico ainda pode estar a meses de distância, o que reforça os argumentos a favor de um rápido aumento dos juros pelo Banco Central Europeu a partir deste mês.

O aumento anual dos preços ao consumidor nos 19 países que compartilham o euro acelerou para 8,6% de 8,1%, disse a Eurostat nesta sexta-feira, acima das expectativas de 8,4% e impulsionado principalmente pelos preços da energia, além de alimentos e serviços.

A inflação tem aumentado constantemente há mais de um ano, inicialmente alimentada por choques de oferta pós-pandemia e agora pelos preços da energia como consequência da guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Mais de quatro vezes a meta de 2% do BCE, a inflação está tão alta que corre o risco de ficar em níveis desconfortáveis à medida que as empresas e os trabalhadores ajustam seus preços e comportamentos salariais à nova realidade.

Mesmo que os preços voláteis dos alimentos e dos combustíveis sejam retirados, o núcleo da inflação permaneceu bem acima da meta do BCE, uma leitura preocupante para as autoridades de política monetária já que sugere a perpetuação do crescimento dos preços através dos chamados efeitos de segunda ordem.

A inflação excluindo alimentos e combustíveis acelerou de 4,4% para 4,6%, embora uma medida ainda mais restrita, que também exclui álcool e tabaco, tenha desacelerado de 3,8% para 3,7%

Os preços dos combustíveis subiram 41,9% em junho, enquanto os custos dos alimentos aumentaram 11,1%, uma preocupação especial dos governos porque as famílias de menor renda gastam uma parcela desproporcional de seu dinheiro com esses itens

Atrás de seus pares há muitos meses, o BCE começará a aumentar os juros este mês, inicialmente em 0,25 ponto percentual, mas os dados desta sexta-feira reforçam o argumento para um movimento maior, de 0,50 ponto, em setembro.

Os juros continuarão então a subir, embora as autoridades discordem sobre o quanto mais será necessário à medida que o crescimento desacelera e as ameaças de cortes no fornecimento de gás aumentam a perspectiva de uma recessão

(Reportagem de Balazs Koranyi)

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