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Inflação na Turquia dispara para 70% e deixa Erdogan em situação difícil

Açougue em Ancara

Por Daren Butler e Ali Kucukgocmen

ISTAMBUL (Reuters) - A inflação anual da Turquia saltou para uma máxima de duas décadas de 69,97% em abril, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, alimentada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia e pelo aumento dos preços da energia e das commodities.

O aumento dos preços tem pressionou fortemente as famílias pouco mais de um ano antes das eleições presidenciais e parlamentares, que podem acabar com o longo domínio do presidente Tayyip Erdogan.

Erdogan chegou ao poder como primeiro-ministro em 2003 antes de mudar o país para um sistema presidencial, e os cortes pouco ortodoxos na taxa de juros feitos no ano passado sob pressão dele foram considerados o motivo de a inflação ter disparado.

Na comparação mensal, os preços ao consumidor subiram 7,25%, disse o Instituto Turco de Estatística, em comparação com expectativa em pesquisa da Reuters de 6%. A projeção para a alta de preços na base anual era de 68%.

"Trata-se do aumento dos preços de alimentos e energia, mas também do espetacular fracasso da política monetária na Turquia - e trata-se do total fracasso da política monetária pouco ortodoxa de Erdogan", disse o estrategista Timothy Ash, da Bluebay Asset Management.

A queda da lira no ano passado foi desencadeada por um ciclo de afrouxamento monetário de 500 pontos básicos que começou em setembro passado sob pressão de Erdogan, provocando o aumento sustentado dos preços ao consumidor que foi alimentado pelas consequências da invasão da Rússia na Ucrânia.

O aumento dos preços ao consumidor foi impulsionado por um salto de 105,9% no setor de transportes, que inclui os preços da energia, e um salto de 89,1% nos preços de alimentos e bebidas não-alcoólicas, mostraram os dados.

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