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Inflação do idoso tende a terminar 2020 acima da média, diz economista da FGV

Alessandra Saraiva
·3 minutos de leitura

Segundo André Braz, da Fundação Getulio Vargas, o Índice de Preços ao Consumidor - Terceira Idade (Ipc-3i) será puxado por aumentos nos preços de medicamentos A inflação do idoso deve terminar o ano em patamar acima da média de preços percebida por todas as faixas etárias, puxada por aumentos nos preços de medicamentos ao longo de 2020. O alerta partiu de André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao falar sobre a evolução do Índice de Preços ao Consumidor - Terceira Idade (Ipc-3i), que apura a percepção de preços entre famílias compostas majoritariamente por indivíduos acima de 60 anos. A variação do IPC-3i passou de -0,03% para 1,93% entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano — acima do observado no Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que abrange todas as faixas etárias e encerrou o terceiro trimestre em alta de 1,85%. Com o avanço no terceiro trimestre, o IPC-3i acumula alta de 4% em 12 meses, também acima do IPC-BR para o mesmo período (3,62%). Alimentos, passagens aéreas e gasolina mais caros Ao detalhar a evolução dos dois indicadores, Braz explicou que tanto o IPC-3i quanto o IPC-BR sofreram impactos de alimentos, passagens aéreas e gasolina mais caros. No caso do IPC-3i, entre o segundo e o terceiro trimestres, a inflação no grupo Alimentação acelerou de 2,16% para 2,74%; a variação de passagem aérea, por sua vez, passou de -19,11% para 49,67%; e a variação de gasolina passou de -10,55% para 8,64%. Como os pesos desses itens são parecidos no IPC-BR e no IPC-3i, o impacto dessas elevações de preços foi similar nos dois indicadores. "Como tivemos uma 'parada' do setor aéreo, por causa da pandemia, os preços das passagens estão recuperando o que perderam", explicou o economista. Ele lembrou, ainda, que o movimento de alimentos em alta tem sido contínuo desde o início da pandemia, em meados de março. Já os preços da gasolina são influenciados por reajustes de preços promovidos pela Petrobras, acrescentou. Medicamentos Na prática, o "fiel da balança" no orçamento do idoso, segundo Braz, foi o comportamento de preços em medicamentos. A inflação dos remédios passou de 0,9% para 1,4% entre o segundo e o terceiro trimestres, afirmou o economista. Medicamentos, sozinhos, representam 4,9% do IPC-3i, sendo que esses produtos, no IPC-BR, têm peso de 3,5%. Ou seja, na prática, o idoso sentiu mais a elevação expressiva de remédios, por esse item ser mais importante em sua cesta orçamentária. Braz comentou que a inflação em 12 meses de medicamentos acumula alta de 2,09% até o terceiro trimestre. Para o especialista, o IPC-3i não tem muito espaço para recuos até o fim do ano. Ele comentou que, com os sinais de reabertura gradual da economia nas principais capitais, há mais possibilidades de altas de preços rondando o indicador. "Não podemos apostar que a taxa do IPC-3i se mantenha novamente próxima a 2% no quarto trimestre", disse. "Mas acho difícil diminuir essa distância de quase 0,4 ponto percentual entre a taxa acumulada em 12 meses do IPC-BR e do IPC-3i até o fim do ano", completou ele. "Creio que a inflação do idoso deve terminar acima da média [do IPC-BR ]", finalizou o especialista.