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Inflação global será mais alta e persistente do que as previsões, diz Mohamed El-Erian

·2 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O rearranjo da cadeia global de suprimentos como resposta à pandemia deve provocar uma inflação nos países desenvolvidos mais alta e mais persistente do que as previsões, com possíveis implicações bastante negativas para os preços dos ativos de maior risco no mercado financeiro global.

A previsão é de Mohamed El-Erian, consultor econômico chefe da Allianz e ex-presidente da gestora de recursos Pimco.

Segundo o especialista, a inflação causada pelos gargalos do lado da oferta deve seguir presente ainda por mais um bom tempo, na medida em que as restrições de mobilidade geradas pelo coronavírus levaram à uma busca das empresas por cadeias de suprimentos de caráter mais local.

"As empresas estão buscando mais resiliência, no lugar da eficiência", afirmou El-Erian, durante evento do banco de investimento Bradesco BBI nesta quinta-feira (17).

Neste contexto de uma nova organização do comércio global, que ainda está em curso, a visão quanto à temporalidade da inflação, defendida por parte do mercado, não é compartilhada pelo especialista.

"Teremos uma inflação bem acima do previsto pelos economistas e pelos bancos centrais no ano que vem", afirmou El-Erian.

Ele disse que já há evidências suficientes quanto a mudanças permanentes no comportamento de indivíduos e empresas por conta da pandemia, que têm sido as maiores responsáveis pela inflação atual e que essas alterações continuarão presentes no cenário.

O risco de o Federal Reserve (banco central dos EUA) ter de elevar a taxa de juros americana em ritmo acima do previsto é, portanto, um ponto de atenção que precisa estar no radar dos investidores, assinalou o especialista.

El-Erian disse que a maior parte dos bancos centrais nos países desenvolvidos está cada vez mais atrasada no processo de alta dos juros para controlar a inflação e as expectativas dos agentes financeiros.

"Os mercados foram completamente distorcidos pelos anos de intervenção dos bancos centrais."

Na semana passada o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse esperar por dois aumentos da taxa de juros nos EUA em 2022. A inflação nos EUA atingiu 6,2% nos 12 meses encerrados em outubro de 2021, nos maiores níveis em 30 anos.

El-Erian afirmou também que os emergentes são os mais vulneráveis a um cenário de redução nas condições fiscais e monetárias em termos globais, e que, até por isso, muitos deles, como o Brasil, já iniciaram o processo de alta dos juros.

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