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Inflação faz vendas do varejo caírem mais do que o esperado, diz IBGE

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.03.2021 - Movimentação de pessoas pela região da rua 25 de Março, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.03.2021 - Movimentação de pessoas pela região da rua 25 de Março, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em mais um sinal de dificuldades na economia, o volume de vendas do varejo brasileiro voltou a cair em setembro, com baixa de 1,3% na comparação com agosto, informou nesta quinta-feira (11) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É o segundo recuo do comércio em sequência e o maior para o nono mês do ano na série histórica. A série começou em 2000.

O resultado negativo vem em um contexto de escalada da inflação, que eleva os custos de operação das empresas e diminui o poder de compra da população.

O comércio também ficou no vermelho frente a setembro de 2020. Nesse tipo de comparação, a queda foi de 5,5%, calcula o IBGE.

Analistas projetavam baixas menos intensas. Conforme pesquisa da agência Reuters, as expectativas eram de recuos de 0,6% na comparação mensal e de 4,25% sobre um ano antes.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, afirmou que a inflação elevada é o fenômeno mais importante para explicar a queda do varejo em setembro.

O desempenho do setor ainda é abalado por restrições de acesso a crédito e renda fragilizada dos trabalhadores, lembrou o técnico.

"Na margem, o principal fenômeno é a inflação", disse Santos.

Com o resultado de setembro, o comércio voltou a ficar abaixo do patamar pré-pandemia. Agora, está em nível 0,4% inferior ao de fevereiro de 2020. Em agosto de 2021, o setor estava 0,9% acima do pré-crise.

Entre as oito atividades pesquisadas pelo IBGE, seis tiveram taxas negativas em setembro.

As quedas mais intensas foram de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3,6%), móveis e eletrodomésticos (-3,5%) e combustíveis e lubrificantes (-2,6%).

Segundo o IBGE, o segmento com o maior peso na formação da taxa de setembro foi hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O ramo caiu 1,5%.

Duas atividades, por outro lado, apresentaram estabilidade ou leve avanço. São as seguintes: livros, jornais, revistas e papelaria (0%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).

No acumulado de 12 meses, o Brasil registra inflação de dois dígitos. Até outubro, dado mais recente, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 10,67%. É a maior desde janeiro de 2016 (10,71%).

Conforme Santos, a escalada inflacionária é percebida com mais força em atividades do comércio como combustíveis e lubrificantes e hipermercados, supermercados e produtos alimentícios.

Nos últimos meses, o avanço do petróleo e do dólar tem pressionado itens como gasolina e óleo diesel no Brasil.

No caso dos alimentos, também há o efeito da moeda americana mais alta, além do impacto da valorização das commodities no mercado agrícola e das perdas em lavouras geradas pelo clima adverso.

Mesmo com o desempenho de setembro, o varejo ainda acumula alta de 3,8% no ano de 2021. Em 12 meses, o avanço é de 3,9%.

A série de dados do comércio tem sido marcada por fortes revisões ao longo da pandemia. Não foi diferente desta vez. Além de divulgar o resultado de setembro, o IBGE atualizou números anteriores.

A queda de agosto, por exemplo, ficou maior com a revisão, passando de 3,1% para 4,3%.

Segundo o instituto, a crise da Covid-19 trouxe muita volatilidade para as estatísticas e, por isso, provoca revisões constantes e de grande amplitude.

"O desarranjo das cadeias produtivas influencia eventuais revisões no dado sazonal", apontou Santos.

Após a divulgação dos números de setembro, a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) cortou de 4,6% para 3,6% a projeção de alta nas vendas do varejo em 2021.

Em relatório, a entidade também destacou que o setor é afetado pela elevação dos preços.

"Neste momento, a inflação elevada e resiliente representa o principal obstáculo à sustentabilidade da recuperação do comércio. As fontes de pressão são diversificadas e contaminam uma quantidade cada vez maior de preços", afirmou a entidade.

A CNC ainda destaca o impacto negativo das restrições no orçamento das famílias. Isso ocorre no momento em que o setor poderia estar em uma situação mais confortável devido à queda nas medidas de isolamento impostas pela pandemia.

"As restrições orçamentárias da população, associadas ao quase esgotamento da capacidade de endividamento das pessoas físicas, deverão fazer com que o fluxo de consumidores no varejo contribua cada vez menos para o avanço das vendas nos próximos meses."

Na visão da entidade, o cenário para 2022 é desafiador por conta de fatores como a pressão de custos.

O IBGE também informou nesta quinta que o comércio varejista ampliado —inclui veículos, motos e peças e material de construção— teve queda de 1,1% nas vendas, em setembro, ante agosto. Veículos recuaram 1,7%, enquanto materiais de construção tiveram perda de 1,1%.

Para tentar conter a inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) vem subindo a taxa básica de juros, a Selic.

Os juros mais altos, por outro lado, dificultam o consumo das famílias e os investimentos das empresas. Ou seja, representam um desafio adicional para a retomada de atividades econômicas. O varejo é uma delas.

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