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Inflação: entenda por que o custo de vida parece ter subido além do que os números mostram

Ana Clara Veloso e Stephanie Tondo
·5 minuto de leitura

O custo de vida ficou 4,57% mais caro nos últimos 12 meses, segundo o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). No entanto, no bolso do consumidor, a impressão é de que a alta dos preços tem sido bem maior.

A redatora Izaura Alice, de 54 anos, conta que nos últimos meses viu os gastos com alimentação dispararem, especialmente em itens como óleo de soja, derivados de leite, carne, arroz e frutas.

— O bolso sentiu. Na mesa do brasileiro a inflação foi bem maior do que 4,57% — diz.

E a afirmação de Izaura faz sentido. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo IBGE para medir a inflação, apresenta tanto a média da variação dos preços no período, quanto a alta de grupos específicos. Por exemplo, na prévia de fevereiro (IPCA-15), o grupo Alimentação e bebidas registrou um aumento acumulado de 14,77% em 12 meses, bem acima da inflação geral.

E entre os produtos com maior alta acumulada estão, justamente, os itens citados pela dona de casa, como óleos (56,03%), leite e derivados (16,29%), carne (25,89%), cereais (57,67%) e frutas (28,99%).

— Cada pessoa tem a sua própria inflação. A percepção do aumento dos preços vai depender muito da sua própria cesta de consumo — explica Pedro Kislanov, gerente de Pesquisa do IBGE.

Por isso, a inflação será sentida de forma diferente, de acordo com fatores individuais, como a classe social da família, estado ou cidade onde mora, além de hábitos de consumo, por exemplo.

— Nas famílias de baixa renda, sem dúvida os alimentos pesam mais no orçamento. Considerando que esses produtos registraram altas muito acima da inflação, houve uma sensação de que o custo de vida aumentou nessa proporção. Quando se fala de classe média alta, a inflação foi mais baixa, porque essas famílias gastaram menos em mensalidade escolar e lazer durante a pandemia — avalia André Braz, economista da FGV/Ibre, que complementa: — A classe média alta, com uma cesta de consumo grande, cheia de serviços, economizou dinheiro ano passado.

Para o economista, a tendência é que a inflação continue subindo este ano, puxada ainda pelos alimentos, mas também pelos combustíveis, que vêm ficando mais caros desde junho do ano passado, e pelo setor de serviços.

— No final do primeiro semestre o IPCA pode ultrapassar 6%, e acredito que encerre o ano em 4,3%. Apesar de ser mais baixo do que o percentual atual, não é um bom número, pois a meta de inflação para este ano está em 3,75% — aponta André Braz.

Parte da explicação para a alta dos alimentos tem a ver com o câmbio, explica o gerente de pesquisa do IPCA:

— No lado da oferta, pesou bastante a questão cambial. A alta do dólar estimulou as exportações e isso diminuiu a quantidade de produtos no mercado interno. Já o auxílio emergencial, que é um recurso usado principalmente na compra de alimentos, acabou gerando um aumento de demanda, com pressão sobre os preços.

A economista Ana Beatriz Moraes, professora do Ibmec RJ, exemplifica que, no período do Natal e do Réveillon, as carnes, que já estavam caras, foram ainda mais pressionadas pelo tradicional aumento de consumo, começando a abaixar apenas em fevereiro. Ela acrescenta que a logística de entrega dos produtos também impacta no preço do que vai à mesa:

— Nossos alimentos são transportados usando, principalmente, nossas vias rodoviárias, Então, se o transporte fica mais caro pois o combustível está mais caro, a gente sente o impacto em toda a cesta de alimentos que depende deste tipo de transporte.

Para os motoristas que têm sentido no bolso o aumento do preço da gasolina, a inflação acumulada de 1,08% nos últimos 12 meses até janeiro parece não fazer sentido. Segundo Pedro Kislanov, do IBGE, isso é explicado pelo fato de que em abril e maio do ano passado o combustível registrou quedas de 10% e 4,5%, respectivamente, compensando as altas nos meses seguintes.

— De junho em diante só houve altas. O acumulado é de quase 20% nesses 8 meses — afirma o pesquisador.

Na prévia de fevereiro, a gasolina subiu 3,52%. Também houve altas no óleo diesel (2,89%) e no etanol (2,36%). Nos últimos cinco anos, os três combustíveis subiram mais de 20% cada um.

A alta da gasolina é impactada, por um lado, pelo preço do dólar, com aumento acumulado de 29,33% em 2020, já que o petróleo é uma commodity comercializada internacionalmente. Por outro lado, há o impacto do preço do barril, que despencou em abril, mas vem se recuperando.

— À medida que a economia mundial vai aquecendo, a demanda aumenta, junto com os preços — explica André Braz.

As contas de luz tradicionalmente ganham um peso maior nos gastos das famílias no verão. Mas, no fim de 2020, os brasileiros levaram um susto. Após a Aneel decidir manter a bandeira verde acionada, desde maio, por conta da pandemia, entrou em vigor a bandeira vermelha patamar 2 em dezembro. Em janeiro e fevereiro, a conta recuou, com a adoção da bandeira amarela: de R$ 1,34 para cada 100 quilowatts consumidos por hora, muito mais barata frente à tarifa de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) adotada em dezembro.

— Vários motivos afetam o custo das empresas de energia. Elas tiveram queda na receita por conta da pandemia, em razão do perdão dos inadimplentes, elevação do custo operacional, queda no nível dos reservatórios. Fora isso, aumentou a demanda por energia residencial. E a partir de setembro, houve uma certa retomada da atividade econômica que pressionou os custos — explica Ricardo Macedo, professor do Ibmec RJ.

E o cenário está longe de mudar. Segundo cálculos da Aneel, a energia pode ficar 13% mais cara neste ano. Para economizar, será preciso tomar cuidados em casa.