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Inflação em alta e queda na renda deixam consumo das famílias estagnado no 2º trimestre

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 11.06.2020 - Movimentação de consumidores pelo shopping Metrô Santana, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 11.06.2020 - Movimentação de consumidores pelo shopping Metrô Santana, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Motor da economia brasileira, o consumo das famílias ficou estagnado (0%) no segundo trimestre, em relação aos três meses iniciais deste ano. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O consumo das famílias é o principal componente do PIB (Produto Interno Bruto) sob a ótica da demanda, respondendo por cerca de 60% do cálculo do indicador.

Após três meses de suspensão, o auxílio emergencial voltou a ser pago no país no começo do segundo trimestre, em abril. Mesmo com a redução nos valores e no número de beneficiários, a retomada do benefício foi vista por analistas como um incentivo ao consumo à época.

A inflação e as dificuldades de renda, por outro lado, diminuem o poder de compra dos brasileiros. A dupla acabou prejudicando o consumo entre abril e junho, destacou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A inflação vem sendo puxada nos últimos meses por combustíveis e pela energia elétrica, que ficou mais cara com a crise hídrica.

Enquanto isso, a renda do trabalho segue fragilizada. Na terça-feira (1º), o IBGE informou que o rendimento real habitual (R$ 2.515) dos trabalhadores caiu 3% frente ao trimestre anterior. A massa de rendimento, que soma os salários, teve variação negativa de 0,6%.

“O consumo das famílias ficou estável. Tem coisas favoráveis, como a continuidade de programas de apoio do governo federal. Por outro lado, apesar da melhora na ocupação no mercado de trabalho, ainda temos efeitos negativos sobre a massa salarial, o que afeta o consumo das famílias, e o aumento da inflação”, frisou Rebeca.

“O consumo das famílias tem um peso muito grande na economia brasileira. O consumo pode ser ajudado por outros fatores, mas, até pelo seu peso, a trajetória do PIB não descola tanto dele”, acrescentou.

O IBGE também informou nesta quarta, na divulgação do PIB, que os investimentos produtivos na economia brasileira, medidos pelo indicador FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), caíram 3,6% no segundo trimestre.

Em parte, a retração é atribuída ao Repetro, o regime aduaneiro especial que permite ao setor de petróleo e gás importar bens de capital sem pagar tributos federais, incluindo plataformas. Entre o primeiro e o segundo trimestre, a entrada desses bens diminuiu, pressionando o indicador para baixo, conforme Rebeca. Além disso, a escassez de insumos na indústria, em ramos como o automotivo, também abalou os investimentos.

O PIB sob a ótica da demanda contempla ainda exportações, importações e consumo do governo.

As exportações avançaram 9,4% entre abril e junho. Na teoria, o dólar alto incentiva os embarques.

Já as importações, que ficam mais caras com a moeda americana em patamar elevado, tiveram queda de 0,6% no segundo trimestre.

Por fim, o consumo do governo cresceu 0,7% no mesmo período.

Em relatório, o Banco Original afirmou que, pela perspectiva da demanda, o consumo das famílias "foi o que mais decepcionou, refletindo problemas como aumento inflacionário e desemprego elevado".

"O número [0%], no entanto, reforça o entendimento de que ainda existe uma boa parte da poupança circunstancial feita pelas famílias mais ricas durante a pandemia que não foi gasta", acrescentou o banco.

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