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Inflação em alta e crescimento em baixa pressionam dólar e Bolsa cai

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 03.09.2015 - Movimentação em casa de câmbio localizada no  Shopping Center Norte, na zona norte de São Paulo (SP) após a alta do dólar.  (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 03.09.2015 - Movimentação em casa de câmbio localizada no Shopping Center Norte, na zona norte de São Paulo (SP) após a alta do dólar. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A inflação e o crescimento baixo que afetam o mundo, além dos riscos particulares do Brasil, seguem pressionando a alta do dólar e causando prejuízos aos investimentos na Bolsa.

A divisa americana chegou a superar R$ 5,50 na manhã desta quarta-feira (6), recuando levemente à tarde. Às 16h10, o dólar subia 0,03%, a R$ 5,4870.

O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores brasileira, caía 0,10%, a 110.346, após ter passado boa parte do dia na casa dos 109 mil pontos, tendo atingido a mínima de 108.179 no início do pregão.

Os mercados globais passam por dias de turbulência devido à escalada generalizada de preços, o que tem forçado bancos centrais de países desenvolvidos a discutirem a elevação das taxas de juros básicos.

Nos Estados Unidos, a inflação tem ampliado a expectativa de que a taxa de juros básicos, que hoje está perto de zero, seja elevada a partir de 2022.

Ruim de modo geral para as Bolsas, a alta de juros em economias sólidas tem ainda mais impacto em países emergentes, situação agravada no Brasil por um cenário fiscal preocupante.

“A curva de juros futuros nos Estados Unidos já está na casa de 1,5% e, com uma economia considerada sem risco remunerando melhor, o risco do Brasil é precificado em algum lugar, e isso aparece no dólar e na Bolsa”, diz Rachel de Sá, chefe de economia da Rico.

A dificuldade do governo em fechar o Orçamento de 2022 e a pressão pelo aumento de gastos com a aproximação das eleições do próximo ano são, segundo a economista, os principais motivos de preocupação do mercado em relação ao Brasil.

Em comentário a clientes mais cedo, o diretor de investimentos da TAG Investimentos, Dan H. Kawa, destacou que o Brasil está entrando neste ambiente mais desafiador no exterior em situação bastante delicada e frágil.

Um dos elementos internos de forte pressão sobre a inflação é a alta no preço dos combustíveis, que tende a se intensificar com o atual cenário de aumento na cotação do petróleo.

Na última segunda-feira (4), o preço do petróleo alcançou o maior valor em três anos porque os países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e aliados decidiram não aumentar o atual nível de produção.

Nesta manhã, o barril do Brent, referência para o mercado, caía 1,78%, a US$ 81,09 (R$ 446,78). A alta acumulada no ano, porém, é de 56%.

Para tentar aliviar essa pressão, nesta terça-feira (5), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), propôs a partidos da base e da oposição um acordo segundo o qual o ICMS (imposto estadual) incidiria sobre o preço médio dos combustíveis nos últimos dois anos para reduzir o valor da gasolina.

Os governadores, porém, já sinalizaram que são contra a proposta, reforçando o clima de embate entre Brasília e estados, o que piora o cenário político interno do país.

De acordo com Rachel de Sá, independentemente de qual medida está em discussão, o fato de a Petrobras estar no foco de agentes políticos amplia o temor de intervenções na estatal. Os papéis da empresa (PETR4) caíam mais de 2,5%, pesando significativamente na baixa da Bolsa.

“Os preços dos combustíveis já estão abaixo do mercado internacional devido à alta do petróleo”, diz a analista.

Desde 2017, a Petrobras adota o PPI (preço de paridade de importação), sistema que vincula os preços praticados pela companhia à cotação internacional do petróleo.

A elevação do preço do petróleo ocorre em um momento de aumento da demanda por insumos necessários à geração de energia, situação fortemente influenciada pela redução da produção de carvão mineral na China, segundo Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group.

O gigante asiático segue firme em seu propósito na substituição da queima de combustíveis fósseis por fontes limpas, como a eólica e a solar.

Durante a pandemia, porém, cadeias de abastecimento do mundo todo foram prejudicadas e, em um cenário de escassez generalizada, faltam também componentes para equipamentos necessários à expansão de turbinas eólicas e placas de células fotovoltaicas, por exemplo.

Na Europa, um outono mais frio também aumentou a demanda por energia, pressionando os preços do gás natural.

Desabastecimento e alta da energia, em um momento de retomada econômica nos países desenvolvidos com a pandemia perdendo força devido à vacinação, são os principais elementos da inflação mundial.

Situação agravada porque um quadro inflacionário ligado à escassez também impede o crescimento, lançando sobre o mercado o temor de uma estagflação.

Nos Estados Unidos, depois de uma abrirem em baixa, os ídices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançavam 0,05%, 0,07% e 0,21%, respectivamente.

COMÉRCIO FRACO PIORA CENÁRIO

O volume de vendas do comércio varejista do país caiu 3,1% em agosto, na comparação com julho, revelou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira.

A retração é a maior para agosto desde o começo da série histórica, em 2000. O desempenho ficou bem abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam elevação de 0,6% nas vendas.

O resultado é mais um sinal das dificuldades do país em retomar o crescimento, situação que tende a piorar devido à necessidade do Banco Central em elevar os juros básicos para conter a inflação.

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