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Inflação dos mais pobres atinge maior patamar do ano, diz FGV

Alessandra Saraiva
·3 minutos de leitura

Reajuste dos alimentos têm puxado o índice que mede a variação de preços entre famílias com renda de até 2,5 salários mínimos, com alta de 12,7% no acumulado em 12 meses A inflação percebida entre os mais pobres registrou em setembro a maior taxa do ano, impulsionada por alimentos mais caros durante a pandemia. Como há sinais de continuidade de aumentos nos preços do setor alimentação até o fim do ano, a inflação dos mais pobres pode terminar 2020 com alta acima da média nacional, alertou André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele fez a observação ao comentar a elevação de 0,89% no Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) de setembro, da FGV, que mede o impacto de preços entre famílias com ganhos mensais de até 2,5 salários mínimos. A taxa foi a mais elevada desde dezembro de 2019 (0,93%), e se posicionou acima do Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR) do mês, que abrange famílias com ganhos até 33 salários mínimos e subiu 0,82% em setembro. Braz comentou que o resultado em 12 meses do indicador também está se mantendo acima da média. Até setembro, o IPC-CI sobe 4,54%, enquanto o IPC-BR tem alta acumulada de 3,62%, no mesmo período. “Neste mês, a inflação dos mais pobres ficou acima da meta inflacionária”, acrescentou o técnico em relação ao objetivo do Banco Central, de uma inflação de 4% neste ano. Na prática, foi a tendência de alimentos mais caros durante a pandemia desde março que levou ao cenário atual, notou o especialista. Ele lembrou que itens alimentícios representam 23,4% do IPC-C1 — sendo que, no IPC-Br, o peso dessa classe de despesa é de 19,3%. "Em 12 meses até setembro, a inflação do grupo Alimentação no IPC-C1 tem alta de 12,7%. É o patamar mais elevado desde agosto de 2016 (13,4%)", notou ele. Uma combinação de maior consumo de refeições dentro de casa, e dólar alto, levou ao ambiente de alimentos mais caros, pontou o economista. Como houve demanda maior por comida, a oferta aumentou e os preços subiram. Ao mesmo tempo, a forte desvalorização do Real frente ao dólar, na crise econômica originada por covid-19, teve influência no setor. Houve maior exportação de alimentos, tendo em vista o dólar mais atrativo, o que reduziu mais ainda a oferta desses itens; e commodities agropecuárias mais caras, o que elevou preço de alimentos derivados. Em setembro no IPC-C1, das cinco principais elevações de preço no indicador, três eram de origem alimentar. O destaque ficou com arroz e feijão, cuja inflação saltou de 1,02% em agosto para 10,64% em setembro. Para Braz, outro agravante é o fato de que as famílias mais pobres foram as mais afetadas pela piora do mercado de trabalho com a crise atual - que gerou desemprego e, por consequência, perda de renda. "Com menor renda, e alimentos mais caros, isso cria a sensação de inflação mais alta entre os mais pobres", observou. O economista comentou que a taxa em 12 meses do IPC-C1 pode desacelerar até o fim do ano, e se posicionar novamente abaixo da meta inflacionária. Porém, até o momento, os sinais são de que a inflação dos mais pobres deve terminar 2020 acima da média - visto que os alimentos pesam mais na cesta orçamentária dos mais pobres. "A inflação desse ano parece mais concentrada em alimentos", disse, observando que, devido à atual conjuntura, os preços nesse setor devem continuar pressionados. Alta de alimentos pressiona a inflação dos mais pobres Brenno Carvalho/Agência O Globo