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Inflação deve subir menos em 2022, mas quadro preocupa economistas

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***ARQUIVO***São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019: Still Mercado. Calculadora cinentífica. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019: Still Mercado. Calculadora cinentífica. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A inflação tende a desacelerar até o fim de 2022, mas ainda deve seguir como motivo de preocupação nos próximos meses, projetam economistas.

Para a maioria, o cenário carrega riscos que podem gerar novas surpresas negativas sobre os preços.

Entre as ameaças de 2022, estão eventuais turbulências da corrida eleitoral, que costuma impactar a taxa de câmbio no Brasil, elevar os preços no mercado interno e pressionar a inflação.

"Vai ser um ano ainda difícil, e as incertezas dificultam o combate à inflação", afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

Na prática, o termo desacelerar não representa queda dos preços. Significa apenas um avanço menor da inflação. Ou seja, os preços tendem a seguir em alta neste ano, mas em um nível mais fraco do que o verificado em 2021.

O que preocupa analistas é a persistência da inflação em um quadro de atividade econômica fragilizada, como é o caso atual.

Em 2022, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve crescer apenas 0,28%, conforme a edição mais recente do boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central). Algumas instituições chegam a projetar retração na atividade.

O país também corre o risco de registrar o segundo ano consecutivo de estouro da meta de inflação perseguida pelo BC.

Em 2022, o teto da meta é de 5%. Porém, analistas do mercado financeiro projetam IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,03% ao final do ano, conforme o boletim Focus. Em 2021, o indicador oficial de inflação já se distanciou do teto da meta (5,25%), ficando perto de 10%.

"A projeção em 2022 é de inflação perto de 5%, sobre um ano em que a alta foi de cerca de 10%. O IPCA deve perder ritmo, mas continuar com um avanço forte", analisa a economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

O economista João Leal, da gestora de investimentos Rio Bravo, vai na mesma linha. "É um cenário mais favorável, mas não pode ser considerado positivo. O quadro ainda é de inflação alta", diz.

Segundo ele, o que deve causar uma desaceleração dos preços é a ação da política monetária. Para tentar frear a inflação, o BC vem subindo a taxa básica de juros. A Selic está em 9,25% ao ano e deve encerrar 2022 em 11,75%, conforme estimativas das principais casas análises reunidas no boletim Focus.

A ação do BC, contudo, não é capaz de eliminar todos os riscos do cenário. Leal menciona que as incertezas na retomada em nível global e a corrida eleitoral podem afetar a taxa de câmbio, gerando novas pressões sobre os preços.

Outro fator de risco para a inflação vem do clima. Neste início de ano, a região Sul registra perdas em lavouras devido à estiagem, enquanto estados como Bahia e Minas Gerais são impactados por fortes chuvas. Os prejuízos no agronegócio podem pressionar preços de alimentos, segundo economistas.

"Pouco tempo atrás a perspectiva era de uma safra sem impactos negativos do clima, mas agora a gente já vê uma preocupação maior", diz Sergio Vale, da MB Associados.

Ele avalia que o Brasil está em uma situação "muito insegura" em termos de inflação.

"Como a inflação está muito elevada, qualquer percepção de risco pode trazer mais dificuldades."

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