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Inflação derruba aplicações tradicionais e bitcoin é melhor investimento de 2021

·7 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O investidor brasileiro perdeu dinheiro na gangorra das finanças deste ano, com Bolsa e juros alternando-se num brusco sobe e desce em meio à disparada da inflação.

No contexto inflacionário que contrariou previsões de especialistas, o bitcoin ocupou com larga vantagem o posto de melhor aplicação de 2021 no país, segundo levantamento do gerente de relacionamento institucional da Economatica, Einar Rivero, que considerou uma cesta com as prévias de 16 indicadores de referência computados até esta quinta-feira (30) ou no seu fechamento mais recente.

A criptomoeda acumulou ganho de 75,83% em 12 meses. É preciso ressaltar, no entanto, que vem caindo nos últimos meses e seu futuro em 2022 também é incerto.

Investimentos no exterior por meio de BDRs (sigla em inglês para Recibos Depositários Brasileiros) e ETFs (fundos que acompanham índices estrangeiros) também obtiveram ganhos reais. O BDRX, uma espécie de carteira virtual para medir o desempenho desses ativos ofertados pela B3, a Bolsa de Valores brasileira, acelerou 38%.

Já o Ibovespa, referência do mercado de ações do país, caiu 12,53%. É o pior resultado da comparação.

Índices que medem a alta do custo de vida preencheram as cinco posições subsequentes ao bitcoin e ativos no exterior no ranking, sendo o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) o que mais subiu. O indicador referência para reajustes dos contratos de aluguel saltou 17,78% no ano.

Todos os investimentos tradicionais incluídos na pesquisa ficaram atrás da inflação. O indicador oficial subiu 9,26%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado até novembro.

Inerente a investimentos de risco, a volatilidade foi potencializada pela taxa de juros baixa na maior parte do ano e por uma escalada inesperada e persistente da inflação. Essa combinação é apontada por analistas como a vilã das carteiras.

"Investimentos em juros prefixados, pós-fixados, Bolsa, ou seja, os mais tradicionais tiveram retorno real negativo", afirma Evandro Buccini, sócio e diretor de renda fixa e multimercado da Rio Bravo.

A caderneta de poupança rendeu 2,99%. O investimento mais popular do país ficou um pouco atrás do CDI (Certificados de Depósitos Interfinanceiros), que variou 4,35%. Esse índice é a base para títulos de CDB atrelados a juros e, geralmente, é recomendado para a composição de um fundo de reserva devido à sua liquidez diária.

Dólar e ouro são refúgios em tempos de volatilidade. Mas apenas a moeda americana se mostrou um ativo interessante para a proteção do patrimônio em 2021. A divisa se valorizou em 7,39%, segundo a taxa de referência de câmbio calculada pelo Banco Central, enquanto o metal ganhou apenas 2,69%.

Investidores ou não, os brasileiros perderam. É isso o que mostra a fotografia das finanças deste ano. Ela revela um cenário em que as empresas tiveram desvalorização, enquanto os juros precisaram ser acelerados pelo Banco Central na tentativa de contenção da inflação.

Ainda mais preocupante, segundo Buccini, é a constatação de que o mercado de ações doméstico frequentemente está em desvantagem quando comparado ao de juros.

"É difícil fazer grandes generalizações do retorno de um ano apenas. Mas, mesmo olhando retornos em janelas maiores, o Ibovespa perde para o CDI. Isso sim é um paradoxo e mostra que o crescimento do país deixa a desejar há décadas", afirma.

O recrudescimento da pandemia no início do ano é a principal causa para o retrato financeiro de 2021, pois desorganizou as cadeias produtivas globais, gerando desabastecimento e alta nos preços ao redor do mundo.

Fatores da política doméstica, porém, contribuíram para que o Brasil saísse pior na foto. As Bolsas dos Estados Unidos bateram sucessivos recordes ao longo de 2021 com o impulso de um pacote de estímulos do governo americano. Movimento semelhante ocorreu na Europa. Diversos mercados foram beneficiados pela injeção de liquidez, enquanto o brasileiro perdeu a carona.

As manifestações de raiz golpista capitaneadas pelo presidente Jair Bolsonaro, em setembro, e as incertezas geradas pela decisão do governo de furar o teto de gastos foram relevantes para completar o estrago causado pela pandemia, destacou Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e conselheiro da Rio Bravo, em sua resenha econômica de fechamento de ano.

Fundos imobiliários também ficaram entre os piores retornos do ano. O índice que acompanha esses ativos cedeu 2,82%.

A gangorra dos juros explica, mais uma vez, o resultado negativo, de acordo com Camila Almeida, sócia e fundadora da Habitat Capital Partners.

"Viemos de um momento em que a taxa básica de juros atingiu a mínima histórica de 2% ao ano, o que fez com que muitos investidores buscassem outras opções de investimento como alternativa à renda fixa, dentre elas, os fundos imobiliários. Porém, com uma Selic mais alta [no segundo semestre], investidores optaram por voltar para a renda fixa", comentou.

Almeida ressalta que esses fundos possuem outros atrativos, como a distribuição de rendimentos mensais isentos de Imposto de Renda e o acesso a investimento no mercado imobiliário com baixa barreira de entrada.

Para 2022, porém, ela avalia que os CRIs, títulos lastreados em créditos imobiliários, navegarão melhor do que os fundos porque têm rendimentos indexados à inflação ou ao CDI.

Evandro Buccini, da Rio Bravo, diz que a principal lição de 2021 é a importância de uma defesa direta contra uma inflação alta inesperada. Os melhores instrumentos para isso, segundo ele, são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional de série B), que são os títulos do Tesouro Direto com rentabilidade atrelada à inflação oficial (IPCA) mais uma taxa de juros prefixada.

No conturbado cenário de 2021, porém, o desempenho do índice que faz um apanhado geral desse tipo de investimento também ficou no vermelho.

"Sempre terá algo inesperado. O importante é que as carteiras estejam preparadas para a volatilidade", afirma.

Criptoativo dispara na base da publicidade e da busca por rentabilidade A turbulência nos investimentos tradicionais gerada pela pandemia pavimentou a estrada para o crescimento do bitcoin, principal representante dos criptoativos, em meio à busca por rentabilidade. Mas não foi só isso.

A popularização das NTFs (sigla em inglês para tokens não fungíveis) e a adoção do bitcoin como moeda oficial de El Salvador deram grande publicidade e potencializaram a demanda por esse e outros ativos criados a partir de códigos criptografados, segundo Rodrigo Soeiro, fundador da Monnos Cryptobank.

El Salvador tornou-se, em 7 de setembro, o primeiro país do mundo a adotar oficialmente a criptomoeda.

Insignificante para a economia global e do tamanho do estado de Sergipe, o país de praias paradisíacas da América Central atraiu as atenções da imprensa mundial com essa decisão.

A despeito dos protestos populares contra adoção da criptomoeda, o presidente do país, Nayib Bukele, anunciou em novembro a criação de uma cidade voltada à mineração de bitcoin. A larga demanda energética exigida nessa atividade seria suprida pela geração termal provida pelo vulcão Conchagua.

"Isso tudo trouxe muita visibilidade para o bitcoin", comenta Soeiro.

Já os NTFs, que usam a base da tecnologia das criptomoedas para certificar que um artigo digital (uma fotografia, por exemplo) é original, passaram a ser adotados em número cada vez maior por grandes marcas, artistas e produtores de jogos eletrônicos.

"O advento dos NFTs está trazendo uma dinâmica de massificação", afirma.

Soeiro reforça, porém, que o mercado de criptoativos está em evolução e "ainda é um ambiente selvagem", em que há fraudes e, por isso, requer do investidor dedicação para obter informações sobre quais são os empreendedores sérios que oferecem acesso ao negócio.

Ele estima que esse mercado deverá crescer ainda mais em 2022, com a popularização de meios de pagamentos que utilizam ativos protegidos por linhas de código. "Serão mais comerciantes recebendo em criptomoedas. Isso vai dragar uma massa de usuários para esse ecossistema."

Não é possível garantir, porém, que esses ativos seguirão em alta. Assim como outros investimentos de risco, as criptomoedas estão sendo afetadas pela expectativa de alta nos juros globais devido aos apertos monetários anunciados pelos principais bancos centrais. O bitcoin recuou 17% somente em dezembro.

* Valores acumulados em 2021, até as 15h desta quinta (30) ou o fechamento mais recente

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