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Inflação alta e risco de recessão aumentam dilema do BCE

Prédio do Banco Central Europeu em sua sede, em Frankfurt, Alemanha

FRANKFURT (Reuters) - A inflação na zona do euro saltou para outra máxima e em breve atingirá território de dois dígitos, prenunciando uma série de grandes aumentos na taxa de juros, mesmo quando uma recessão dolorosa parece cada vez mais certa.

Impulsionados pelo gás caro e uma seca devastadora, os preços ao consumidor subiram mais do que o esperado em agosto e novos aumentos já estão a caminho, sugerindo mais prejuízo para famílias e empresas à medida que queimam suas reservas de dinheiro.

Essa coincidência de preços altos e baixo crescimento, muitas vezes chamada de estagflação, deixa ao Banco Central Europeu (BCE) apenas escolhas dolorosas que aumentarão as dificuldades para os 340 milhões de habitantes da zona do euro.

Estímulo para o bloco apenas alimentará mais a inflação e, em última análise, prejudicará a credibilidade do banco central, ameaçando os próprios fundamentos de seu mandato de combate aos preços altos.

Mas o aperto da política monetária reduzirá ainda mais o crescimento, exacerbando uma desaceleração agora quase certa.

Em última análise, os formuladores de política monetária escolherão a luta contra a inflação e os juros devem subir em todas as reuniões restantes deste ano, elevando os custos dos empréstimos para governos, empresas e famílias, mesmo que as finanças já estejam ficando mais apertadas.

Os números da inflação desta quarta-feira vão até fortalecer o argumento para um aumento excepcionalmente grande de 75 pontos-base nos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana, e as autoridades "dovish", ou menos rígidas na conduta da política monetária, terão de travar uma batalha difícil para tentar manter o ritmo de aperto em ainda intensos 50 pontos-base

A inflação nos 19 países que compartilham o euro acelerou para 9,1% em agosto, ante 8,9% no mês anterior, e novamente superou as expectativas, à medida que as pressões sobre os preços se disseminaram.

A alta dos preços da energia mesmo antes do início do inverno e a reversão de alguns subsídios alemães quase garantem que a inflação continuará subindo e excederá 10% antes de chegar ao pico por volta da virada do ano.

Embora o aumento dos preços dos alimentos e da energia não tenha sido surpreendente, o salto nos custos dos serviços e a inflação de 5% para produtos industriais não energéticos claramente preocuparão os formuladores de política monetária do BCE.

A inflação excluindo alimentos e combustíveis saltou de 5,1% para 5,5%, enquanto uma medida ainda mais estreita, que também exclui álcool e tabaco, subiu de 4,0% para 4,3%.

Evitar uma contração parece cada vez mais difícil, já que o sentimento econômico caiu mais do que o esperado este mês, destacando as preocupações com o crescimento.

Os altos custos de energia forçarão as famílias a canalizar seus gastos para as contas de aquecimento, deixando menos para outros itens, principalmente serviços.

A indústria também será duramente atingida, com setores intensivos em energia provavelmente reduzindo a produção. Isso criará gargalos de oferta, aumentando a inflação.

Um teto para os preços de energia, contemplado pela União Europeia, poderá ajudar o trabalho do BCE, mas a inflação já está dolorosamente alta há algum tempo, então os formuladores de política monetária não terão o luxo de esperar a tempestade passar.

Tudo isso se soma às justificativas para um grande aumento dos juros pelo BCE em 8 de setembro.

(Reportagem de Balazs Koranyi)