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Inflação de abril fica em 1,06% e atinge 12,13% em 12 meses

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Still de mãos segurando uma calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Still de mãos segurando uma calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo) acelerou para 1,06% em abril, segundo informou nesta quarta-feira (11) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a maior variação para o mês desde 1996. Em 12 meses até abril, a inflação bateu em 12,13%, maior patamar desde outubro de 2003 (13,98%). Em março de 2022, o IPCA já havia pesado no bolso dos brasileiros, atingindo o maior patamar em 28 anos e subindo 1,62%.

Em abril, os principais impactos vieram de alimentação e bebidas (2,06%) e dos transportes (1,91%). Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 80% do IPCA de abril.

O resultado para o mês veio em linha com o esperado por analistas do mercado. Aqueles ouvidos pela agência Bloomberg esperavam alta de 1,01%, na comparação mensal, e de 12,07% na anual.

Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%). O leite longa vida teve alta de 10,31%. Também houve aumento em itens, como a batata-inglesa (18,28%), o tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%).

Para o óleo de soja, o resultado está mais relacionado à alta das commodities, que acaba influenciando nos custos de produção. Nos alimentos in natura, como a batata-inglesa e o tomate, houve problemas de colheitas, explica o pesquisador. Para o leite, pesaram os custos de produção.

Entre as capitais, no mês, a maior alta foi no Rio de Janeiro, de 1,39%, enquanto Salvador teve a menor variação em abril, de 0,67%. Em 12 meses, a maior variação foi em Curitiba (14,82%).

No caso dos transportes, a elevação foi puxada, sobretudo, pelo aumento nos preços dos combustíveis que continuaram subindo (3,20%). Assim como no mês anterior, o destaque foi a gasolina (2,48%), produto com maior na alta do índice do mês (0,17 p.p.).

Combustíveis - Variação no mês - Variação em 12 meses

Etanol - 8,44% - 42,11%

Óleo diesel - 4,74% - 53,58%

Gás de botijão - 3,32% - 32,34%

Gasolina - 2,48% - 31,22%

A expectativa é de novos impactos nos próximos meses, com os aumentos dos combustíveis. Desde a última terça-feira (10), está valendo o novo aumento do diesel anunciado pela Petrobras, de 8,87% nas refinarias, o que significa uma mudança de R$ 0,40 no litro do combustível —de R$ 4,51 para R$ 4,91.

A elevação no preço do diesel —que interfere diretamente no cotidiano dos caminhoneiros e indiretamente nos preços de produtos transportados— ocorre menos de dois meses após a última alta, em 11 de março, quando o litro do combustível ficou R$ 0,90 mais caro.

O que ajudou a frear o IPCA em abril, na comparação com março, foi a queda da energia elétrica, diz André Filipe Guedes Almeida, do IBGE. O grupo habitação (-1,14%) foi o único a apresentar variação negativa em abril, devido à queda nos preços da energia elétrica (-6,27%), devido às mudanças nas bandeira tarifária ocorridas naquele mês, explica o pesquisador.

A inflação, no entanto, se espalhou ainda mais no mês, com índice de difusão de 78,25%. Os produtos alimentícios tiveram difusão de 79% (ante 74% no mês anterior), já os não alimentícios, de 78%. A difusão de abril é a mais alta desde janeiro de 2003 (85,94%).

Nos itens de serviços, que avançaram 0,66% no mês, as passagens aéreas foram responsáveis pela maior pressão de preços (9,48%). Em 12 meses, os serviços avançaram 6,94% (ante 6,29% em março). "Temos um cenário de retomada de empregos e precisamos aguardar para ver como isso vai pesar nos próximos meses sobre a demanda por serviços", diz Almeida. "A alta de custos, principalmente de combustíveis e gás de botijão, tem influenciado mais na alta de inflação do que a alta de serviços."

No mês anterior, a inflação dos alimentos que fazem parte da cesta básica havia disparado no Brasil, superando a marca de 20% no acumulado de 12 meses, de acordo com um estudo de economistas da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

O levamento cita que a alta de preços veio em um contexto de pressões do clima adverso, do encarecimento dos custos de fretes e da Guerra da Ucrânia.

Maiores variações, no mês:

Batata inglesa - 18,28%

Morango - 17,66%

Maracujá - 15,99%

Couve-flor - 13,25%

Açaí - 11,73%

Maiores variações, em 12 meses:

Cenoura - 178,02%

Tomate - 103,26%

Abobrinha - 102,99%

Melão - 82,46%

Morango - 70,39%

"A perspectiva para os próximos meses é de desaceleração na inflação mensal, dada a continuação dos impactos do início da bandeira verde para energia elétrica e uma menor alta dos alimentos, por conta da sazonalidade favorável. No entanto, com a defasagem da gasolina acima de 20% nas refinarias, devemos observar algum reajuste para os próximos dias, com repasse para o consumidor", avalia Felipe Rodrigo de Oliveira, economista da MAG investimentos.

"Apesar do resultado bem próximo, é preciso destacar dois grandes desvios concentrados e antagônicos que se anularam. O primeiro é no item de higiene pessoal, que veio acima do esperado. Na contramão gasolina teve resultado mais baixo do que o projetado, visto que subiu 'apenas' 2,48%, frente à perspectiva de alta de 3,5%", diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Desde setembro passado, a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, está em dois dígitos no acumulado de 12 meses. O índice está bem distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) —que tem centro de 3,50% e teto de 5%.

O mercado já trabalha com essa perspectiva. O Credit Suisse, por exemplo, aumentou nas últimas semanas suas expectativas para a inflação ao consumidor do Brasil a 8,3% neste ano e 4,6% no próximo, citando as surpresas sucessivas em relação à disseminação da alta dos preços e previsão de um ambiente internacional mais desafiador.

O Citi, por sua vez, elevou a expectativa de alta do IPCA neste ano para 7,8%, com a percepção de deterioração persistente do cenário inflacionário e aposta em alta dos juros básicos para 13,25% até junho.

Já os analistas consultados pelo mais recente boletim Focus, do Banco Central, esperam que a inflação fique em 7,89% em 2022 —ante previsão anterior, de alta de 7,65%.

Caso as estimativas se confirmem, este ano vai ser o segundo consecutivo em que a meta de inflação é descumprida. Em 2021, o IPCA teve alta de 10,06%. Além disso, se estourar a meta em 2022, a inflação deste ano poderá contaminar também a do ano que vem.

Para evitar que isso ocorra, o Banco Central tem aumentado seguidamente os juros básicos. Na última reunião do Copom (Comitê de Políticas Monetárias), a taxa Selic foi elevada novamente em 1 ponto percentual, passando de 11,75% para 12,75% ao ano, maior patamar desde 2017.

Além disso, aumentou a expectativa de que a economia deve desacelerar. O Copom avalia que o aperto das condições financeiras cria um risco de desaceleração do crescimento econômico, mais forte que o antecipado nos próximos trimestres.

"Nos itens mais voláteis, continua se destacando o aumento do preço da gasolina, com impacto maior e mais rápido do que era previsto", disse o comitê, por meio de sua ata.

O BC também ressalta que os preços de serviços e de bens industriais se mantêm elevados e que os recentes choques ligados ao conflito no leste da Europa e à política chinesa de combate à Covid-19 levaram a um forte aumento nos componentes ligados a alimentos e combustíveis.

A alta dos preços que é sentida todos os dias pelos brasileiros é um tema caro ao governo de Jair Bolsonaro (PL), que deve tentar a reeleição em outubro.

O temor do presidente é que o impacto da ida ao supermercado e ao posto de gasolina pese na escolha do eleitor, e o governo tem atribuído as altas de preços a fatores externos —como as medidas de distanciamento na pandemia, a própria Guerra da Ucrânia e os aumentos de combustíveis feitos pela Petrobras.

Segundo uma pesquisa Datafolha publicada no fim de março, no entanto, 75% dos brasileiros responsabilizavam o governo Bolsonaro pela alta da inflação.

Por meio de perfis em redes sociais, como o Tik Tok e o Twitter, usuários também têm responsabilizado o governo pela carestia —termo que voltou ao vocabulário dos brasileiros nos últimos meses.

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