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Ineficácia de Bolsonaro na pandemia coloca Brasil na lanterna em ranking mundial

Percepção da maioria dos brasileiros entrevistados é que o governo não tomou ações suficientes para conter o avanço da pandemia no país. (Foto: Andre Coelho/Getty Images)

As ações do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia do novo coronavírus fizeram com que o Brasil obtivesse as duas piores avaliações em um ranking mundial que ouviu cidadãos sobre a forma como os seus governos responderam à Covid-19.

O retrato do Brasil nesse ranking é de um país cujo governo deu respostas parcialmente insuficientes ou totalmente insuficientes frente à pandemia, além de ter um governante que não fez o suficiente para restringir o deslocamento da população pelo país.

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Os resultados constam no Índice de Percepção da Democracia 2020 (DPI - Democracy Perception Index), um levantamento feito pela instituto de pesquisas alemão Dalia Research, que ouviu 124 mil pessoas de 53 países diferentes entre 20 de abril e 3 de junho deste ano. O foco da pesquisa é a respeito da percepção do regime democrático em que os cidadãos vivem em seus respectivos países, mas este ano foram acrescidas questões sobre a condução dos governos na luta contra a pandemia.

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Na pesquisa, 62% dos brasileiros ouvidos consideraram que a resposta dada pelo governo Bolsonaro diante da crise do novo coronavírus foi “um pouco insuficiente” (32%) ou “muito insuficiente” (30%). Já outros 26% consideraram “um pouco eficiente”, enquanto 8% avaliaram a atuação do governo como “muito suficiente”. Os demais 4% não souberam opinar.

O alto índice de insatisfação do brasileiro fez com que o país ficasse em último no ranking mundial nesse quesito. Junto do Brasil na derradeira do levantamento, aparecem o Chile (39%), a França (46%) e Espanha (50%). Já os países que obtiveram melhor avaliação China e Vietnã (95%), Grécia e Malásia (89%), Irlanda e Taiwan (87%).

Nesta terça, o número de casos do novo coronavírus no Brasil subiu para 923.189 e o total de mortes chegou a 45.241, segundo a atualização no painel atualizado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde). Somente nas últimas 24 horas, foram registrados mais 34.918 casos novos e 1.282 óbitos.

Atualmente, o Brasil ocupa a segunda colocação nos países com maior número de mortes e de casos confirmados da Covid-19, atrás somente dos Estados Unidos, que possui 2.137.604 infectados e já registrou 116.964 óbitos.

Questionados sobre as medidas restritivas adotadas pelo governo, 60% dos entrevistados afirmaram que as ações “foram insuficientes”, enquanto 24% consideraram como “na quantidade certa” e outros 11% avaliaram como “excessivas” as restrições. 5% dos entrevistados não souberam responder.

Os resultados da pesquisa foram compartilhados pelo economista e filósofo alemão Max Roser, diretor de pesquisa em economia da Universidade de Oxford, na Ingleterra, e fundador do Our World In Data (Nosso Mundo em Dados, em tradução literal), um portal que acompanha os dados e traduz em gráficos a evolução da pandemia no mundo.

CHINA MELHOR AVALIADA QUE EUA

A China, país de origem do vírus Sars-Cov-2, obteve uma melhor avaliação dos brasileiros sobre sua atuação no combate à pandemia da Covid-19 do que a praticada até agora pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos.

Questionados sobre as ações chinesas, 73% dos brasileiros entrevistados avaliaram o país positivamente, entre “muito bem” (33%) e “um pouco bem” (40%), enquanto outros 19% consideram que a China teve uma má atuação, entre “um pouco mal” (10%) e “muito mal” (9%). Outros 8% não souberam responder.

A resposta do governo norte-americano, entretanto, foi considerada positiva por 52% dos cidadãos brasileiros ouvidos, variando entre “muito bem” (12%) e “um pouco bem” (40%). Apontaram como uma má resposta dos EUA 38%, sendo “um pouco mal” (25%) e “muito mal” (13%). Os 10% restantes não opinaram.

Os resultados do DPI serão apresentados durante a Cúpula da Democracia de Copenhagen, na Dinamarca, no próximo dia 18, realizado pela Fundação Aliança pela Democracia, que terá entre seus palestrantes o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

VENEZUELA DENUNCIA BOLSONARO POR NEGLIGÊNCIA

Na segunda-feira (15), o governo da Venezuela denunciou Bolsonaro na ONU (Organização das Nações Unidas) acusando-o de negligência frente à pandemia.

A denúncia feita pelo regime de Nicolas Maduro partiu do embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada. Segundo a carta enviada ao secretário-geral da organização, António Guterres, a Venezuela classificou a atuação de Bolsonaro como irresponsável e destacou sua “negligência criminal” com a pandemia.

O embaixador venezuelano afirma na carta que o regime de Maduro tem tido “profunda preocupação” com o volume de casos confirmados de Covid-19 no Brasil, com destaque para os estados de Amazonas e Roraima, que fazem fronteira com a Venezuela.

O representante venezuelano na ONU elencou três “alarmantes atuações” do governo Bolsonaro durante a pandemia.

  • Negação da severidade da pandemia: citando os discursos feitos pelo presidente de que a doença era um “resfriadinho” ou uma “gripezinha”, além da ida de Bolsonaro e ministros à manifestação em Brasília no dia 18 de maio

  • Falta de uma política pública coerente para conter a pandemia: denunciando que o governo demitiu dois ministros da Saúde que apelaram que o bom senso que deve prevalecer contra calamidades como a provocada pela Covid-19. “É claro que estamos diante de um chefe de Estado e governo que intencionalmente impede, com abuso de autoridade, a salvação da vida de seu próprio povo”, diz Moncada

  • Ameaças ao multilateralismo: relembrando quando Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil da OMS (Organização Mundial da Saúde), a exemplo do que disse Donald Trump, nos Estados Unidos. “Hoje, mais do que nunca, essa pandemia mostrou que a solidariedade cooperação internacional e multilateral são essenciais, tanto para economizar vidas para proteger as realizações da humanidade nos últimos século”, completa o embaixador.