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Indústrias americanas querem contratação de adolescentes

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Togi, an 11th grade student at Wakefield High School, is seen at work in a fast food restaurant in Arlington, Virginia, on June 6, 2021. - When his father lost his job last year, Togi, then 16, did not hesitate to look for a job to help his family, despite the fear of Covid-19. In the United States, the pandemic has precipitated many high school students into the world of work, at the risk of jeopardizing their future. At best, these teenagers juggle school and odd jobs mainly in fast food restaurants, clinging to the idea of a better future. (Photo by Eric BARADAT / AFP) (Photo by ERIC BARADAT/AFP via Getty Images)
Togi, an 11th grade student at Wakefield High School, is seen at work in a fast food restaurant in Arlington, Virginia, on June 6, 2021. - When his father lost his job last year, Togi, then 16, did not hesitate to look for a job to help his family, despite the fear of Covid-19. In the United States, the pandemic has precipitated many high school students into the world of work, at the risk of jeopardizing their future. At best, these teenagers juggle school and odd jobs mainly in fast food restaurants, clinging to the idea of a better future. (Photo by Eric BARADAT / AFP) (Photo by ERIC BARADAT/AFP via Getty Images)
  • Leis de alguns estados contra trabalho infantil podem ser enfraquecidas para contratar adolescentes;

  • Republicanos querem permitir que adolescentes trabalhem mais horas;

  • Especialistas temem aumento do estresse e perda de sono entre os estudantes americanos;

Empregadores dos Estados Unidos estão recrutando trabalhadores adolescentes para resolver suas dificuldades de contratação e retenção de trabalhadores, e alguns republicanos e grupos da indústria estão pressionando por leis de trabalho infantil mais flexíveis para permitir que essas indústrias coloquem os adolescentes para trabalhar por mais horas, é o que revela a reportagem do jornal The Guardian.

Muitas empresas nos Estados Unidos que anunciaram a contratação de jovens de 14 e 15 anos durante a “escassez de mão de obra” da pandemia, e durante a "Grande Resignação", incluem vários restaurantes na Pensilvânia, e outras cadeias de fast foods pelo país, como no Burger King em Ohio e no McDonald's em Oregon. Empregadores como a rede de fast foods Chipotle expandiram os esforços de recrutamento este ano para tentar a contratação de trabalhadores mais jovens.

Outros restaurantes e empregadores, como parques de diversões e negócios sazonais nos Estados Unidos, têm apontado sua dependência de trabalhadores adolescentes com menos de 18 anos como uma solução para a falta de mão de obra no mercado. Um restaurante em Arkansas, observando que teve dificuldade para contratar e reter trabalhadores, recentemente se ofereceu para pagar a seus trabalhadores adolescentes por uma hora para fazerem suas lições de casa antes do turno de trabalho.

O emprego de adolescentes nos EUA aumentou para mais de 32% no verão de 2021, segundo dados revelados pela NBC, o que é o nível mais alto desde 2008. Além disso, pela primeira vez na história, a taxa de desemprego para jovens de 16 a 19 anos caiu abaixo da taxa de 20 a 24 anos de idade. 

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As situações, somadas com as preocupações com a escassez de mão de obra em meio a Grande Resignação tanto masculina quanto feminina, criaram um esforço de algumas autoridades eleitas - especialmente republicanos - para reduzir algumas regulamentações sobre o trabalho infantil. Três republicanos e um democrata no Senado estadual de Ohio apresentaram recentemente um projeto de lei para expandir as horas de trabalho dos menores de 16 anos no estado, das 19h às 21h durante o ano letivo, com a permissão dos pais ou responsáveis.

Em Wisconsin, os senadores estaduais republicanos aprovaram recentemente um projeto de lei que ampliaria as horas de trabalho permitidas para menores de 16 anos. De acordo com a lei atual, os menores estão autorizados a trabalhar das 7h às 19h do dia útil até 31 de maio, quando se iniciam as férias de verão e das 7h às 21h de 1 de junho nos dias úteis. O novo projeto expandiria esses horários e datas das 6h às 21h30 em um dia anterior as aulas e das 6h às 23h em um dia anterior a um dia sem aulas, e aumentaria o horário semanal de três horas durante uma semana de aulas para 18 horas.

Apoiadores do projeto de lei, que incluem legisladores republicanos, a Associação de Restaurantes de Wisconsin e outros grupos da indústria, argumentaram que o projeto poderia ajudar as pequenas empresas que estão enfrentando problemas de contratação e retenção de pessoal em alguns setores com escassez de mão de obra ao longo de 2021.

Os republicanos de Wisconsin aprovaram com sucesso vários projetos de lei na última década para enfraquecer as leis do trabalho infantil no estado, incluindo em 2011 a eliminação dos limites no número de horas e dias que menores de 16 e 17 anos poderiam trabalhar, eliminando autorizações de trabalho para jovens de 16 e 17 anos, além da substituição de todos os usos do termo “trabalho infantil” nos estatutos de emprego do estado pelo termo “emprego de menores” em 2017.

Membros de ONGs protestam contra a medida, como Stephanie Bloomingdale, presidente da AFL-CIO de Wisconsin, que se opõe ao projeto de lei, em entrevista ao The Guardian: “A aprovação deste projeto seria uma ladeira escorregadia para a eliminação das práticas de trabalho infantil em Wisconsin e nos Estados Unidos em geral”.

Grupos trabalhistas e trabalhadores caracterizaram as discussões sobre o trabalho no país como resultado de baixos salários, preocupações com a segurança da Covid-19, condições precárias de trabalho, além da falta de creches e licença médica remunerada em todos o país. Por outro lado, pesquisas científicas reveladas pelo The Guardian demonstraram que trabalhar muitas horas durante o ensino médio pode ter impactos acadêmicos e comportamentais negativos sobre os adolescentes.

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