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Com produção de R$ 1,3 trilhão, indústria brasileira é 'adolescente'

·6 minuto de leitura
Taken by Canon EOS 60D. Post processing Adobe Photoshop.
De acordo com dados mais recentes da CNI para o mercado de trabalho industrial, de 2019, a indústria abocanha 20,4% da participação em empregos formais

Se o setor da indústria no Brasil fosse uma pessoa, seria uma criança. Talvez um adolescente. Afinal, ainda que as primeiras atividades industriais brasileiras tenham acontecido no Brasil no período colonial, o setor demorou a se desenvolver no País quando comparado com outros mercados. Hoje, ainda carece de mais atenção e desenvolvimento, mas mostra cada vez mais como é uma peça fundamental da economia brasileira.

Leia também nossa série especial sobre pecuária:

Afinal, em 2020, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria abocanhou cerca de 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e registrou uma produção total de R$ 1,3 trilhão no mesmo ano. É um valor alto, mas não chega perto do que foi registrado em outros tempos. Em 1985, por exemplo, a indústria era responsável por 48% do PIB. Só caiu em 1995, quando a participação foi de 40% para cerca de 27%.

“Antes, o Brasil tinha um foco industrial muito forte por conta de taxações menores e incentivos fiscais para o estabelecimento de indústrias em nosso território”, diz o professor de economia e analista industrial, Ricardo Barata. “Isso foi se perdendo ao longo do tempo e, acima de tudo, a indústria acabou cedendo espaço na economia para o setor de serviços. Hoje, podemos dizer que estamos em uma crise complicada de identidade, acima de tudo”.

Detalhes da indústria

Atualmente, fica evidente que a indústria vem perdendo sua força no Brasil para outros setores, principalmente o de serviços e o agropecuário. No entanto, não é possível apenas ignorar o setor da roda da economia. Afinal, para se ter uma ideia, a cada R$ 1 produzido na indústria, são gerados R$ 2,43 na economia brasileira. Em contrapartida, a agropecuária gera apenas R$ 1,75 (ou seja, R$ 0,75 de ganhos) e o comércio e serviços, R$ 1,49.

Além disso, há outros números que chamam a atenção quando destrinchada essa participação de 20,4% da indústria no PIB. Também em 2020, a indústria foi responsável por 69,2% das exportações de bens e serviços, assim como 69,2% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Também influenciando na economia, 33% dos tributos federais vieram da indústria, enquanto o setor teve 31,2% da arrecadação previdenciária patronal.

Com isso, para especialistas, coloca-se uma pedra na questão se o Brasil precisa mesmo de uma indústria — afinal, países como Austrália e Chile abandonaram o setor. “Simplesmente não podemos empregar todos brasileiros apenas nas áreas de serviços, comércio e agropecuária”, diz o economista-chefe da CNI, Renato da Fonseca. “Nós precisamos, assim como nos Estados Unidos, de uma indústria mais forte e diversificada”.

Mercado de trabalho

De acordo com dados mais recentes da CNI para o mercado de trabalho industrial, de 2019, a indústria abocanha 20,4% da participação em empregos formais no Brasil. São 9,7 milhões de trabalhadores formais alocados apenas no setor industrial. A indústria também já teve outros momentos melhores nesse sentido, batendo 24,5% da participação no mercado de trabalho. Mas, mesmo em queda, continua sendo o segundo setor mais importante.

Hoje, a indústria também tem salários acima da média do Brasil. Paga uma média de R$ 7,8 mil para trabalhadores com ensino superior completo, enquanto a média do Brasil gira em torno de R$ 5,8 mil. Para trabalhadores com ensino médio completo, paga R$ 2,4 mil. Já no resto do Brasil, R$ 2,1 mil. “Quando a indústria vai mal, o Brasil vai mal”, diz Janaína Ribeiro, professora de técnico industrial. “Empregamos muito e fazemos todo o Brasil girar”.

Abaixo, confira por quais indústrias estão espalhados os quase 10 milhões de profissionais:

1. Alimentos: 16,4% dos empregados do setor industrial

2. Construção de edifícios: 9,1%

3. Serviços especializados para construção: 6,8%

4. Obras de infraestrutura: 6,5%

5. Vestuário e acessórios: 5,5%

6. Veículos automotores: 4,3%

7. Produtos de metal: 4,2%

8. Borracha e material plástico: 4,1%

9. Produtos de minerais não-metálicos: 3,7%

10. Máquinas e equipamentos: 3,4%

“Ainda é cedo pra dizer, mas acho que a pandemia vai dar uma sacudida na forma que os empregos estão distribuídos na indústria. O setor de veículos automotores deve ter caído, principalmente depois do fechamento da Ford. Acho que papel e celulose cresceu”, afirma o professor e pesquisador, Ricardo Barata. “Chegamos em um momento em que precisamos ampliar nossa indústria, capacitar o trabalhador e fazer o Brasil funcionar novamente”.

Perfil da indústria

Também de acordo com dados da CNI, a indústria hoje tem um perfil bem definido. A maioria das indústrias está em São Paulo (29,8%), seguido de Rio de Janeiro (11,4%) e Minas Gerais (10,9%). Ou seja: o sudeste é o “cinturão das indústrias” no País. Fora da região, há presença forte no Sul, com Paraná (7,1%), Rio Grande do Sul (6,8%) e Santa Catarina (5%). Destaque também para a Bahia (4,1%) e, enfim, para o Pará (3,5%).

Leia nossa série especial sobre agricultura:

Além disso, a grande maioria dessas empresas com foco no setor industrial são de micro e pequeno porte. São quase 449 mil desse tamanho, abocanhando 94,2% de todas as empresas do setor industrial. Já as médias empresas estão na casa dos 22 mil CNPJs, com 4,7% do setor. Já as grandes são apenas 1,1% das empresas totais, num total de 5 mil. Mas, no dinheiro, a coisa é diferente: as grandes abocanham 76,6% da produção industrial.

“Infelizmente, hoje, o espaço para um industrial pequeno crescer de forma consistente no Brasil é pequeno demais. Há impostos demais sobre a indústria, o que dificulta crescimento, contratação, formação”, diz a professora Janaína Ribeiro. “Afinal, precisamos entender que, hoje, o industrial brasileiro está competindo com o empresário chinês, com o produto que a Amazon traz para o Brasil sem custo, para a fabricação de chips que ocorre no Vietnã”.

Com isso, o setor acaba focando em certos setores. Confira, abaixo, os mais importantes:

1. Eletricidade, gás, água e outras utilidades: 14% de participação no PIB industrial

2. Alimentos: 9,3%

3. Extração de minerais metálicos: 9%

4. Construção de edifícios: 7,3%

5. Derivados de petróleo e biocombustível: 7,1%

6. Obras de infraestrutura: 6%

7. Serviços especializados para construção: 5%

8. Químicos: 4,7%

9. Metalurgia: 4%

10. Veículos automotores: 3,9%

“É preciso manter uma indústria dinâmica e diversificada, mas que estamos perdendo. Estamos nos concentrando em cadeias curtas, de alimento, madeira, celulose, papel. Mas nós precisamos de mais indústrias de automóveis e de eletrônicos”, diz Renato da Fonseca, economista-chefe da CNI. “Uma cadeia mais longa, por exemplo, acaba interagindo com dezenas de outras indústrias. Para fazer um automóvel, precisa da indústria de tecido, de couro, de plástico, de eletrônicos. Precisamos cada vez mais de indústrias assim no Brasil”.

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