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Indiciamento aumenta pressão sobre Maduro, mas não deve derrubá-lo, diz analista

Marsílea Gombata

Presidente da Venezuela foi formalmente acusado por narcotráfico e corrupção nos EUA O indiciamento do presidente Nicolás Maduro nos Estados Unidos aumenta a pressão sobre a Venezuela, mas dificilmente causará uma mudança de governo no país.

Nesta quinta-feira, os EUA acusaram formalmente o presidente venezuelano de envolvimento com narcotráfico e corrupção, oferecendo uma recompensa de até US$ 15 milhões por pistas que levem a ele.

Além de Maduro, foram indiciadas outras 14 autoridades do governo venezuelano, membros da inteligência do país e integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

Fernando Llano / Associated Press

“Domesticamente, não muda muita coisa. As autoridades indiciadas são as que detêm poder e controle sobre as instituições na Venezuela”, afirma Raul Gallegos, analista da consultoria Control Risks.

Segundo ele, os EUA querem transmitir a mensagem de que Maduro pode ter o mesmo futuro de Manuel Noriega, ditador do Panamá entre 1983 e 1989, acusado de tráfico de drogas.

“Mas, se os EUA realmente querem insinuar que Maduro pode terminar como Noriega, teriam de ter disposição de ir atrás de Maduro. E isso o governo de Donald Trump não está em condições de fazer, já que implica intervenção e uso de força.”

Isso porque a maior preocupação de Trump no momento é a eleição de novembro. Para Gallegos, o anúncio desta quinta ajuda a popularidade do presidente com o eleitorado de imigrantes venezuelanos na Flórida.

“Mas usar a força vai além e, se não der certo, pode vir a ser um problema antes da eleição para Trump.”