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Indicadores do mercado de trabalho da FGV acendem ‘sinal amarelo’

Alessandra Saraiva

Retomada lenta da economia e incerteza levaram ao quadro, que pode piorar quando captar as notícias mais recentes sobre o avanço do coronavírus Dois indicadores divulgados hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV) acenderam “sinal amarelo” para o emprego no país, segundo o economista da fundação, Rodolpho Tobler.

Após subir 2,4 pontos em janeiro, o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) caiu 0,3 ponto entre janeiro e fevereiro, para 92, na pior queda desde outubro do ano passado (-1,3 ponto). Ao mesmo tempo, o Índice Coincidente de Desemprego (ICD) caiu 0,6 ponto, para 91,9 pontos – sendo que, em janeiro, já tinha caído 2,8 pontos.

A lenta retomada na economia e a maior incerteza em fatores que influenciam a atividade levaram ao resultado, segundo o economista – que não acredita em reversão do quadro em breve. Isso porque o indicador não captou as mais recentes notícias sobre o avanço do novo coronavírus no Brasil e no mundo, que impactam diretamente o movimento de circulação de pessoas, e com isso, o consumo. “Minha opinião é que é muito difícil imaginar melhora expressiva do IAEmp em março”, afirmou ele.

O economista comentou que o recuo no IAEmp sinaliza que o empresariado já mostrava cautela com o cenário do mercado de trabalho nos próximos meses. A preocupação com o andamento das reformas administrativa e tributária e as turbulências no cenário externo conduziram a um grau de incerteza elevado na economia, comentou o técnico.

Mas o avanço do novo coronavírus é um choque que pode afetar fortemente a trajetória do IAEmp, admitiu ele. O especialista comentou que não há no momento certeza completa se a doença pode ser um choque passageiro ou uma pandemia mais grave.

Essa ausência de visibilidade de quando o cenário de contaminação com a nova doença poderia parar de se alastrar vai derrubar o IAEmp num primeiro momento, admitiu ele. “Se estivéssemos em um momento mais normal, essa queda do indicador seria mais uma acomodação. Mas, dado esse aumento no número de casos [da doença], não podemos mais considerar isso”, disse, acrescentando que o novo coronavírus deve elevar mais ainda a cautela do empresariado quanto ao futuro, e “prejudicar” a trajetória do IAEmp nos próximos meses.