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Indicado por Bolsonaro ao STF, Kassio Marques já foi alvo de 33 representações no CNJ

João de Mari
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Kassio Nunes Marques apontou a produtividade como uma de suas características (Foto: Ramon Pereira/Ascom-TRF1)
Kassio Nunes Marques apontou a produtividade como uma de suas características (Foto: Ramon Pereira/Ascom-TRF1)

O desembargador Kassio Nunes Marques, nome escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ser o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), já foi alvo de 33 representações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, 32 foram motivadas por atraso nos processos e, em uma das representações, o motivo teria sido falha disciplinar.

Os processos no CNJ contrariam falas dos ministros do governo sobre a “agilidade” de Marques no julgamento de ações, uma das funções que irá desenvolver com o cargo no Supremo e, segundo ele próprio, uma de suas características. Marques chegou a afirmar, em entrevista ao Anuário da Justiça Federal de 2019, que proferia mais de 600 decisões por dia.

Segundo o Estadão, são 32 processos abertos contra Marques referentes a atrasos em julgamentos. No entanto, dois deles correm em sigilo, sendo um administrativo disciplinar.

Em alguns casos, o CNJ determinou que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde o desembargador atua, tome providências para resolver os problemas relacionados à demora nos julgamentos.

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Bolsonaro confirmou, nesta quinta-feira (1), a escolha de Marques para assumir a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Celso de Mello, prevista para o próximo dia 13 de outubro. “Sai publicada amanhã, no Diário Oficial da União, temos pressa nisso, o nome do Kassio Marques para a nossa primeira vaga no STF”, afirmou Bolsonaro em uma live.

Durante live, onde confirmou a nomeação do desembargador ao STF, Bolsonaro defendeu Marques e citou o nome do ex-ministro da Justiça Sergio Moro – hoje seu desafeto político – ao indicar que ele não apoiaria as causas defendidas por seu governo.

"Você que está duvidando de mim ainda. Do ano passado até abril desse ano, vocês não o Sergio Moro para o Supremo, não é isso? E me ameaçavam no Facebook, 'se não for o Sergio Moro para o Supremo, acabou!' Agora você quer que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro? Responda aí", desafiou o presidente. "Você quer o Sergio Moro para o Supremo? Será que vai ser um ministro leal a nossas causas? Será que vai ser aprovado pelo Senado Federal?", concluiu.