Indústrias não têm espaço para mais dívidas, diz CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira um estudo indicando que 37% das empresas industriais não possuem mais espaço para endividamento. Entre as indústrias que buscam crédito, quase a metade (47%) reclama da falta de linhas adequadas à necessidade da empresa. Essas conclusões aparecem em uma nova "Sondagem Industrial" da CNI, que apresenta uma análise detalhada do quadro de endividamento do setor e opiniões sobre taxas de juros e condições de acesso ao crédito.

A pesquisa apurou que 69% das indústrias têm algum tipo de endividamento. Dentro desse grupo que disse ter dívida, 16% consideram estar acima do limite de endividamento; 37% estão no limite e 47%, abaixo do limite. Conforme explica a confederação, isso significa que, entre as empresas endividadas, 53% não possuem mais espaço para aumento do endividamento. E isso, ao final, representa 37% do total das empresas do setor. Ou seja, quatro em cada dez indústrias não podem mais se endividar.

A informações que subsidiaram a elaboração desta nova "Sondagem Especial" da CNI foram coletadas entre os dias 2 e 13 de julho deste ano, com consultas a 2.383 empresas (849 pequenas, 937 médias e 597 grandes), envolvendo as indústrias de transformação, extrativa e da construção. O estudo verificou, também, que 18% das empresas industriais não têm atualmente nenhum tipo de endividamento. Parcela de 13% não respondeu. O trabalho que focou na indústria da construção foi realizado em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A pesquisa apurou também o cenário sobre a obtenção de crédito no segundo trimestre de 2012. O principal entrave apontado pelos industriais foi a falta de linhas adequadas à necessidade da empresa (47%). Em segundo lugar ficou a exigência de garantias reais (44%). A terceira posição entre os problemas na contratação de empréstimos foi a exigência de documentos e renovação de cadastros (39%).

Considerando somente o segundo trimestre de 2012, 30% das empresas não solicitaram crédito. Mas entre as que tiveram o crédito aprovado, 30% afirmam que esse valor foi menor do que a empresa precisava. Parcela de 57% indicou que os valores foram iguais aos que a empresa necessitava. Para 13%, os valores concedidos foram maiores.

A pesquisa aponta ser o capital próprio a maior fonte de financiamento das indústrias (69%). Em segundo lugar ficaram os empréstimos bancários (56%) e, na sequência, o crédito de fornecedores e de clientes (35%). A captação externa de recursos é utilizada por somente 4% das companhias industriais. Fatia de 3% recorre ao mercado não bancário.

Em relação aos juros, os empresários industriais avaliaram que as taxas de juros estavam em julho menores, iguais ou maiores às de três meses antes. Não opinaram 30% das empresas sobre as taxas de longo prazo e 27% sobre as de curto prazo. Entre as que opinaram, a percepção é de retração nas taxas de juros: 45% perceberam queda nas taxas dos financiamentos de longo prazo e 43% apontaram redução nas taxas dos empréstimos de curto prazo.

Em relação aos prazos dos empréstimos e financiamentos aprovados neste ano, em comparação aos de 2011, há um equilíbrio entre os que consideram os prazos mais longos e os que consideram mais curtos. Para 72% os prazos de 2012 são iguais aos do ano passado. Para 14% os prazos estão maiores, e para outros 14% os prazos estão menores.

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