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Indústria de São Paulo tem a maior queda da história com coronavírus

NICOLA PAMPLONA
*ARQUIVO* ITAPEVI, SP, 09.06.2015: Linha de produção da Eurofarma em Itapevi, SP. (Foto: Fabio Braga/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A produção industrial recuou em 13 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em abril, mês em que o setor teve o pior desempenho da história, com queda de 18,8%. Em São Paulo, que concentra 34% da indústria nacional, a queda foi de 23,2%, também a maior da série histórica.

No mês, apenas Goiás e o Pará se salvaram do tombo, recuperando-se de um março ruim. O primeiro teve alta de 2,3% em abril, depois de recuo de 2,5% em março, puxado pela produção de alimentos e de produtos farmacêuticos. No segundo, a produção de minério levou a uma alta de 4,9%.

Com lojas fechadas desde o final de março, a indústria não vem recebendo encomendas e, por isso, reduziu a produção em diversos setores. Só vêm se salvando os setores relacionados a farmácias, alimentos e produtos de limpeza.

Segundo o IBGE, o recuo na indústria paulista foi provocado por cortes na produção de veículos e de máquinas e equipamentos. É o terceiro mês consecutivo de queda na produção industrial do estado, acumulando um recuo de 27,9% no período.

Também com uma indústria automotiva forte, Paraná e Rio foram o segundo e o terceiro estados com maior contribuição no resultado negativo de abril, com quedas de 28,7% e 13,9%, respectivamente.

Apesar da série de medidas anunciadas pelo governo para tentar evitar demissões, a crise já tem impactos no emprego do setor. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), a indústria brasileira fechou 128 mil vagas formais em abril.

O Brasil teve sua primeira morte pela Covid-19 em 17 de março. A partir de então, medidas restritivas passaram a ser adotadas pelo país. Só permaneceram abertos serviços considerados essenciais, como supermercados e farmácias, o que mudou a forma de consumir da população.

No primeiro mês da pandemia, a indústria já havia recuado 9,1%, no pior resultado desde a greve dos caminhoneiros de maio 2018, que paralisou o país por duas semanas. Em junho daquele ano, porém, a indústria recuperou a produção paralisada, o que não se vê no cenário atual.

A retomada do comércio em alguns estados já vem melhorando o humor dos mercados financeiros, mas ainda não representou aumento de encomendas para a indústria, já que as lojas ainda têm estoques e as vendas estão abaixo do normal.

A indústria aguarda a reabertura em São Paulo e no Rio, os dois principais estados consumidores. No primeiro, o interior já começa a reabrir, mas ainda não há previsão de reabertura na capital. No Rio, a capital também permanece com a maior parte do comércio fechada.

O resultado da indústria em abril, primeiro mês com quatro semanas de isolamento em grande parte do país, reforça as expectativas de que o tombo do PIB no segundo trimestre será bem superior aos 1,5% verificados no primeiro trimestre.

Nesta segunda, o Banco Mundial divulgou revisão de suas estimativas de crescimento da economia global, levando o Brasil de um crescimento de 2% para um recuo de 8%, superior à média mundial, que deve ser de 5,2%.