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Indústria de máquinas agrícolas deve crescer 5% no ano, apesar da falta de peças

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***ARQUIVO*** BRASILIA, DF,  BRASIL,  15-05-2020:Colheita de Milho. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASILIA, DF, BRASIL, 15-05-2020:Colheita de Milho. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A pandemia da Covid-19 provocou a escassez de componentes importados para a fabricação de máquinas agrícolas no país e a guerra no Leste Europeu fez com que indústrias suspendessem as exportações para Rússia e Belarus. Apesar desses fatores, a previsão do setor é que as vendas cresçam 5% neste ano.

Com as feiras agrícolas já realizadas no início deste ano batendo recordes de faturamento, fabricantes de colheitadeiras, tratores e pulverizadores apostam no planejamento e gestão do agricultor brasileiro para superar as dificuldades do ano.

Problemas logísticos que já faziam parte da rotina do setor ficaram mais evidentes com a guerra, como congestionamento de portos, falta de contêineres, atrasos de navios, fretes pressionados e alterações de rotas aéreas.

Na John Deere, o cenário de abastecimento e produção "segue muito desafiador", segundo Marcelo Lopes, diretor de vendas da marca no país.

Diretor de vendas da Valtra, Alexandre Vinicius de Assis disse que o fornecimento de máquinas permanece instável, impactado pela escassez de matéria-prima nos últimos dois anos em decorrência da pandemia. Ele afirmou ainda que a marca tem feito um trabalho contínuo junto aos fornecedores para equalizar a situação.

"Temos a perspectiva de que, no decorrer do segundo semestre, tenhamos esse cenário mais equilibrado. Por isso também alertamos para a importância de o produtor programar o investimento em tecnologia, fazendo um bom planejamento para a aquisição de máquinas e não aguarde o momento do plantio ou da colheita."

Sobre os impactos da guerra, Assis afirmou que há preocupação com aumento de custos de produção e disponibilidade de insumos, especialmente diesel e fertilizantes.

Na Case, o vice-presidente Christian Gonzalez disse que a guerra complicou ainda mais um cenário que já era complicado.

"O problema da guerra vai impactar mais o meu cliente, principalmente a agricultura, as usinas. Há a questão de fertilizantes", disse. "A gente está sofrendo mas por outros motivos, Covid, falta de mão de obra externa, excesso de demanda."

A preocupação de Eduardo Kerbauy, diretor de Mercado Brasil da New Holland Agriculture, é que Rússia e Ucrânia são grandes produtores globais de paládio e gás neônio, matérias-primas usadas em semicondutores.

"O prolongamento do conflito militar pode impactar a produção de uma forma importante, mas ainda não é possível avaliar isso. Por sermos uma empresa multinacional, nos beneficiamos de acordos globais com fornecedores de sistemas vinculados à cadeia de semicondutores, o que nos permite ter algum estoque", disse.

Apesar das dificuldades, fabricantes estimam que o mercado cresça neste ano. Entre os fatores que convergem para essa aposta, de acordo com o setor, estão o fato de o produtor rural vir de boas safras no ano passado, com boa produtividade e rentabilidade positiva para investir e incluir mais tecnologia aos negócios.

"O mercado brasileiro de máquinas e equipamentos agrícolas está aquecido, com expectativa de crescimento de 5% em 2022, e a Agrishow deve refletir esse momento", disse Eduardo Nunes, diretor de marketing da Massey Ferguson para a América Latina.

A Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), principal referência no agronegócio brasileiro, começa nesta segunda-feira (25) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), depois de não ter sido realizada nos dois últimos anos devido à pandemia.

O evento, que seguirá até sexta (29), tem previsão de reunir 150 mil visitantes brasileiros e estrangeiros.

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