Indústria critica, mas comércio aprova decisão do BC de manter juros em 7,25%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de manter a Selic em 7,25% ao ano, é insuficiente para promover uma recuperação da economia. Já o comércio aprovou a decisão, justificando que tal medida reflete a preocupação do governo em dar continuidade à política de expansão do crédito no Brasil.

Leia também:
Para sindicalistas, BC perde chance de forçar juro menor


Em nota, distribuída na noite desta quarta-feira em seguida ao anúncio da taxa básica de juros, a CNI afirma que "o ambiente de baixa atividade econômica requer taxas de juros em níveis mais baixos e por um longo período".

Além disso, a confederação alerta que a política de juros baixos deve ser complementada por medidas que promovam o aumento da competitividade das empresas e garantam a retomada da atividade econômica. Entre as medidas defendidas pela CNI estão redução dos custos de produção, revisão dos gastos do governo e aumento de investimentos públicos.


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) considera que há espaço para novos cortes de juros. De acordo com a instituição, há muito dinheiro no País "procurando oportunidades e o Brasil tem que escolher o caminho do seu crescimento". A Fiesp acredita que novas quedas na Selic acontecerão ao longo do ano, mas avalia que o governo precisa "aumentar a competitividade da economia e destravar o investimento".

"O governo tem que avançar na redução da carga tributária sobre a produção, redução da burocracia e custo do crédito, além da melhoria da infraestrutura", afirmou o presidente da instituição, Paulo Skaf, em nota distribuída à imprensa. De acordo com ele, para alcançar maiores níveis de investimento é preciso também "acelerar a execução de obras públicas e regulamentar concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), sem tolher a iniciativa privada".

Comércio

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aprovaram a decisão tomada pelo Banco Central, na noite desta quarta-feira, de deixar a taxa básica de juros em 7,25% ao ano. Em nota, as instituições afirmam que, para o setor varejista, a manutenção da taxa Selic em um piso histórico era prevista e reflete a preocupação do governo em dar continuidade à política de expansão do crédito no Brasil.

"A decisão do Banco Central mostra que a taxa de juros não deve ser usada como remédio para conter a inflação neste ano. O governo deve trabalhar com outras ferramentas para controlar os preços, como a valorização da taxa de câmbio e a desoneração tributária", declarou o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, no texto distribuído à imprensa.

Para a CNDL, um possível aumento da taxa básica para frear a inflação, como especulavam alguns analistas, só iria inibir os investimentos da iniciativa privada. "Elevar os juros para conter a alta dos preços reduz investimentos e uma possível expansão do crédito, peça-chave para fomentar o consumo", defende Pellizzaro Junior.

ACSP

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) considera que a decisão do Copom reflete uma atitude de cautela da autoridade monetária. "Os indicadores do nível de atividade e a continuidade do cenário de incerteza que poderiam explicar uma redução da taxa, mas, de outro lado, as pressões inflacionárias recentes parecem justificar a decisão de manter a Selic no mesmo patamar", disse em comunicado o presidente da instituição, Rogério Amato.

"É preciso aguardar a ata da reunião para se ter uma ideia clara da visão da autoridade monetária sobre a situação da economia brasileira", completou Amato. O documento sobre a reunião será divulgado na quinta-feira da próxima semana (24).

FecomercioSP


Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Copom agiu de forma acertada devido ao momento econômico. Para a entidade, a decisão é "razoável" porque não haveria mais espaço para redução da taxa básica de juros enquanto a inflação permanecer acima do centro da meta de inflação (4,5%) e o cenário internacional continuar incerto. "O entrave é que o BC não pode, ao mesmo tempo, mirar na inflação, no custo da dívida pública e no estímulo à economia", observou a entidade.

Dentro desse cenário, a FecomercioSP avaliou que é "provável" uma elevação da taxa básica de juros em 2013 e que ao fim do ano esteja entre 8,5% e 9%. A federação destaca que a elevação talvez seja necessária para não deixar o IPCA (índice de referência do sistema oficial de meta inflacionária) escapar do controle. Na visão da entidade, quanto mais o BC demorar em comunicar sua real preocupação com a inflação, mais custoso será o controle desse problema.

Carregando...