Mercado fechará em 1 h 54 min

Indústria cresce 0,2% no 4º tri e 0,5% no ano, mas extrativa tem pior resultado desde 2016

Anaïs Fernandes, Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva

Sob efeito de desastre em Brumadinho, segmento extrativo recuou 1,1% em 2019, mostra IBGE; fatia da indústria de transformação tem mínima recorde O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria teve expansão de 0,2% no quarto trimestre de 2019, na comparação ao terceiro trimestre, feitos os ajustes sazonais, conforme dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mediana das estimativas apuradas pelo Valor Data apontava alta de 0,3% do PIB industrial no quarto trimestre, frente aos três meses anteriores.

Economia brasileira cresce 1,1% em 2019, aponta IBGE

Construção tem 1ª alta desde 2013 e cresce 1,6% em 2019, mostra IBGE

Formação Bruta de Capital Fixo recua 3,3% no 4º trimestre ante o 3º

Agropecuária tem pior desempenho no PIB desde 2016, aponta IBGE

Com o resultado, o setor fechou o ano acumulando crescimento de 0,5% no PIB.

Dado Galdieri/Bloomberg

Em comparação ao quarto trimestre de 2018, o PIB industrial cresceu 1,5%, em linha com a expectativa.

Na metodologia do PIB, a indústria engloba, além da transformação e extrativo, a construção civil e a produção e distribuição de energia e gás.

No terceiro trimestre, a indústria havia crescido 0,8% frente aos três meses anteriores, dado que não foi revisado.

Indústria extrativa

Com o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG), ocorrida no fim de janeiro, a indústria extrativa recuou 1,1% em 2019 contra o ano anterior, o pior resultado dentro do PIB desde 2016 (-1,2%).

Bruno Correia/Nitro via AP

No quarto trimestre de 2019, a indústria extrativa mostrou alta de 0,9% em comparação ao terceiro trimestre, contribuindo para recuperar parte das perdas do ano.

No primeiro trimestre, o setor havia registrado baixa de 5,9%, dado revisado de recuo de 6,1% anteriormente divulgado, frente ao quarto trimestre de 2018.

Fatia da indústria de transformação em mínima recorde

A participação da indústria de transformação no PIB atingiu no ano passado o menor nível da série histórica do IBGE, iniciada em 1996: 11%. Em 2018, essa fatia era de 11,4%.

No melhor momento da série, em 2004, a indústria atingiu 17,8% do PIB, segundo dados do IBGE.

O pesquisador Paulo Morceiro, especializado no setor, que usa uma série histórica mais longa, afirma que esta é a menor participação da indústria no PIB desde 1947.

O setor vem em crise constante há vários anos e em 2019 levou um baque com a recessão da Argentina, país que é um dos principais destinos da produção manufatureira brasileira. A pífia recuperação da economia, que cresceu apenas 1,1% em 2019, também contribuiu para o resultado.

O PIB da indústria de transformação ficou praticamente estável (+0,1%) no ano passado, depois de dois anos positivos em 2018 (+1,5%) e 2017 (2,3%). Os três anos anteriores a 2017, contudo, foram de quedas expressivas do produto industrial.

Mudança de padrão em relação a 2018

A taxa de crescimento da atividade industrial em 2019, de 0,5%, foi a mesma observada em 2018. Mas o que contribuiu para o saldo positivo da indústria no ano passado foi bem diferente do observado em 2018, afirmou Rebeca Palis, chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE.

Diferente do que ocorreu em 2018, a atividade extrativa não contribuiu positivamente para o PIB, pelo contrário. Devido ao desastre de Brumadinho (MG) em janeiro do ano passado, cujo rompimento da barragem da Vale levou à suspensão de várias unidades de produção da empresa ao longo do ano passado, a atividade extrativa caiu 1,1% em 2019 ante o ano anterior.

Em contrapartida, aumentos em produtos e distribuição e eletricidade gás e água (1,9%); construção (1,6%) e indústria da transformação (0,1%) ajudaram a manter saldo positivo na atividade industrial no ano passado. A técnica chamou atenção para o fato de que construção teve o primeiro resultado positivo em cinco anos, no ano passado, puxado principalmente por empreendimentos imobiliários residenciais – e não infraestrutura, frisou ela. Ao mesmo tempo, indústria da transformação manteve-se estagnada, mas não caiu, notou ela, impulsionada por produtos de metal, derivados de petróleo, alimentos e bebidas, e minerais não metálicos.

Um aspecto observado pela especialista é o fato de que, com boa performance em construção, isso na prática até ajudou segmentos fora da área industrial – como atividades imobiliárias, por exemplo, influenciadas por bons resultados em empreendimentos residenciais e com alta de 2,3% em 2019 ante 2018, dentro do PIB de serviços.

“Podemos dizer que,apesar de a indústria ter ficado igual, a composição do crescimento da indústria foi diferente”, notou ela.