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Indústria de calçados espera crescer de 2% a 2,5% neste ano

Cibelle Bouças

Presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira diz que o setor conta com uma demanda mais aquecida no mercado doméstico As indústrias brasileiras de calçados esperam um crescimento de 2% a 2,5% em volume de produção neste ano, mesmo ritmo de 2019, informou nesta terça-feira a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

De acordo com o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o crescimento virá de uma demanda mais aquecida no mercado doméstico, que representa 85% das vendas do setor. No ano passado, a produção foi impulsionada pelas exportações.

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No mercado doméstico, medidas como redução do ICMS para calçados em São Paulo e Rio Grande do Sul — dois dos maiores polos de produção do país — e a liberação do FGTS devem ajudar as vendas em 2020.

Exportações

Em 2019, as vendas externas de calçados cresceram 0,9% em volume, para 114 milhões de pares, e recuaram 0,9% em dólares, para US$ 967 milhões. Em reais, o crescimento foi de 7%.

O Brasil foi favorecido pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, que levou o varejo americano a buscar outros países para a compra de calçados. As exportações do Brasil para os EUA cresceram 10,5% em volume, para 11,9 milhões de pares, e 18,4% em valor, para US$ 197,5 milhões.

Luis Ushirobira/Valor

Ferreira estima que os EUA seguirão como o principal destino das exportações brasileiras de calçados em 2020.

Já os embarques para a Argentina devem continuar gerando problemas. Em 2019, a crise argentina prejudicou as vendas para o país, que caíram 15% em volume, para 10 milhões de pares, e 24,7% em valor, para US$ 105,2 milhões.

Na última sexta-feira, entrou em vigor um decreto argentino que alterou o prazo das licenças não automáticas para importação de uma série de produtos brasileiros, incluindo calçados. O prazo de autorização para a entrada do produto baixou de 180 para 90 dias.

“É mais um complicador para as exportações de calçados, mas não chega a ser surpresa, pois quando assumiu o novo governo, de viés mais protecionista, sabíamos que poderiam voltar essas dificuldades”, diz Ferreira.

Importações

O presidente da Abicalçados também diz que as importações devem seguir em expansão pelo menos neste primeiro mês de 2020.

A China, que enfrenta dificuldades para exportar seus calçados para os EUA, está desovando estoques em outros mercados, incluindo no Brasil. Essas exportações chinesas redistribuídas chegam a US$ 420 milhões, de acordo com a entidade.

No ano passado, as importações de calçados cresceram 6% em 2019, para 28,17 milhões de pares. Em valor, houve aumento de 7,6%, para US$ 373,9 milhões.

Mesmo com a aplicação da tarifa antidumping de US$ 10,22 por par importado, a China foi o terceiro maior exportador de calçados para o Brasil. No ano, as importações da China cresceram 12,5% em volume, para 8,33 milhões de pares, e 33,3% em valor, para US$ 48 milhões.

“Pelo menos em janeiro ainda vamos ver aumento das importações de produtos vindos da China”, afirma Ferreira.

A tarifa antidumping sobre os calçados da China terá validade até março de 2021. Segundo o executivo, hoje o custo por hora para se produzir um calçado no Brasil é de US$ 4, ante US$ 2,58 na China e US$ 0,98 na Índia.

“Enquanto não baixar o custo Brasil vai ser muito difícil para o setor se manter competitivo sem tarifa antidumping”, diz ele.

Para 2021, a Abicalçados avalia a possibilidade de pedir o estabelecimento de uma nova regra para aplicação da tarifa antidumping, podendo incluir países que também produzem calçados a preços muito abaixo da média do mercado e hoje não estão contemplados, como Indonésia, Índia e Vietnã.

No ano passado, a principal origem das importações foi o Vietnã, com 12 milhões de pares vendidos ao Brasil pelo total de US$ 187,54 milhões, o que representou quedas de 0,9% em volume e de 2,6% em valor.

As importações da Indonésia cresceram 15% em volume, para 4,77 milhões de pares, e 17,6% em valor, para US$ 76,86 milhões.