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Indústria do Brasil desacelera atividade em dezembro, diz IHS Markit

Valor

O Índice Gerente de Compras (PMI) do setor industrial brasileiro recuou para 50,2 pontos em dezembro, de 52,9 em novembro, segundo a consultoria IHS Markit. O dado, sazonalmente ajustado, indica uma “melhoria mais fraca nas condições de negócios no atual período de cinco meses de crescimento”.

“Embora o setor industrial do Brasil tenha continuado a se expandir no final de 2019, as taxas de crescimento de novos pedidos e da produção diminuíram nitidamente. Dezembro também observou um retorno aos cortes de empregos e à queda mais acentuada nas exportações em mais de uma década. A inflação de custo de insumos aumentou um pouco, devido à depreciação do real, mas as empresas se mostraram relutantes em repassar as cargas de custos aos clientes devido às condições contidas da demanda. Um aspecto positivo foi que o otimismo em relação aos negócios se fortaleceu e atingiu um recorde de alta de 11 meses”, diz o relatório.

O subsetor de bens de capital foi o principal obstáculo para o aumento do índice básico, segundo a consultoria, ao registrar a primeira deterioração em um ano, em meio a contrações sólidas nos volumes de vendas e de produção.

O crescimento foi mantido nas categorias de bens de consumo e de bens intermediários, nas quais tanto o volume de produção quanto a quantidade de novos trabalhos se expandiram em dezembro.

O volume consolidado da produção industrial aumentou pelo quinto mês consecutivo, embora pela taxa mais fraca nesse período, diz a IHS. Algumas empresas sugeriram, na pesquisa, que a quantidade mais elevada de vendas impulsionou a produção, mas outras reduziram as fabricações devido à demanda mais fraca por seus produtos.

“O volume total de novos negócios se expandiu por uma fração em dezembro, com a recuperação sendo a mais fraca no atual período de sete meses de crescimento. O crescimento foi, em parte, contido por vendas mais baixas para os mercados internacionais”, diz o documento.

O volume de novos pedidos para exportação diminuiu ao ritmo mais acentuado desde o início de 2009. As evidências indicaram uma demanda fraca por parte dos clientes na América Latina, especialmente da Argentina e do Chile.

Já a ausência de novos projetos levou os produtores de mercadorias a se concentrarem na conclusão de seus negócios pendentes. Os pedidos em atraso se contraíram a uma taxa acentuada, a mais rápida desde meados do ano.

A capacidade ociosa impediu que as empresas criassem empregos em dezembro. O nível de empregos no setor industrial caiu pela primeira vez desde julho, embora ligeiramente. As empresas também reduziram as compras de insumos, encerrando, assim, uma sequência de quatro meses de expansão”, diz a IHS Markit.

Por outro lado, as empresas preveem tempos melhores pela frente, com o grau de otimismo melhorando e atingindo um recorde de alta de 11 meses, segundo o relatório. O sentimento positivo resultou de previsões de ganhos de novos negócios, investimentos mais elevados, um clima econômico favorável e campanhas de marketing, diz a consultoria.