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Incerteza volta a subir com riscos da 2ª onda de Covid, diz FGV

Josue Leonel
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A incerteza em relação à economia brasileira está próxima do maior nível desde o início de setembro com o receio de que a segunda onda da Covid-19, já instalada na Europa e nos EUA, possa desacelerar a retomada global e obrigar o Brasil a manter gastos públicos elevados.

“Os últimos movimentos de piora da incerteza têm a ver tanto com a pandemia quanto com o risco fiscal”, diz Anna Carolina Gouveia, economista responsável pela análise do índice de incerteza da Fundação Getúlio Vargas. Calculado diariamente com base nas informações dos sete dias anteriores, o índice se baseia nas menções do termo “incerteza” na mídia e na dispersão das expectativas sobre câmbio, inflação e taxa Selic na pesquisa Focus.

O aumento da preocupação com risco fiscal capturado pelo índice nos últimos meses foi realçado pela discussão sobre a possibilidade de descumprimento do teto de gastos, diz a economista. Mais recentemente, a percepção de paralisia das reformas, diante da proximidade da eleição municipal e da disputa pelo comando na Câmara e Senado, agravou o cenário.

“Temos uma paralisia no Congresso e não se sabe o que se será feito em questões como o auxílio emergencial e o teto de gastos”, diz Anna Carolina.

Segundo ela, a pandemia, que levou ao aumento de gastos este ano, também agrava as incertezas fiscais para 2021. Isso porque, se o Brasil for atingido por uma 2ª onda da Covid, os gastos com o auxílio podem continuar, ao mesmo tempo que novas medidas de isolamento poderiam interromper a retomada do crescimento.

“A incerteza fiscal também é influenciada pela pandemia”, diz a economista da FGV.

Caso o Brasil seja atingido por uma segunda onda da Covid-19, o governo vai gastar, mas num patamar menor que o observado na primeira onda, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o evento Bloomberg Emerging + Frontier Forum 2020 na terça-feira.

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