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Incerteza política e questão fiscal voltam a puxar Bolsa para baixo

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira voltou a cair nesta segunda-feira (23), contaminada pelas incertezas em relação ao ambiente político e fiscal no cenário doméstico. Sem forças para acompanhar o bom humor dos mercados internacionais, o Ibovespa, principal índice acionário do país, encerrou em queda de 0,49%, aos 117.471 pontos.

Na última sexta-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) protocolou um pedido de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.

Segundo o analista da Clear Corretora Rafael Ribeiro, além dos ruídos gerados no campo político e do aumento da tensão na relação entre Executivo e Judiciário, o pedido protocolado pelo presidente também pode ter impactos no Legislativo e travar ainda mais a agenda econômica.

"O aumento da tensão pode tornar ainda menor a disposição dos senadores em avançar com o projeto de lei que trata da reforma do Imposto de Renda, texto que já vem enfrentando dificuldades mesmo com os esforços dos presidentes da Casa. Além disso, também há as discussões sobre a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] dos Precatórios, que, segundo o próprio governo, é fundamental para os planos do governo", afirmou.

Representantes de 24 estados e do Distrito Federal se reuniram nesta segunda-feira (23) para debater sobre o ocorrido e decidiram solicitar uma audiência com Bolsonaro na tentativa de diminuir a tensão entre os poderes.

As incertezas em relação ao Orçamento do governo para 2022 também segue no radar dos investidores.

A maior queda do dia ficou com Lojas Americanas, que fechou em queda de 6,08%, a R$ 5,25. Os papéis da companhia ainda sofrem ajustes no valor após a combinação de parte dos ativos com a B2W, que resultou na Americanas. Nos últimos pregões, as ações também refletiram o resultado do segundo trimestre e os ruídos que envolveram a previsão de sinergia entre as companhias e um programa de recompra de ações. Americanas caiu 4,25%, a R$ 39,20.

Entre os destaques positivos, Embraer foi a maior alta da sessão, com alta de 5,28%, a R$ 20,92, seguido por CVC, que teve ganhos de 4,39%, a R$ 20,70. As ações da Petrobras também se beneficiaram do preço do petróleo no exterior e subiram 2,83% (ordinárias, com direito a voto) e 1,54% (preferenciais, sem direito a voto).

Em Wall Street, os índices refletiram o bom humor dos investidores depois de a FDA (agência federal americana responsável pela administração de medicamentos) ter concedido o registro definitivo para a vacina da Pfizer contra a Covid-19 nos Estados Unidos.

Também há expectativas para o simpósio anual do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que deve acontecer nesta semana.

Nasdaq atingiu uma nova máxima recorde de fechamento, com alta de 1,55% nesta segunda-feira (23). Os índices Dow Jones e S&P 500 também tiveram uma sessão positiva e encerraram com ganhos de 0,61% e 0,85%, respectivamente.

Depois de um dia volátil, o dólar encerrou perto da estabilidade. A moeda caiu 0,07%, a R$ 5,3810, ainda refletindo as incertezas do cenário político-fiscal brasileiro.

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