Incerteza sobre eleições nos EUA impulsiona dólar

O mercado de câmbio doméstico reabriu nesta segunda-feira alinhado com a persistente alta do dólar no mercado internacional. Após começar a sessão a R$ 2,0340 (+0,10%), o dólar à vista no balcão era negociado na mínima, de R$ 2,0330 (+0,05%) por volta das 9h42. No mercado futuro, o vencimento de dólar para 1º de dezembro de 2012 subia nesse horário a R$ 2,0410 (+0,10%), após abrir em R$ 2,0420 (+0,15%). Esse vencimento já oscilou entre R$ 2,040 (+0,05%) e R$ 2,0425 (+0,17%).

No âmbito da pesquisa Focus, do Banco Central, as projeções do mercado para o câmbio no fim de 2012 subiram de R$ 2,01 para R$ 2,02; e para fim de 2013, seguiram em R$ 2,01. No caso do câmbio médio, a taxa segue em R$ 1,95 em 2012 e subiu de R$ 2,01 para R$ 2,02 em 2013.

Os investidores globais estão focados nas eleições nos EUA nesta terça-feira (6), na qual os norte-americanos decidirão quem será o próximo presidente e também renovarão toda a Câmara e um terço do Senado e elegerão 11 dos 50 governadores. Até agora, as pesquisas de opinião apontam empate técnico entre os candidatos à Presidência dos EUA.

A incerteza eleitoral nos EUA nutre preocupações com o chamado "abismo fiscal", ou seja, a perspectiva de elevações de impostos e de cortes de gastos governamentais da ordem de US$ 600 bilhões a partir do começo de janeiro, caso o Congresso não chegue a um acordo sobre a questão fiscal. A maneira como o novo presidente e o novo Congresso vão lidar com isso deverá ser um fator importante para determinar o apetite dos investidores por ações, títulos e moedas nos próximos meses.

Em encontro que termina nesta segunda-feira na cidade do México, os ministros de Finanças e presidentes do G-20 manifestaram, neste domingo (4), preocupação com o risco de o "abismo fiscal" atrapalhar a recuperação econômica americana e contaminar a economia global. A avaliação do G-20 é de que o crescimento mundial permanece lento. E a Europa continua em recessão.

Na sexta-feira (2), em meio ao feriado no Brasil, o dólar subiu frente às principais moedas no exterior, expressando uma busca de proteção em meio aos dados relativamente melhores sobre o mercado de trabalho nos EUA e a cautela sobre as eleições. Em outubro, os Estados unidos criaram 171 mil postos de trabalho, ante estimativas de 125 mil, e a taxa de desemprego subiu para 7,9%, de 7,8% em setembro. Para os estrategistas, esses números ainda mostram uma recuperação muito lenta no mercado de mão de obra. Por isso, é improvável que o Federal Reserve reverta sua política monetária altamente acomodatícia em breve.

Após a passagem do furacão Sandy, os analistas aguardam os indicadores de novembro para avaliar os efeitos sobre a economia dos EUA. A expectativa é com os dados que serão divulgados após o dia 12. Entre eles, o de vendas no varejo em outubro (previstas para 14/11), de produção industrial (16/11), e o índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da região de Nova York e Filadélfia, previsto para 15/11, que pode apontar o impacto na produção da indústria.

Na Europa, neste domingo (4), a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, estimou, em uma conferência de seu partido, que os países da zona do euro ainda terão de enfrentar mais cinco anos de crise - no mínimo. Merkel, que se prepara para disputar as eleições gerais de 2013, disse que as reformas feitas até aqui na União Europeia não foram suficientes para garantir que o bloco sairá da crise em menos de meia década.

Enquanto isso, na China, houve crescimento moderado na atividade de serviços em outubro, de acordo com o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) medido pelo HSBC, que caiu para 53,5 em outubro ante 54,3 em setembro.

Nesse ambiente, em Nova York às 9h45, o euro caía a US$ 1,2784, de US$ 1,2830 no fim da tarde de sexta-feira (2). O dólar norte-americano subia diante do dólar australiano (+0,04%), do dólar canadense (+0,18%), da rupia indiana (+1,46%) e do dólar neozelandês (+0,13%).

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