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Inédito! Rover Perseverance extrai dióxido de carbono e produz oxigênio em Marte

Wyllian Torres
·3 minuto de leitura

No último dia 20 de abril o rover Perseverance realizou mais um grande evento em Marte. Ao 60° dia, ou sol marciano, de sua missão, o robô produziu oxigênio a partir da fina camada atmosférica do planeta, que é rica em dióxido de carbono (CO2). O instrumento experimental responsável por esse trabalho foi o Mars Oxygen In-Situ Resource Utilization Experiment (MOXIE), que, no momento, cumpre apenas a função de demonstração tecnológica — mas os primeiros resultados são promissores e pavimentam o caminho para a vindoura exploração presencial marciana.

Em missões espaciais, o oxigênio tem duas funções essenciais: além de fornecer um ar respirável para a tripulação, seu armazenamento é fundamental para o fornecimento de energia usada em lançamentos de foguetes, que podem tirar futuros astronautas da superfície do planeta.

O MOXIE tem o tamanho de uma torradeira e o teste também serviu para avaliar se o aparelho não sofreu nenhum dano durante os 7 meses de viagem no espaço a bordo do Perseverance, que pousou por lá em 18 de fevereiro deste ano. O MOXIE é um trabalho de investigação tecnológica financiado pela Diretoria de Missão de Tecnologia Espacial (STMD) e pela Diretoria de Missão de Exploração Humana e Operações, da NASA.

Segundo Jim Reuter, administrador associado do STMD, esse é o primeiro passo crítico na conversão de dióxido de carbono em oxigênio: “o MOXIE tem mais trabalho a fazer, mas os resultados desta demonstração de tecnologia são promissores à medida que avançamos em direção ao nosso objetivo de um dia ver humanos em Marte”, acrescenta.

Ilustração do MOXIE revelando seus componentes internos (Imagem: Reprodução/NASA-JPL)
Ilustração do MOXIE revelando seus componentes internos (Imagem: Reprodução/NASA-JPL)

Para se ter uma ideia, para tirar quatro astronautas da superfície marciana um foguete precisaria de 7 toneladas métricas de combustível e 25 toneladas métricas de oxigênio para obter a força necessária. No entanto, estes mesmos astronautas usaram cerca de uma tonelada métrica ao longo de um ano. Transportar esse grande volume de propelente para outro planeta seria uma tarefa muito difícil, por isso obter esse elemento a partir do próprio planeta de destino é muito mais viável — e enviar um aparelho como o MOXIE é muito mais prático e econômico.

A atmosfera marciana é composta em 96% de dióxido de carbono. O MOXIE trabalha separando os átomos de oxigênio nas moléculas de CO2 — um átomo de carbono e dois de oxigênio —, e o que sobra desse processo é o monóxido de carbono, o qual é lançado na atmosfera. O aparelho, que foi projetado para gerar até 10 gramas de oxigênio por hora, nesta primeira demonstração produziu cerca de cinco gramas ao final de uma hora de funcionamento, o que foi suficiente para fornecer 10 minutos de oxigênio para um astronauta. Antes disso, o equipamento precisou de 2 horas para se aquecer e atingir a temperatura adequada para o processo. A equipe espera que o equipamento produza oxigênio pelo menos mais 9 vezes ao longo de um ano marciano — o equivalente a quase dois anos terrestres.

Ao final de um hora de trabalho, o MOXIE produziu cerca de 5 grama de oxigênio (Imagem: Reprodução/MIT Haystack Observatory)
Ao final de um hora de trabalho, o MOXIE produziu cerca de 5 grama de oxigênio (Imagem: Reprodução/MIT Haystack Observatory)

A missão do MOXIE será executada em três etapas durante as produções de oxigênio. A primeira consiste em verificar o funcionamento do instrumento. Em seguida, o MOXIE será testado em diversas condições atmosféricas — de dia, de noite e em variadas estações do planeta. Na terceira etapa, conforme explica o principal investigador do equipamento Michael Hecht, “nós vamos forçar a barra”, onde novas maneiras e operação serão aplicadas — como comparar a produção sob três temperaturas diferentes.

O MOXIE, mesmo que em fase de testes e demonstração tecnológica, é o primeiro instrumento a produzir oxigênio em outro mundo — elemento tão importante para a execução e sucesso de missões futuras, seja em Marte ou em outros planetas. A diretora de demonstração de tecnologia do STMD, Trudy Kortes, diz que este é o tipo de tecnologia que nos ajudará a “viver da terra”, usando elementos que já existem naquele ambiente — o chamado recursos in-situ.

Fonte: Canaltech

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