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Inédito! Primeiros embriões macaco-humanos crescem em laboratório

Fidel Forato
·4 minuto de leitura

Para entender a formação de organismos, um grupo de pesquisadores com membros do Instituto Salk, dos Estados Unidos, desenvolveu quimeras de macaco-humanos, ou seja: organismos cujas células se originam de duas ou mais espécies. No estudo, estes embriões foram cultivados e se desenvolveram por 19 dias no laboratório, o que é um recorde na história da ciência.

No artigo científico publicado na revista científica Cell 1, a equipe de pesquisadores explicou que para obter os embriões de macaco-humanos, primeiro, extraiu óvulos de macacos cynomolgus (Macaca fascicularis) e os cultivaram. Em seguida, foram injetadas células-tronco pluripotentes humanas nos embriões dos macacos, enquanto observavam as reações do experimento.

Pesquisa desenvolve embrião macaco-humano em laboratório e que cresce por 19 dias (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)
Pesquisa desenvolve embrião macaco-humano em laboratório e que cresce por 19 dias (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)

Cada embrião desenvolveu combinações únicas de células humanas e de macaco e, por isso, eles se deterioraram em diferentes períodos chegando no limite de 19 dias. “A mensagem geral é que cada embrião continha células humanas que se proliferam e se diferenciam em graus diferentes”, explicou Juan Carlos Izpisua Belmonte, biólogo do Instituto Salk, na Califórnia, e um dos pesquisadores que liderou o trabalho.

Histórico no desenvolvimento de embriões com células humanas

Antes de desenvolver as quimeras por 19 dias, a mesma equipe de pesquisa foi a primeira a demonstrar, ainda em 2019, que era possível cultivar embriões de macaco em uma lâmina por até 20 dias após a fertilização. Antes disso, em 2017, eles relataram tentativas para o desenvolvimento de uma série de outros híbridos, como embriões de porco cultivados com células humanas ou ainda embriões de vaca cultivados com células humanas. No entanto, nunca alcançaram resultados tão expressivos quanto os últimos.

Inclusive, a pesquisa mais recente divide a opinião dos biólogos. Isso porque é questionável a necessidade de experimentos do tipo, a partir de primatas tão próximos, na evolução, dos humanos. Nos outros experimentos, havia maior distância genética entre as espécies. Aliás, primatas não humanos (PNH) são protegidos por regras de ética em pesquisa mais rígidas do que os roedores, por exemplo.

Por que desenvolver quimeras pode ser importante para a ciência?

As pesquisas com estes experimentos que buscam criar uma espécie híbrida têm como objetivo fornecer melhores modelos animais para testes com novas terapias, como remédios e vacinas. Outro objetivo futuro é o desenvolvimento de experimentos que visam o cultivo de órgãos humanos para transplantes, o que justifica o envolvimento de células-tronco humanas na pesquisa.

Em laboratório, embrião de macaco cynomolgus recebe células-tronco humanas (Imagem: Reprodução/Antonpetrus/Envato Elements)
Em laboratório, embrião de macaco cynomolgus recebe células-tronco humanas (Imagem: Reprodução/Antonpetrus/Envato Elements)

“Este artigo é uma demonstração notável da capacidade das células-tronco pluripotentes humanas de serem incorporadas aos embriões do macaco cynomolgus quando introduzidas nos blastocistos [fase do desenvolvimento embrionário] do macaco”, afirmou Magdalena Zernicka-Goetz, bióloga do Instituto de Tecnologia da Califórnia. De acordo com a pesquisadora, um desafio ainda é controlar ou descobrir quais células se desenvolvem em quais tecidos.

Mesmo que os experimentos mirem o futuro, ainda existem muitas limitações para o desenvolvimento de espécies híbridas. Segundo o pesquisador Belmonte, a equipe nunca quis implantar estes embriões híbridos em macacos e trazer à vida uma nova espécie. O objetivo é compreender melhor como as células de diferentes espécies se comunicam no embrião durante sua fase inicial de crescimento.

No entanto, “existem experiências muito mais sensatas nesta área das quimeras como fonte de órgãos e tecidos”, defende Alfonso Martinez Arias, biólogo da Universidade Pompeu Fabra (UPF), ​​Espanha. Além disso, o cientista defende que estudos com animais de criação, como porcos e vacas, são “mais promissores e não arriscam desafiar os limites éticos”. De forma mais radical, alguns governos, como o Reino Unido, limitaram as pesquisas sobre quimeras envolvendo células humanas.

Nos próximos meses, a Sociedade Internacional para Pesquisa com Células-Tronco (ISSCR) deve publicar novas diretrizes para as pesquisas com células-tronco diante dos últimos avanços, o que deve impor limitações para o estudo de quimeras de humanos e primatas não humanos. Além disso, o grupo recomenda supervisão extra caso células humanas possam se integrar ao sistema nervoso central em desenvolvimento de um hospedeiro animal.

Para acessar o artigo completo sobre a quimera desenvolvida por 19 dias, publicada na revista Cell 1, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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