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Inédito! Este exoplaneta gigante gasoso parece orbitar três estrelas

·2 minuto de leitura

A aproximadamente 1.300 anos-luz da Terra, na constelação de Orion, o Caçador, há um sistema estelar curioso: além de haver três estrelas por lá, a formação tem um grande disco de gás e poeira dividido em duas partes, resultando em algo parecido com o que os anéis de Saturno seriam se houvesse um grande espaço entre eles. Agora, pesquisadores propõem que esse espaço pode ter sido o resultado da ação de um planeta gasoso e massivo e, se este realmente for o caso, o planeta seria o primeiro descoberto a orbitar três estrelas de uma só vez.

No ano passado, dados do Very Large Telescope do European Southern Observatory (ESO's VLT) e do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) mostraram que o trio de estrelas do sistema desalinhou o anel da parte interna, mas ainda faltava entender o porquê de essa estrutura ter um espaço de 100 unidades astronômicas em seu interior. Uma possibilidade seria a ação das estrelas do sistema, mas o novo modelo vai além e sugere que este seja o resultado de um planeta gasoso e massivo como Júpiter “cavando” o disco.

À esquerda, a estrutura do anel do disco, com o mais interno separado do restante; já na direita, está a imagem com a sombra do anel mais interno (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada, Exeter/Kraus et al.)
À esquerda, a estrutura do anel do disco, com o mais interno separado do restante; já na direita, está a imagem com a sombra do anel mais interno (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada, Exeter/Kraus et al.)

Embora este exoplaneta não tenha sido observado diretamente, os astrônomos talvez estejam vendo-o abrir caminho pela órbita durante sua “infância”, com apenas alguns milhões de anos de existência. Esta possibilidade mostra também que ainda temos muito a aprender sobre as formas inesperadas de acordo com as quais os planetas podem se formar. Jeremy Smallwood, autor principal do artigo, afirma que esta pode ser a primeira evidência de um planeta orbitando três estrelas e abrindo caminho, com tudo ocorrendo em tempo real.

Alison Young, da Universidade de Leicester, foi uma das autoras de um estudo publicado no ano passado, em que os autores argumentam que o espaço observado no disco do sistema não foi causado por um planeta, mas sim pelas próprias estrelas de GW Ori. Para ela, novas observações com os telescópios ALMA e Very Large Telescope podem mostrar evidências diretas de um planeta por lá e, assim, talvez resolvam a discussão.

Caso realmente exista um planeta por lá, esse sistema reforçará a ideia de que a formação de planetas é um processo comum. Vários planetas já foram encontrados orbitando duas estrelas, mas ver um deles circulando três delas, como acontece em GW Ori, é mais difícil. Mesmo assim, a possível existência deste exoplaneta sugere que os planetas podem aparecer em todos os tipos de lugares, mesmo naqueles mais incomuns. “O que aprendemos é que quando planetas podem se formar, eles realmente se formam”, comentou Sean Raymond, astrônomo da Universidade de Bordeaux que não integrou o estudo.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: Canaltech

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