Mercado fechado

Impulsionada por commodities, Bolsa avança 1,25% e destoa dos pares internacionais

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráficos das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Impulsionada pela forte alta nos preços das commodities, a Bolsa de Valores brasileira foi na contramão do movimento observado entre os pares nos Estados Unidos e fechou com alta acima de 1% no pregão desta quarta-feira (11).

O índice Ibovespa encerrou a sessão com ganhos de 1,25%, aos 104.396 pontos, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas.

Já no câmbio, o dólar, que chegou a operar em queda frente ao real durante a primeira metade do pregão, inverteu a tendência e passou a subir durante a tarde, acompanhando a piora no humor dos investidores nos Estados Unidos.

No fechamento da sessão, o dólar comercial marcava valorização de 0,21% ante o real, cotado a R$ 5,1450 para venda.

INFLAÇÃO NOS EUA

Nas Bolsas dos Estados Unidos, as ações iniciaram o dia no campo positivo, mas passaram a cair e voltaram a fechar em baixa nesta quarta.

O S&P 500 cedeu 1,65%, o Dow Jones recuou 1,02%, e o Nasdaq, onde se concentram as empresas de tecnologia, cedeu 3,18%.

Dados de inflação nos Estados Unidos, embora tenham registrado forte desaceleração em abril, na comparação com março, ainda seguem em níveis elevados, mantendo o temor dos investidores a respeito de um aumento mais agressivo dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).

O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos subiu 0,3% no mês passado, taxa mais baixa desde agosto passado, disse o Departamento do Trabalho nesta quarta. Os números contrastaram fortemente com o aumento de 1,2% registrado em março, que foi o maior desde setembro de 2005.

Nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor aumentaram 8,3%. Economistas consultados pela Reuters projetavam avanço de 0,2% em abril e de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com a redução dos temores dos investidores sobre as restrições de mobilidade no país asiático, os preços das commodities registram forte alta no mercado internacional –o petróleo avançava cerca de 4,5%, enquanto o minério de ferro subia 5,8%.

"Em 12 meses, a inflação continua desacelerando, sinal de que o pico pode ter passado, mas, ainda assim, este resultado reforça que os americanos ainda irão viver uma inflação global a nível elevado por um período prolongado", apontam os analistas da Guide Investimentos.

IPCA PUXA JUROS FUTUROS PARA CIMA

No mercado local, os ganhos da Bolsa brasileira foram sustentados pela alta expressiva das ações das exportadoras de commodities com peso relevante no Ibovespa.

Os papéis ordinários da Petrobras tiveram valorização de 5,04% e os preferenciais avançaram 3,48%, enquanto as ações da Vale subiram 4,17%.

O movimento das ações acompanhou a alta dos preços das commodities no mercado internacional, após a China informar uma redução nos casos de contágio de Covid-19 no país.

O gigante asiático reportou uma melhora do quadro sanitário, com cerca de 1.500 casos de Covid-19 em Xangai nesta terça-feira (10), o menor nível desde meados de março, assinalam os analistas da XP.

A melhora do quadro pandêmico na China trouxe alívio às Bolsas asiáticas, ao promover um impulso no sentimento de confiança dos investidores e nos preços das commodities.

Na China, o índice acionário CSI 300 fechou o dia em alta de 1,44%, e o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,97%.

Com a redução dos temores dos investidores sobre as restrições de mobilidade no país asiático, os preços das commodities registram forte alta no mercado internacional –o petróleo avançou cerca de 4,85%, enquanto o minério de ferro subiu 5,8%.

A queda na véspera do ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, não pesou para a performance das ações da estatal.

"Independentemente do contentamento da União, a Petrobras desenvolveu ao longo dos últimos anos aspectos positivos em sua governança, que, de certa maneira, a blindam de interesses que possam pesar contra sua situação financeira", afirmam os analistas da Ativa.

No setor aéreo, as ações da Gol caíram 1,67%, após a empresa anunciar acordo com a colombiana Avianca para a criação do grupo Abra, que reúne a operação das duas companhias aéreas. A holding vai controlar as duas empresas, que englobam as marcas Gol, Avianca, Viva (Colômbia) e Sky (Chile), todas aéreas de baixo custo.​

Já os dados do IPCA, que passa a acumular aumento de 12,13% em 12 meses até abril, maior patamar desde outubro de 2003, se não chegam a influenciar no desempenho das ações nesta quarta, puxaram para cima os contratos dos juros futuros.

O contrato com vencimento em janeiro de 2023 avançou de 13,27% para 13,32%. Já o título para 2027 passava de 12,18% para 12,30%.

"O Banco Central publicou nesta terça a ata de sua última reunião do Copom e reforçou a sinalização de uma pausa no ciclo de aperto em breve. O IPCA de hoje é um ingrediente importante para calibrar o momento desta pausa e o nível terminal da taxa Selic", dizem os analistas da XP, que projetam a taxa em 13,75% ao final do ciclo de alta pelo BC, um aumento de 1 ponto percentual em relação ao patamar atual.

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